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“A minha escola dos sonhos seria humilde: um lugar aconchegante e mais respeito entre alunos e professores”

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“A arte nos ajuda a elaborar significados e produz novas formas de ver e pensar a vida”

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“Acho importante que os jovens participem da política porque somos nós que estamos sendo afetados pela maior parte dessas reformas.”

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A voz de uma pessoa e sua opinião

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“A Estrutural faz parte de mim, de quem sou”

Quem eu sou? Sou um filho da Estrutural. me chamo Lucas Miguel Salomão Meireles, ou Miguel Haaran, tenho 22 anos, estudo arquitetura e Urbanismo na Universidade de Brasília.

A Estrutural faz parte de mim, de quem sou. Eu costumo dizer que os deuses nunca plantariam uma semente num terreno que não pudesse florescer. Aqui tenho crescido e continuo crescendo.

Sou o primeiro da minha família a entrar para a universidade e isso é muito significativo. Estou estudando, florescendo e ajudando a florescer todos os que vieram antes de mim: meus avós, meus bisavôs, meus pais e também os que virão depois de mim.

Conheci o Inesc quando estava na escola. Eu nunca tinha percebido o quão legal e estimulante podia ser discutir sobre meus direitos e sobre orçamento público. A partir de projetos como o Onda e o OCA, pude ir despertando em mim uma consciência de que eu sou um sujeito de direitos, tenho voz, tenho opinião e posso, sim, problematizar os aspectos da nossa sociedade, inclusive o papel e atuação de ONGs nas periferias.

Hoje sou ativista pela causa LGBTI, ator, artista Drag e estagiário num projeto de Mobilidade Urbana no Inesc. Sou consciente do meu poder enquanto homem gay, afeminado e periférico! Nessa fase da minha vida, sigo aprendendo que a gente nunca sabe de tudo, e que todas as pessoas e movimentos têm algo a nos ensinar. Então, estou aproveitando ao máximo a minha experiência de estágio no Inesc, me aprofundando em desbravar o orçamento público, os direitos sociais e outras pautas que com certeza fazem e farão parte da minha formação como ser humano.

Lucas Miguel, estagiário do projeto MobCidades

“Professores são heróis que salvam sonhos. Eu tive o meu herói e quero ser a heroína dos meus alunos”

Ravena Carmo, 27 anos, Planaltina (DF)

Professores são heróis que salvam sonhos. Eu tive o meu herói e quero ser a heroína dos meus alunos. Meu nome é Ravena Carmo, tenho 27 anos e moro em Planaltina, DF. Passei dois anos e 11 meses como interna do Centro de Apoio Juvenil Especializado, o Caje. Hoje sou mãe de um garoto de seis anos, aluna de Ciências Naturais da Universidade de Brasília (UnB) e voltei à unidade de internação. Agora para levar cultura e educação para os jovens internos.

Comecei no mundo do tráfico aos 12 anos. Rolou, simplesmente aconteceu. O mundo do crime é algo fascinante: adrenalina, drogas, dinheiro. Era tão natural ter aquilo perto de mim… Mas é, também, uma teia de aranha: você nem percebe que entrou e não consegue mais sair. Roubar mesmo eu roubei uma vez só na minha vida. No entanto, como eu entrei de verdade no mundo do crime, acabei tendo que passar por todas as medidas socioeducativas que existem. Levei desde advertência até a pior de todas, que foi a internação.

Fui encaminhada à antiga Unidade de Internação do Plano Piloto (Uipp), conhecida como Centro de Apoio Juvenil Especializado (ou Caje), mais de uma vez. Um dia, saí de casa com uma arma para cobrar dívidas de drogas de uma mulher e atirei nela. Na mesma hora eu percebi o que tinha feito: havia extrapolado todos os limites das minhas atitudes. Ela sobreviveu, mas eu acabei na minha última e mais traumática internação. O lugar era uma máquina de fazer bandido. O cheiro é algo que está cravado na minha memória. Um cheiro de cadeia, um ambiente muito hostil e sem esperança.

