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Guerra em Gaza

Publicado em 08/01/2009 11:27

Desde o dia 27 de dezembro de 2008, em resposta ao lançamento de foguetes sobre o seu território, Israel comanda uma grande ofensiva militar contra o grupo palestino Hamas. Os ataques acontecem na Faixa de Gaza, situada no Oriente Médio. Até o último dia 7, o conflito já havia deixado mais de 700 palestinos e 11 israelenses mortos. A situação no Oriente Médio, temerosamente, caminha para o acirramento, ainda maior, do conflito e do ódio histórico entre palestinos e judeus. A escalada de violência, a irracionalidade e o massacre a que estamos assistindo nos deixam perplexos e indignados. O INESC lança nota pública em defesa de um cessar-fogo imediato de ambos os lados.

NOTA PÚBLICA SOBRE A GUERRA EM GAZA

O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc)

A situação no Oriente Médio, temerosamente, caminha para o acirramento, ainda maior, do conflito e do ódio histórico entre palestinos e judeus. A escalada de violência, a irracionalidade e o massacre a que estamos assistindo nos deixam perplexos e indignados.

Armou-se um triângulo de horror. De um lado, há a brutalidade do governo de Israel. De outro, constatam-se a divisão, a desconsideração e a ambigüidade do mundo árabe frente ao povo palestino. Por fim, vê-se a omissão das grandes potências em relação ao povo palestino, no sentido de promover medidas emergenciais, a segurança da sua população civil e a instalação de um diálogo diplomático que busca a resolução do conflito.

Aliás, a omissão das potências mundiais se estende, igualmente, a outros atos de barbárie que ocorrem no mundo, com milhares de homens, mulheres e crianças assassinados (estima-se cerca de 400.000), torturados, estuprados esquartejados, além da desterritorialização de milhões de pessoas de seus lares, como é o caso de Darfur, no Sudão.

O ato militar do governo Israelense é desproporcional e reflete uma intolerância inaceitável. Por outro lado, a brutalidade das estratégias de guerrilha – patrocinadas pelo Hamas – atua de forma violenta e agressiva contra a população israelense. O fato de o Hamas, a despeito de sua institucionalidade, não reconhecer o direito de existência do Estado de Israel só expressa sua intolerância – combustível ideológico para a guerra. O Estado de Israel é, há muito, uma realidade concreta e incontestável. O fato é que vidas estão sendo ceifadas de ambos os lados.

A expressão da violência nesta guerra tem como marca a morte de centenas de civis, em especial de mulheres, crianças e idosos em seus espaços cotidianos atentando contra o direito fundamental à vida e fomentando a cultura do ódio.

Em tal contexto, a única saída aceitável é a da diplomacia. É fundamental que se promova um cessar-fogo imediato de ambas as partes; que se forme uma missão observadora internacional humanitária e de paz; que se convoque uma conferência multilateral de paz pelas Organizações das Nações Unidas (ONU); que se garanta o controle das fronteiras entre Gaza e Egito por forças internacionais; e, por fim, que haja a garantia da estrita observação dos tratados humanitários e de todos os outros existentes. As negociações de paz devem caminhar para o reconhecimento da existência de Israel e a definição das fronteiras do Estado Palestino.

O Inesc está ciente da profundidade e dos riscos do conflito, assim como da responsabilidade de todos e todas para resolução do problema. Acreditamos que a solução depende de uma verdadeira e enérgica ação de pacificação. A região necessita de uma injeção de democracia e radicalização dos direitos humanos em todas as suas dimensões. Caso contrário, estaremos sendo espectadores de mais uma indignante e criminosa guerra contra a humanidade e o Planeta Terra.

 

O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) é uma organização brasileira não-governamental, fundada em 1979, sem fins lucrativos, não-partidária e com finalidade pública. A missão do Inesc é "contribuir para o aprimoramento da democracia direta, representativa e participativa, visando à garantia dos direitos humanos, mediante a articulação e o fortalecimento da sociedade civil para influenciar os espaços de governança nacional e internacional".

 

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