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Onda pela Paz: educação é nossa principal aposta

15/03/2018, às 10:15 (atualizado em 16/03/2019, às 22:37) | Tempo estimado de leitura: 4 min
Objetivo do projeto é - por meio da educação - reduzir a violência comunitária e ajudar na sociabilização de jovens em privação de liberdade.

Por Márcia Acioli, assessora política do Inesc responsável pelo Projeto Onda

O Brasil ainda não conhece o que é viver sem violência. O brasileiro como povo cordial é mito; a violência foi fundante na formação do que se conhece como Brasil. Importante perceber que as violências se estruturam e se manifestam diferentemente para cada segmento da sociedade. As dimensões de raça, gênero, sexualidade, geração e classe são determinantes na configuração do que mais afeta cada grupo de pessoas. A maioria das pessoas vítimas da violência acumula, pelo menos, mais de uma dessas dimensões.

No Distrito Federal não é diferente. Cidades conhecidas como cidade-canteiro, pois destinadas aos trabalhadores que construíram Brasília, apresentam elevados índices de violência letal contra a juventude negra. Assim que inaugurada a nova capital, estas cidades permaneceram no esquecimento e abandono e hoje são as mais pobres da região. É nelas que o projeto Onda pela Paz assumiu o desafio de atuar em rede para reduzir a violência comunitária que atinge adolescentes que ali vivem.

No Paranoá e no Itapoã o projeto atua a partir das escolas públicas. Em Santa Maria, São Sebastião e no Recanto das Emas, o projeto trabalha em Unidades de Internação do Sistema Socioeducativo com adolescentes envolvidos em contextos de violência, que sofreram e também praticaram atos contra a sociedade. Neste caso, o projeto visa colaborar para processos educativos que ajudem a socialização de quem está privado de liberdade.

>>> Leia também: A escola é nossa: livre, diversa e colorida

No socioeducativo, trabalhamos com ênfase na sensibilidade, na arte e na cultura para que os adolescentes percebam outras possibilidades além das conhecidas no mundo da violência. As percepções sobre a sociedade, as desigualdades e as opressões são fundamentais para a elaboração de uma nova forma de estar no mundo. O trabalho pedagógico colabora para reconstrução de vidas, considerando a necessária mudança dos e das adolescentes, bem como de suas comunidades, por meio de políticas públicas que lhes assegurem igualdade de acesso aos direitos e dignidade de vida. Sem mudança nas políticas públicas e no desenho social, os/as adolescentes retornam para os meios de onde foram expulsos  – os mesmos que contribuíram para o cenário da violência no qual foram inseridos/as.

A ideia principal do projeto é identificar as principias causas da violência, discuti-las na escola, dialogar com o poder público, analisar os meios de comunicação e produzir novos materiais de comunicação que sejam provocadores de novos olhares. A formação e a prática em mediação de conflitos são formas de se construir a cultura da paz, considerando a pluralidade de expressões no ambiente comunitário e o diálogo necessário para a convivência democrática.

Toda a ação aposta no poder dos adolescentes de fazer diferente, de mudar relações e de disseminar novas culturas. O trabalho com as escolas tem um potencial multiplicador na medida em que o debate pode ser mais contínuo, contar com várias abordagens e, assim, alcançar um maior número de adolescentes de forma mais permanente. A educação é nossa aposta principal.

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Categoria: Notícia
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