Lá dentro tive contato com psicólogos e professores. Um deles foi o meu herói: o professor Clayton Meiji Ito, que dava aulas de matemática misturadas com teatro dentro da unidade. Eu odiava matemática, mas adorava ir para as aulas dele. Foi ele que olhou para mim um dia e disse: eu acredito em você. Para mim, Meiji cumpriu o papel de um professor, que está além de simplesmente passar conhecimento: plantar uma semente de esperança dentro do coração dos alunos. Quando saí, para minha surpresa, ele me disse que ainda veria meu nome na UnB. Eu ria, porque não acreditava mesmo que poderia estar onde estou. Eu nem sabia o que era escola direito.

Quando saí do Caje, sabia que não queria voltar para Planaltina. Mas transformei a minha volta e a minha experiência em poesia: a minha quebrada virou a minha inspiração. Passei a compor para grupos de hip hop da cidade. Além disso, consegui um emprego em uma loja por indicação de um amigo. Acho fundamental que os adolescentes sejam acompanhados de perto e direcionados para novas oportunidades quando saem da internação. O sistema socioeducativo aqui de Brasília é muito falho. Não há suporte quando o adolescente sai da internação. Ele cumpre a medida, mas muitos não têm casa para morar, não têm onde dormir, não têm o que vestir e acabam voltando para o crime.

Só que eu queria mais. Pedi demissão e, com o dinheiro, me matriculei em um cursinho pré-vestibular. Fiz o primeiro vestibular e não passei. Foi frustrante? Foi! Eu poderia ter desistido? Sim. Mas falei: eu não aceito! Comecei a estudar por aulas avulsas no YouTube e passei em primeiro lugar no curso de ciências naturais da UnB.

A universidade não foi fácil. Tive outro choque de realidade quando entrei, porque escola regular eu só estudei até o quarto ano. Universidade era algo muito novo para mim. Chorava todos os dias no banheiro porque o professor começava a falar de tabela periódica e eu não entendia nada. Mas segui firme, tentando me adaptar, conhecendo pessoas e buscando descobrir qual era meu papel ali dentro.

Já no início do curso comecei a ministrar oficinas dentro de unidades de internação. Foi difícil entrar, minhas pernas tremiam, eu revivi tudo o que havia passado naqueles anos no Caje. Mas foi, também, uma experiência inesquecível entrar pela porta da frente sem ser revistada.

Decidi desenvolver meu TCC sobre essa experiência e quero me tornar doutora no assunto. A minha salvação foi a educação. E, quando falo isso, me refiro à educação e à cultura porque elas não se separam de forma alguma. Foi por isso que escolhi ser professora, acredito que tenho uma dívida com a educação. Quero repassar isso às adolescentes que estão presas e merecem ter uma nova chance na vida. Afinal, eu vivi a socioeducação, eu sou fruto da dela, e felizmente, encontrei pessoas no meu caminho que também acreditam.

Trabalhar com o Inesc fez muita diferença para mim porque, por mais que eu tivesse a vivência das coisas, não sabia exatamente como fazer, o que queria fazer. A parceria em oficinas com as adolescentes que cumprem medidas socioeducativas me ajuda tanto no nível pessoal como no profissional. Me prepara melhor para eu atuar nas áreas sociais, no sistema socioeducativo. Quero ser reconhecida como profissional, não apenas pela minha história de vida. E o Inesc me dá essa base.

O que mais aprendi com tudo o que vivi até hoje foi que a gente só precisa de um empurrão. Alguém que te diga: “Você dá conta”. Ter uma pessoa que acredita em você não é utopia, é algo verdadeiro porque aconteceu comigo. A força está nos jovens.

“Eu sou cada abandono

eu sou cada descaso

eu sou cada medo,

cada choro,

cada sorriso.

Eu sou as pessoas de bem,

Bom coração.

Eu sou favela, resistência, quebrada”

Ravena Carmo, 27 anos,  educadora do Projeto Vozes da Cidadania.

