Camargo Corrêa prepara expansão na África
Publicado em 16/06/2010 13:45
Grupo vai investir mais US$ 200 milhões na recém-adquirida
Cinac, de Moçambique, para mais que dobrar a produçãoDavid Friedlander
Depois de acertar a compra do controle de uma cimenteira em Moçambique
no último fim de semana, um negócio de cerca de US$ 30 milhões, a
Camargo Corrêa prepara o anúncio de outro investimento no país: vai
colocar mais US$ 200 milhões na nova empresa africana, a Cimentos de
Nacala (Cinac), para transformá-la numa operação muito maior.
O plano é ampliar a capacidade de produção da empresa de 350 mil para
750 mil toneladas por ano. A fábrica de Moçambique é uma planta de
moagem de cimento, que trabalha com matéria-prima importada. A intenção
da Camargo Corrêa é montar ao redor uma indústria completa, equipada com
fornos e silos, e ampliar e equipar o porto que abastece a empresa.
"Nossa aposta na África é muito forte", afirma José Édson Barros Franco,
presidente da empresa de cimento da Camargo Corrêa e um dos
estrategistas do grupo. "É um continente que cresce acima da média
mundial. Entre 2008 e 2013, estima-se que vai receber algo como US$ 350
bilhões em investimentos. Estar presente nessa região é uma questão
estratégica."
Quando o assunto é cimento, a Camargo está especialmente focada nos 15
países que formam o centro-sul do continente africano. Além da aquisição
do controle da Cimentos de Nacala, ela constrói uma outra planta em
Angola, e já andou negociando ou estudando a compra de empresas em
Zâmbia e na Tanzânia.
Exterior. Líder na Argentina, após a compra da Loma Negra, em 2005, e
maior acionista individual da portuguesa Cimpor (uma das dez maiores
fabricantes de cimento do mundo), a Camargo Corrêa está investindo forte
lá fora.
A participação na Cimpor, comprada no começo deste ano depois de uma
disputa ferrenha com outros dois grandes grupos brasileiros, a
Votorantim (que também comprou um pedaço da cimenteira portuguesa) e a
CSN (que fez uma oferta pelo controle da companhia, mas acabou ficando
sem nada) foi a manifestação mais expressiva dessa estratégia.
"Mas também não vamos deixar brechas abertas para os concorrentes aqui
no Brasil", afirma Barroso Franco. No momento, o grupo está revendo seu
plano de investimento para os próximos anos.
A Camargo tinha estimado que o consumo brasileiro de cimento aumentaria
de 51 milhões para 53 milhões de toneladas este ano, mas essa conta já
ficou velha. A nova projeção da companhia é de um consumo de 57 milhões
de toneladas de cimento vendidas no País este ano. "Vamos precisar
aumentar ainda mais nossa capacidade de produção. Estamos revendo tudo",
disse Barros Franco.
No momento, o grupo avalia a construção de novas plantas no Estado de
São Paulo (na Baixada Santista), no Pará, no Amazonas e em Estados do
Nordeste. Por ano, o grupo produz cerca de 11 milhões de toneladas de
cimento. Quer chegar aos 20 milhões rapidamente - sem contar a produção
da Cimpor, da qual é o maior acionista, mas não o único.
GLOBALIZAÇÃO
Argentina
A Camargo Corrêa iniciou seu processo de internacionalização da área de
cimentos em 2005, quando comprou, por mais de US$ 1 bilhão, a Loma
Negra, maior cimenteira argentina
Portugal
Neste ano, a Camargo aprofundou seu processo de internacionalização com
a compra de uma participação de 32% da Cimpor, uma das dez maiores
fabricantes de cimento do mundo. A empresa pagou cerca de 1,4 bilhão
pelas ações e tornou-se
a maior acionista do grupo português
África
A Camargo está presente no continente africano por meio da Cimpor,
constrói uma
fábrica de cimento em Angola e agora reforça sua presença com a compra
da empresa moçambicana Cinac























