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Sem reforma política, estamos perdidas!

Publicado em 01/09/2015 12:47

Artigo de Carmela Zigoni, assessora política do Inesc, sobre a desigualdade de gênero e raça na representatividade parlamentar brasileira, publicado na revista Novamerica (edição 147 jul-set 2015)

Em 2014, num cenário de muitas reivindicações políticas e em pleno processo eleitoral, o Instituto de Estudos Socioeconômicos monitorou as declarações sobre cor/raça enviadas pelos candidatos a cargos políticos ao Tribunal Superior Eleitoral, obtendo assim um perfil racial do parlamento brasileiro. Os resultados mostraram que, no Brasil, a falta de equidade e representatividade na política é alarmante. A sub-representação de negros, mulheres, jovens e indígenas deve se perpetuar pelos próximos quatro anos, mesmo tendo os partidos conseguido cumprir pela primeira vez, desde a criação da Lei 9.504/97, a cota de equidade de gênero - no entanto, esses candidatos não conseguiram se eleger.

Leia a íntegra da pesquisa do Inesc “Perfil dos Candidatos às Eleições 2014: sub-representação de negros, indígenas e mulheres: desafio à democracia”, que traz informações raça/cor, sexo, partidos políticos, Unidade de Federação e cargos de todos os candidatos das eleições de 2014 do Brasil.

Essa preponderância do homem branco no Congresso Nacional impermeabiliza os processos democráticos no país, afirma Carmela Zigoni, assessora política do Inesc, em artigo publicado na edição julho-setembro da revista Novamerica.

Segundo Carmela, o parlamento brasileiro é mais sexista do que o de países mais conservadores como o Irã ou Afeganistão. Por isso, se torna imprescendível uma reforma política ampla e democrática, para promover a inserção de negros, mulheres, jovens e indígenas no processo decisório parlamentar.

Não é de hoje que os movimentos sociais falam de reforma política. A aprovação do financiamento privado nas campanhas políticas e a derrota da emenda que garantiria 10% das vagas a cargos políticos para mulheres - ambas este ano - revela a necessidade urgente de reestruturação do sistema político brasileiro para promover a inclusão efetiva das mulheres na política, com paridade de sexo e igualdade racial. O país avançou pouco na representatividade e na sensibilidade para uma agenda feminista na política. "Precisamos de mulheres que sejam comprometidas com o viés dos direitos humanos, e de reforma política democrática", afirma Carmela Zigoni no artigo.

Leia a íntegra do artigo publicado na revista Novamerica.

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