“O Instituto Nossa Ilhéus começa com o meu despertar para a cidadania”

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“Hoje sou capaz de correr atrás dos meus sonhos sem precisar estar na vida de antes”

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A história da Louise: “Minhas experiências e o contato com o Inesc me levaram a produzir uma arte mais profunda e engajada”

O prazer de fazer aquilo que se ama não tem preço. Escolhi minha profissão diante daquilo que gosto de fazer por entender que faria a vida toda. E quanto mais me aprofundo dentro da reflexão, conhecimento e produção artística, mais me encanto por essa área. A arte é multifacetada e transdisciplinar. Ela está em todo lugar e pode ser tudo, sem ser qualquer coisa. A liberdade que ela proporciona e as possibilidades de ser e estar no mundo me fascinam.

Meu nome é Louise Lucena, tenho 35 anos e sou bailarina dentro das danças urbanas. Sou formada em Educação Física pela Unb, curso licenciatura em dança no Instituto Federal de Brasília, faço uma pós graduação oferecida pelo Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais, sou bailarina do grupo Ceda-si e integrante do grupo de pesquisa em Interculturalidades Afroameríndias. Tenho vários títulos nacionais e internacionais, viajei o mundo através do hip hop, desenvolvi diversos trabalhos de sucesso dentro da educação e da arte, mas paguei um preço alto por conta do machismo, racismo e preconceito que vivi.

Por ser mulher e negra, constantemente fui objetificada e vista como inferior. Lá fora isso ganha um peso ainda maior por ser brasileira. Sempre lutei contra isso, mas tem horas que o uso da força é insuficiente. O Inesc me ajudou a aprofundar minha pesquisa e busca pelo autoconhecimento, reflexão sociocultural e política. Isso me trouxe mais preparo para continuar em minha trajetória profissional e de vida, pois, para o artista, a arte e a vida se confundem e misturam.

Conheci o Inesc através do projeto Hub das Pretas no final de 2016. Foi uma experiência muito importante para mim. A partir dele, tive acesso à pretitude brasiliense e brasileira, o que me possibilitou conectar com minha ancestralidade, me reconhecer socialmente e dentre os meus, além de tomar maior consciência sobre o racismo e o preconceito a partir da experiência reflexiva. O projeto, junto com meu histórico profissional e minhas vivências, mudou minha trajetória dentro das artes. Me levou a produzir uma arte mais profunda, engajada politicamente e a militar dentro do meu ambiente profissional, acadêmico e pessoal, sobre a questão da mulher negra e questões relacionadas a sexualidade dentro da nossa sociedade.

Por conta disso, meus últimos trabalhos profissionais dentro do campo da educação têm se voltado para uma área mais social. O projeto acabou no final de 2017 e, em seguida, fui convidada a fazer parte de outro projeto, o Onda, que trabalha com jovens e adolescentes cumprindo medida socioeducativa de privação de liberdade. Esse projeto teve duração de quase quatro meses e foi uma experiência muito rica, pois possibilitou colocar em prática meus conhecimentos adquiridos tanto no Hub das pretas, quanto nos meus estudo de graduação e pós graduação.

A principal mudança que essas experiências me proporcionaram foi conseguir enegrecer conscientemente. Entender e tomar para mim a autonomia das minhas escolhas e da minha vida. As sequelas do racismo dentro desse sistema moderno capitalista, dentro da cultura brasileira, que vive uma colonização moderna e possui uma estrutura social baseada no preconceito, reverbera em toda população brasileira, nas estruturas sociais, políticas, econômicas, culturais e educacionais. Participar dos projetos do Inesc me ajudou a ter mais acesso ao conhecimento e informação que já pesquisava há um tempo, a ter mais contato com a tradição viva, vivenciar a forma como se produz e transmite conhecimento a partir de uma visão afrocentrada. A experiência como se vive e produz a resiliência e resistência a partir das mulheres negras com todos os seus recortes e linhas abissais me fez refletir e ter o desejo mais forte pela militância através da educação e da cultura. Entender sua importância dentro do processo de construção e desenvolvimento social.

