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Você está aqui: Página Inicial Notícias Notícias Gerais 2009 Novembro BNDES ignora cobranças de Atingidos pelos projetos financiados pelo Banco
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BNDES ignora cobranças de Atingidos pelos projetos financiados pelo Banco

Publicado em 27/11/2009 15:41

Após ouvir relatos sobre os impactos sociais, ambientais e econômicos causados por projetos financiados pelo BNDES, o presidente do Banco, Luciano Coutinho, decepcionou representantes de populações atingidas pelas obras. Em reunião hoje (25) com representantes da Plataforma BNDES - fórum que congrega mais de 30 organizações, redes e movimentos sociais de todo o país -, Coutinho não se comprometeu a atender nenhuma das cobranças de responsabilidade sobre os impactos causados, e reafirmou que os mega-empreendimentos com altos passivos socioambientais continuam a ser a prioridade do Banco.

Coutinho também retrocedeu em relação a compromissos assumidos com a Plataforma BNDES em agosto de 2007, quando admitiu que o Banco precisava rever sua atuação, pelo menos no setor de papel e celulose. Na reunião de hoje, o presidente do BNDES afirmou apenas que reitera o compromisso de "levar a sério o documento apresentado pela Plataforma BNDES".

Depois de três dias de debates e relatos contundentes de gravíssimos problemas causados por empreendimentos dos setores de mineração, papel e celulose, sucroalcooleiro, pecuária e pelas hidrelétricas, os cerca de 150 participantes do I Encontro Sul-Americano de Populações Afetadas por Projetos Financiados pelo BNDES, realizado no Rio de Janeiro nos dia 23 a 25 de novembro, demandam que o Banco assuma a responsabilidade pelos impactos que financia e deixe de ser um vetor de injustiça e desigualdade social.

Segue anexo o documento entregue ao presidente do BNDES na reunião de hoje.


Plataforma BNDES

Amigos da Terra
Amazônia Brasileira
Associação de Funcionários do BNB
ATTAC Brasil
Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)
Cresol – Sistema de Cooperativas de Crédito Rural com Integração Solidária
Esplar Centro de Pesquisa e Assessoria
Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase)
Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS)
Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES)
Fórum Nacional de Segurança Alimentar Fórum Popular e Independente do Madeira
Frente Nacional do Saneamento Ambiental (FNSA)
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE)
Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC)
Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS)
Rede Alerta contra o Deserto Verde
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais
Rede Brasileira de Justiça Ambiental
Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip)
Repórter Brasil

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Assessoria de imprensa:
Evanize Sydow – (21) 7699-3665

Ações do documento

Comentários (1)

Usuário Anônimo 01/12/2009 12:24
CARTA DOS ATINGIDOS PELO BNDES

Somos indígenas, quilombolas, camponeses, ribeirinhos, pescadores, trabalhadoras e trabalhadores do Brasil, Equador e Bolívia, reunidos no I Encontro Sul-Americano de Populações Impactadas por Projetos financiados pelo BNDES.

Somos, todas e todos, atingidos por estes projetos, sobre os quais nunca fomos consultados e que são apresentados para nós como empreendimentos que irão trazer progresso e desenvolvimento para o Brasil e para América do Sul. São projetos financiados pelo BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, voltados para o monocultivo de cana de açúcar e eucalipto, para a produção insustentável de carne, para a exploração de minério, para a construção de fábricas de celulose, usinas de produção de agroenergia, siderúrgicas, hidrelétricas e obras de infraestrutura, como portos, ferrovias, rodovias, gasodutos e mineriodutos. Estes têm afetado direta e profundamente nossas vidas, em especial das mulheres, nos expulsam das nossas terras, destroem e contaminam nossas riqueza s, que são os rios, florestas, o ar e o mar, dos quais dependemos para viver, afetam nossa saúde e ampliam de forma permanente a exploração sobre os povos de nossos países.

Os investimentos crescentes do BNDES, que apenas em 2009 podem ultrapassar os R$ 160 bilhões de reais, utilizando recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do Tesouro Nacional, estão servindo para aumentar os lucros de um grupo reduzido de algumas dezenas de grandes empresas de capital nacional e internacional. Enquanto isso, a apropriação por parte dessas empresas dos nossos territórios, da água, das florestas e da biodiversidade ameaça não só a segurança alimentar das nossas comunidades, mas também a soberania alimentar, mineral e energética dos nossos países. Dessa forma, os financiamentos promovem uma integração da América do Sul que se baseia em uma forte concentração do capital, no controle e na privatização de territórios de uso comum e na exportaç&atild e;o dos bens naturais do nosso continente.

