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Adolescentes do Projeto Onda produzem campanha de combate ao racismo

20/11/2018, às 11:05 (atualizado em 16/03/2019, às 22:54) | Tempo estimado de leitura: 5 min
Com o mote “Por que não amar?”, adolescentes do Projeto Onda elaboraram e produziram uma campanha antirracista para as escolas e para a comunidade em que convivem.

Em 20 de novembro comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. A data é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Pensando nisso e baseados em pesquisa feita em sua escola e comunidade, adolescentes do Projeto ONDA criaram e produziram uma campanha antirracista. A ação está prevista para ser lançada no dia 30 deste mês. Entre as peças da campanha estão um calendário, um vídeo para a celebração da cultura negra, broches e adesivos. Toda a campanha será  referenciada em uma personagem criada pelo grupo chamada Luzia.

Os objetivos  da campanha são: se reconhecer e autoafirmar, valorizar a beleza natural e celebrar a negritude, enfrentar o racismo na escola e na comunidade e sensibilizar as pessoas para gerar a vontade de mudar. “Para mim a campanha que estamos produzindo é importante para levar autoestima para as pessoas que cresceram ouvindo que suas características físicas eram feias e inferiores”, diz Paulo Ricardo, um dos estudantes integrantes do Onda.

Integrantes do projeto refletiram sobre o poder da linguagem e o uso de palavras racistas no cotidiano, principalmente as que são voltadas para o cabelo crespo. Tiveram oficinas sobre gênero, formatos, linguagens de comunicação, assim como escolheram os públicos prioritários da campanha. “Eu me identifiquei com a conversa sobre cabelo porque eu sempre tive vergonha do meu. Desde pequeno quis ter o cabelo igual ao de outros meninos, porém não podia porque parecia que ele não aceitava outros tipos de corte. Por isso eu me senti obrigado a manter o cabelo bem curto”, nos conta Victor Queiroz, um dos participantes do Onda. “Com a campanha eu percebi que o cabelo crespo é lindo mas que o racismo nos impede de reconhecer, e é uma coisa que eu quero que todas as meninas saibam”, completa Márcia Mesquita, adolescente que também integra o projeto.

A partir de conversas, análises de músicas, poemas, documentários e dinâmicas, os encontros para a produção da campanha têm sido permeados por muito diálogo, estudo, reflexão e uso de ferramentas criativas. Para Diego Mendonça, um dos educomunicadores que estão participando do projeto, a campanha busca uma perspectiva de transformação da vivência cotidiana do racismo que faz parte da realidade dos adolescentes. “Minha expectativa é que eles saiam do processo transformados para que possam transformar a realidade concreta deles”.

Atualmente o Onda está em três escolas, localizadas no Itapoã, no Paranoá e na Unidade de Internação de Santa Maria. Os grupos de cada escola decidem sobre o que vai ser trabalhado pelo projeto. Adolescentes do CEF 5 do Paranoá, após passarem por processos de formação, realizaram uma pesquisa na cidade para verificar qual a percepção da comunidade sobre a violência sofrida por crianças e adolescentes.

Com a sistematização da pesquisa, os e as estudantes constataram um elevado número de adolescentes vítimas da violência letal na região. E não foi difícil associar este quadro ao genocídio dos jovens negros do país, um dos temas trabalhados nas oficinas. A constatação por eles e elas de que a naturalização do racismo invisibiliza a violência que ele produz, além dos dados levantados na pesquisa, motivou a produção da campanha para a valorização da cultura, história e beleza negra.

“Eu vejo com muito orgulho os meninos e as meninas se apropriando da consciência da identidade racial e aprendendo a identificar as manifestações de racismo no cotidiano. Assim como foi importante reconhecer o quanto a escola ainda não contempla a nossa história e omite os/as intelectuais negros/as e referências culturais dos conteúdos das aulas. É bonito vê-los/las alegres e orgulhosos/as de serem quem são, fortes e determinados/as a lutar por uma escola sem violência e sem racismo”, afirma Márcia Acioli, assessora política do INESC (Instituto de Estudos Socioeconômicos) e arte educadora do Projeto Onda.

Categoria: Notícia
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