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O retrato da política brasileira: branca, masculina e proprietária

06/10/2016, às 11:25 AM | Tiempo estimado de lectura: 4 min
Fizemos um extenso levantamento com os dados do TSE e constatamos que ainda temos um longo caminho pela frente para que a democracia brasileira realmente seja representativa.

O resultado das eleições 2016 não surpreendeu no que diz respeito à diversidade das candidaturas com relação ao perfil racial e de gênero dos candidatos. De um total de 465.446 mil candidaturas em todo o Brasil, sendo 156.317 candidaturas do sexo feminino (apenas 14,2%), foram eleitas 638 mulheres (0,3% do total) para o cargo de prefeitas e 107 para o cargo de vereadoras nas capitais. No total das cidades brasileiras, foram eleitas 7.818 mulheres vereadoras, o que representa 4,66% do total.

As mulheres pretas e pardas somaram somente 32 eleitas vereadoras nas capitais e nenhuma para o cargo de prefeita. As capitais São Luís, Recife, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Aracaju e São Paulo não elegeram nenhuma mulher preta ou parda para o cargo de vereadora.

“Um debate que precisa ser incorporado ainda à agenda política é o de cotas raciais nas eleições, como já foi iniciado o de gênero, pois olhamos os dados e percebemos que nem mesmo a Lei de Cotas tem impulsionado as eleições de mulheres, e muito menos de mulheres negras”, afirma Carmela Zigoni, assessora política do Inesc.

Leia também:

Eleições 2016: no Brasil, mulheres negra não tem vez na política

Inesc apresenta dados da sub-representação de negros, indígenas e mulheres nas eleições de 2014

A boa notícia do pleito é a eleição de duas vereadoras negras que alcançaram o primeiro lugar, ou seja, foram as mais votadas de seus municípios: Aurea Carolina, em Belo Horizonte, com 17.420 votos, e Taliria Petrone, em Niteroi, com 5.121 votos, ambas do PSOL.

Os homens brancos, portanto, dominaram o pleito nas capitais, tendo elegido 62,9% prefeitos no 1º turno e 49,8% dos vereadores nas capitais. Homens negros (pretos + pardos) somaram 36% dos vereadores eleitos nas capitais brasileiras; somente os que se auto-declararam pretos somaram 5,2%. E os indígenas conseguiram eleger 1 vereador, na capital de Roraima.

Os dados que levantamos renderam duas boas reportagens:

O retrato da política brasileira: branca, masculina e proprietária, da Carta Capital

Com vitórias marcantes na vereança, mulheres seguem subrrepresentadas após primeiro turno, no site Gênero e Número.

Fizemos alguns infográficos para dar um panorama geral dos resultados das eleições deste ano (tratamento da base de dados do TSE feita por Luciana Guedes):

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