Eu desejo, acima de tudo, um mundo melhor para todos. Com mais equidade, respeito e escuta para que possamos começar a dialogar. E acredito que a arte e a educação transformam a vida das pessoas.  A arte é múltipla. Pode servir para contemplação e bem-estar, nos tira da zona de conforto e nos incomoda, nos faz refletir, agir e sentir muitas outras coisas além do prazer. Ela pode ser um hobby, trabalho, terapia, meio de comunicação, educação, experiência, enfim, muitas coisas. Minha forma de trabalhar com a arte é através do meu corpo, geralmente a partir da dança.

No âmbito pessoal, espero passar pela vida com a cabeça boa, serena e com paz de espírito. Quero ter uma velhice saudável, sem preocupação financeira e independente. Até aqui tive uma trajetória de muita luta com muitas conquistas e algumas derrotas. Tudo que escolhi fazer, consegui realizar com determinação.

Para mim, a minha vida não tem preço. É incomensurável, assim como a arte e a educação, inerentes a minha existência e viver.

Louise Lucena, pesquisadora e bailarina, já participou dos projetos do Inesc Hub das pretas e Projeto ONDA.

A história da Jéssica: “participar do projeto Onda foi como aprender uma outra língua, uma língua mais importante para mim.”

Por Jéssica Almeida,

Desde muito pequena eu penso em fazer Direito na faculdade. Por isso, quando me falaram sobre o Projeto Onda, do Inesc, eu pensei: poxa, por quê não participar?! Sou Jéssica Almeida e conheci o projeto em 2017, aos 12 anos, quando estudava no CEF Doutora Zilda Arns.

Quando entrei no ONDA, não imaginava que eu iria conhecer tantas coisas diferentes e que seria tão bom assim participar. Foi como aprender uma outra língua, uma língua mais importante para mim. Aprendi coisas que nem imaginava, como o que é exigibilidade, interdependência, o sistema de garantia de Direitos e muitas outras. Além de tudo isso, fomos conhecer o trabalho de alguns órgãos públicos, pois também é nosso dever verificar se os nossos direitos estão funcionando bem.

Achei tudo isso essencial na minha vida não só porque gostaria de estudar Direito no futuro, mas também por achar que toda as pessoas devem ter conhecimento de seus direitos.

O Projeto ONDA é o melhor, ele é único!

A história da Helena: “Acolhi e fui acolhida por outras mulheres negras que me mostraram que o afeto entre nós é muito importante”

Venho de uma família de muitas mulheres negras professoras que me ensinaram que educar é um ato político. Esse foi o motivo que me levou a estudar Pedagogia. Sou Helena Rosa, tenho 26 anos, carioca estudante na Universidade de Brasília.

Desde criança fui educada pelos meus pais a enfrentar o racismo. Tinha consciência de que sou negra, mas meu despertar político aconteceu mesmo na universidade. Comecei com as pesquisas e leituras individuais, me matriculando em disciplinas com temática étnico-racial e participando de rodas de conversa voltadas para estudantes negras e negros. No entanto, ao me colocar nesses espaços de militância universitária percebi que meu próprio curso não tinha um currículo que contemplasse o ensino para uma educação antirracista. Foi neste momento que surgiu o Semeando Ubuntu: comunidade negra para estudos das Relações Étnico-Raciais, Gênero e Sexualidade, a partir de perspectivas negras do pensamento na aplicação da Lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira” no currículo oficial da Rede de Ensino brasileira.

Foi por meio deste coletivo criado por mim e outrxs colegas de curso que conheci o projeto “Mulheres Jovens Negras Fortalecidas na Luta contra o Racismo e o Sexismo”, ou “Hub das Pretas”, realizado em quatro cidades do Brasil, e aqui em Brasília pelo Inesc. A palavra “Fortalecidas” foi o que mais me chamou atenção quando recebi o convite. Por ser mulher, negra e gorda eu precisava de um espaço onde eu pudesse me fortalecer individualmente para continuar contribuindo com o Semeando Ubuntu.

