45% do PIB jogados pelo ralo do rentismo
Publicado em 25/05/2010 10:39
O Brasil gastou R$ 1,4 trilhão com juros da dívida pública entre 2000 e 2009. O valor, segundo Lucídio Bicalho, assessor técnico do Instituto Nacional de Estudos Socioeconômicos (Inesc), equivale a 45% do Produto Interno Bruto (PIB) do país no ano passado.
A afirmação foi feita por Bicalho ao comentar a queda de 61,7% na mortalidade infantil nos últimos 20 anos. O Brasil, porém, ainda ocupa a 90ª posição entre 187 países pesquisados, de acordo com estudo publicado na última edição da revista médica The Lancet.
Para Bicalho, falta coordenação entre as políticas fiscal e monetária: "A política monetária contribui para que o grau de investimento seja baixo e acaba prejudicando a sociedade como um todo. Não conseguimos sair desse modelo no qual o consumo do governo e das famílias influi mais do que o investimento", criticou, lembrando que o investimento mais robusto favoreceria também às exportações. "A política fiscal que deveria, no mínimo, garantir infra-estrutura para aumentar a competitividade."
Segundo o pesquisador do Inesc, a política monetária (juros altos) tem contribuído para mudar o curso da política fiscal. "Ela inibe financiamentos e, consequentemente, o "espírito animal" dos empresários e os juros acabam incidindo sobre a maior parte de nossa dívida pública, que é reajustada pela taxa básica (Selic)", comentou.
Bicalho calcula que o aumento de um ponto percentual na Selic eleva a despesa com juros do governo em 0,04% do PIB: "Se parte disso fosse investido em infra-estrutura, estaríamos aumentando a possibilidade de crescer sem causar inflação", disse, lembrando que as ações que impactam diretamente o bem-estar da criança e do adolescente têm nível de execução de 85% no Orçamento, enquanto os juros são pagos regiamente.
"A Pnad 2008 mostra que o número de creches não atende nem a metade da população na primeira infância. Tudo isso impacta na mortalidade infantil", finalizou.
Fonte: Monitor Mercantil Digital