Por diversas vezes, buscamos as autoridades para protestar contra o financiamento do BNDES a estes projetos, mas nossos argumentos são invariavelmente desconsiderados. Na verdade, o que constatamos é o comprometimento da grande maioria do Executivo, Legislativo e Judiciário com a defesa destes projetos, que promovem a constante violação dos nossos direitos. Enfrentamos cada vez mais dificuldades para a demarcação de nossas terras indígenas e quilombolas, a realização da reforma agrária e a obtenção de empregos com garantia de direitos, no campo e nas cidades. Denunciamos a verdadeira ofensiva de ameaças, perseguição e criminalização que estamos sofrendo, que já custou a vida de inúmeros companheiros e companheiras na luta pela defesa do nosso território, dos nossos rios, mares e matas.

Nossa troca de experiência explicita que há um bloco, formado por grandes empresas multinacionais, o Estado e os grandes meios de comunicação, que cria, promove e se beneficia dos projetos que o BNDES financia. O principal argumento do BNDES para justificar estes financiamentos - a geração de empregos – é falso. Os projetos financiados destroem milhares de formas de trabalho nas comunidades impactadas e os empregos criados pelos financiamentos, além de insuficientes, aumentam a superexploração do trabalho, o que inclui muitas vezes a prática do trabalho escravo. As grandes obras de infraestrutura e a reestruturação dos processos produtivos, que automatizam e terceirizam a produção, afetam ainda mais os trabalhadores e as trabalhadoras. O resultado é um grande contingente de desempregados e lesionados, com direi tos cada vez mais reduzidos.

Nossa luta é pela vida e contra a morte que os projetos do BNDES têm promovido através dos seus financiamentos. Lutamos por uma inversão da lógica de acumulação capitalista e do lucro, causadora da crise ambiental, climática, econômica e social que vivemos, de modo a garantir o respeito à dignidade e à diversidade dos modos de vida das populações sul-americanas.


Perante essa situação, nos comprometemos a:

- Prosseguir em nossa luta em defesa da nossa terra, ar e água, certos de que esta será a principal ferramenta para resistirmos aos projetos financiados pelo BNDES.
- Socializar com nossas comunidades e movimentos e com todo o povo dos nossos países todas as informações e denúncias relatadas neste encontro e incentivar o trabalho de formação nas nossas regiões no Brasil e na América do Sul sobre o papel do BNDES e dos governos que promovem o atual modelo, chamado de desenvolvimento, mas a serviço da acumulação de lucros de grandes empresas multinacionais.
- Articular e fortalecer cada vez mais nossas lutas contra os projetos de barragens, monoculturas, celulose, agrocombustíveis, agropecuária, mineração, infraestrutura e siderurgia, buscando fortalecer nossa resistência.
- Exigir do BNDES critérios socioambientais transparentes que não se restrinjam à legislação ambiental e ao ‘ambientalismo de mercado’, incorporando critérios de equidade que respeitem a diversidade dos modos de vida e de produção já existentes nos territórios. Além disso, exigimos o respeito aos direitos humanos e a aplicação com rigor de todos os tratados e convenções ratificados por nossos países.
- Denunciar as graves conseqüências destes projetos sobre os povos indígenas nos nossos países, apoiar e incentivar as suas lutas contra os projetos que destroem seus territórios, bem como exigir a imediata demarcação e desintrusão das terras indígenas.
- Fiscalizar as irregularidades das empresas financiadas pelo BNDES.
- Exigir do BNDES transparência e acesso irrestrito ao conjunto das informações dos financiamentos.
- Responsabilizar o BNDES e os governos pelos prejuízos causados pelos projetos que o Banco financia e exigir a suspensão do financiamento a empresas que violam direitos, degradam o meio ambiente e as condições de trabalho.
- Fortalecer nossa luta por um projeto popular que possa gerar perspectivas para todos, e principalmente para a juventude, para que não abandonem nossos territórios ameaçados pelos projetos financiados pelo BNDES.
- Lutar, em nossos países, por uma forte integração dos povos, pela economia solidária, pelo respeito aos nossos direitos, pela garantia da nossa soberania, pelo bem-estar das comunidades e pela integridade dos nossos territórios.
- Exigimos que o BNDES seja um instrumento para fortalecer este novo projeto de sociedade.

Rio de Janeiro, 25 de novembro de 2009

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