Por meio de incidências políticas pensadas a partir do projeto consegui colocar em minha prática diária a luta antirracista que é para além da bolha universitária. E devido ao meu interesse e envolvimento no projeto acabei, também, sendo contratada como estagiária no Inesc, o que contribuiu de forma significativa para meu crescimento profissional. No Hub das Pretas, acolhi e fui acolhida por outras mulheres negras que me mostraram que o afeto entre a comunidade negra é muito importante.

A história da Thallita: “A luta por direitos não era apenas para mim, mas para todo um coletivo de crianças e adolescentes”

Ser jovem, mulher e da periferia nunca foi fácil e, mesmo nova, eu sempre tive alguma ideia dos desafios que enfrentaria para ver meus direitos garantidos. A entrada do Inesc na minha vida, com o Projeto ONDA, aconteceu quando eu estava no terceiro ano do ensino médio e me abriu ainda mais os olhos para essa realidade. Por ele, pude conhecer mais o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e os direitos humanos como um todo. A metodologia utilizada nos mostrava de forma lúdica e simples a importância em entender e acompanhar o orçamento público para garantir políticas públicas.

Foi também pelo projeto que eu tive certeza do que gostaria de fazer na minha vida: trabalhar com medidas socioeducativas, ou seja, aquelas medidas aplicadas pelo juiz, com finalidade educativa, em adolescentes maiores de doze e menores de dezoito anos, que cometem algum ato infracional. A vontade surgiu quando tive a oportunidade, em 2011, de escrever sobre este assunto para a revista [email protected], publicação do Projeto ONDA. Para fazer meu texto, além de precisar estudar o SINASE (Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo), entrevistei dois adolescentes, um menino e uma menina, sobre o Sistema Socioeducativo brasileiro. Eles me mostraram que muitas coisas previstas pelo SINASE e pelo ECA não são garantidas, como refeitório, limite de adolescentes por quarto, espaço e condições adequadas para visitas íntimas. O que de fato mexeu comigo na época foi perceber que, quanto mais de perto eu observava o sistema, mais numerosos eram os desafios que apareciam. Naquela hora eu entendi que alguns grupos eram ainda mais violentados em seus direitos do que eu. A luta por direitos não era apenas para mim, mas para todo um coletivo de crianças e adolescentes.

Seguindo a trajetória que escolhi, fui monitora pelo Inesc em algumas oficinas do CAJE (Centro de Atendimento Juvenil Especializado), o que me fez expandir ainda mais a visão sobre o sistema. Essas oportunidades só reforçaram meu desejo em trabalhar com esse público. No Inesc tive diversas oportunidades de conhecer grupos diversificados e enxergar a beleza que existe em conviver com as diferenças. Hoje sou educadora da instituição, trabalho nesse mesmo projeto que me acolheu anos atrás. Minha missão é contribuir na formação de crianças e adolescentes para que entendam a importância de conhecer o orçamento público e como ele influencia na garantia de seus direitos.

Sinto que se não fosse pelo Projeto ONDA, eu não teria a maturidade e a sensibilidade que tenho hoje para trabalhar com adolescentes. O melhor de tudo é que meu próprio exemplo me faz acreditar no trabalho que realizo aqui e na importância do mesmo. E por ter sido tão bem acolhida pela equipe do projeto quando ainda era adolescente faço meu trabalho com a mesma dedicação e o mesmo carinho que me proporcionaram. Acredito que, assim, a rede de pessoas preocupadas com o mundo, preocupadas umas com as outras, vai crescendo e estabelecendo mudanças concretas na sociedade.

Thallita de Oliveira Silva tem 24 anos, mora em Santa Maria-DF, é educadora do Inesc, estudante de Psicologia e ex-adolescente do Projeto ONDA.