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Mistura de tribos cria “nação FSM”

Publicado em 30/01/2009 12:11

"De madrugada a gente acorda com uns sons diferentes. São grupos venezuelanos, colombianos, que começam a tocar e vão unindo os sons de seus instrumentos, juntando pessoas de todos os lugares. No final você ouve música indiana, misturada com carimbó paraense e um pitada de samba carioca”.

Diário do Pará - Sexta-Feira, 30/01/2009

BELÉM (PA) - Promover a paz entre os povos, salvar a Amazônia, protestar contra a exploração do homem pelo capital, demarcar as terras indígenas. Entre tantas bandeiras de luta universais, o Fórum Social Mundial também tem espaço garantido para a diversão. Além da gigantesca programação cultural, os participantes do evento também aproveitam a estadia para curtir a capital paraense. Ou vai dizer que você ainda não reparou nas mais diversas tribos que estão circulando por Belém esta semana?

Ontem à tarde, por exemplo, sol a pino antes da tradicional chuva das três da tarde, um grupo de meninas caminhava pela calçada do Bosque Rodrigues Alves com biquíni e saída-de-praia, atraindo os olhares dos curiosos. O acampamento montado na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) é o grande point do FSM. É lá que está a turma mais alternativa do evento, numa espécie de caos organizado onde a diversão - por que não? - também é palavra de ordem. 

Quem visita os espaços do FSM nas duas universidades percebe uma nítida diferença: na UFPA, a movimentação está ligada aos participantes de fóruns e discussões, representantes de movimentos políticos e sociais. Já na Ufra, o clima hippie predomina, graças às caravanas que cruzaram o país e o continente, formando uma espécie de nação idealizada pelo Fórum. O grupo de estrangeiros Segma (Etiópia), Natalie (Canadá) e Samuel (Índia) fala sobre as danças que viu em Belém. “Gostamos muito da dança regional (carimbó). Vimos uma apresentação numa praça e gostaríamos de ver outra, mas não sabemos onde”, diz Segman, mostrando seu mapa de bolso.

É que além dos debates fervorosos sobre questões importantes para o mundo, os participantes do FSM reclamam da falta de informação sobre a programação cultural. A advogada Ruana Sampaio reclama do atraso nas programações da UFPA. “Ontem (quarta–feira) as atividades nos palcos atrasaram muito. A gente espera tanto nesse calor que acaba desistindo”.

Para driblar o calor e a distância entre os dois campis é preciso energia extra. “Ficamos aqui pela parte da manhã; à tarde, a gente acaba cansando e não volta para ficar até a noite. São muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo”, dizem os estudantes Marcos Wilke, Dayana Oliveira e Antônia Doraci. O estudante Ricardo Foncesca fala de uma “programação paralela” inventada pelo “povo do acampamento” na Ufra.

“De madrugada a gente acorda com uns sons diferentes. São grupos venezuelanos, colombianos, que começam a tocar e vão unindo os sons de seus instrumentos, juntando pessoas de todos os lugares. No final você ouve música indiana, misturada com carimbó paraense e um pitada de samba carioca”. (Diário do Pará)  

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