Doe

“A concentração de renda no Brasil não tem rival no mundo”

29/08/2016, às 15:04 | Tempo estimado de leitura: 5 min
Seminário sobre transferência de renda para os ricos, organizado pelo site Plataforma Política Social e o jornal Le Monde Diplomatique Brasil, e realizado em São Paulo, revela os fatores que tornam o país paraíso dos ricos.

A revista Carta Capital publicou na semana passada uma ampla reportagem sobre seminário realizado em São Paulo para discutir a crescente transferência de renda aos mais ricos no Brasil, revelando os fatores e processos que tornam o país um dos maiores e desregulados paraísos de quem tem renda elevada.

Segundo os especialistas que participaram do seminário, são três as condições que tornam o Brasil o paraíso dos ricos: a alta taxa de juros, a isenção tributária sobre lucros e dividendos e as baixas alíquotas de impostos sobre aplicações financeiras, principalmente quando comparadas às alíquotas pagas por assalariados.

“A concentração de renda no Brasil não tem rival no mundo”, aponta Rodrigo Octávio Orair, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do International Policy Center for Inclusive Growth, da Organização das Nações Unidas. Para Grazielle David, assessora política do Inesc, que também participou do seminário, o problema está na receita, mas o discurso é muito focado na despesa.

Prejudicada pelas desonerações, a receita do governo cai também por causa da sonegação e da elisão fiscal, realizada com um planejamento tributário “extremamente agressivo e caro”, só acessível às grandes empresas, na maior parte multinacionais, destaca Grazielle. O fim da elisão fiscal representaria um potencial de aumento da arrecadação entre 0,8% e 2% do PIB, no cálculo de Orair.

Um trecho da reportagem:

Os principais tributos sonegados são o IPI, incidente sobre a indústria, e o Imposto de Renda. Um estudo do Sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional concluiu que 22,3% da arrecadação é sonegada, o equivalente, em 2015, a 454 bilhões de reais, ou 7,7% do PIB. Um valor quatro vezes superior ao déficit fiscal da União em 2015, de 111 bilhões. “O País sofreu no ano passado com um déficit fiscal apontado como a ruína das contas nacionais, quando havia um valor quatro vezes maior em tributos sonegados”, sublinhou a assessora do Inesc.

Os débitos de impostos não pagos no prazo são inscritos na dívida ativa da União, hoje em “incrível 1 trilhão e meio de reais, acima da arrecadação total brasileira em 2015, de 1,2 trilhão”. Segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, somente 1% da dívida ativa é resgatada a cada ano.

Além disso, há 252 bilhões que já transitaram em julgado, valor muito maior que o déficit fiscal do ano passado e o deste ano também. “Não tem mais como recorrer, é só ir lá e recolher.   Com tanto dinheiro a receber pelo governo, fica claro que a intenção não é fazer um concerto fiscal, mas mudar a sociedade e a Constituição, destruir as políticas públicas e o princípio de solidariedade e fraternidade”, concluiu Grazielle.

Leia aqui a reportagem completa.

Categoria: Notícia
Compartilhe

Conteúdo relacionado

  • Foto: José Cruz/Agência Brasil
    Orçamento secreto é controlado por pequeno...
    O orçamento secreto movimentou entre 2020 e outubro…
    leia mais
  • Perfil dos eleitos nas Eleições de 2022
    Pesquisa realizada pelo Inesc, em parceria com o…
    leia mais
  • Equipe do Inesc na COP 27: Iara Pietricovsky, Tatiana Oliveira, Leila Saraiva, Cássio Carvalho e Livi Gerbase.
    COP 27 – Apesar do pouco avanço glob...
    A 27ª edição da Conferência do Clima (COP…
    leia mais
  • COP 27: Brasil precisa fazer uma transição...
    Representantes do legislativo brasileiro, de sindicatos dos trabalhadores…
    leia mais
  • Estudo lançado na COP 27 revela que Brasil...
    O fomento aos combustíveis fósseis no Brasil alcançou…
    leia mais