Paralisado, Mercosul faz 38º cúpula
Publicado em 07/12/2009 14:55
Esse quadro será inevitavelmente escancarado amanhã, em Montevidéu, quando os presidentes dos quatro países se reunirem na 38ª Cúpula do Mercosul.
Do lado brasileiro há certa resignação em relação à pauta modesta do Mercosul em 2009. "Nada do que venha a ser acertado em Montevidéu será digno de nota", afirmou ao Estado uma autoridade do governo brasileiro que acompanha as decisões do bloco. Por si, essa estagnação indica a redução da prioridade ao Mercosul na política externa de seus sócios que, contraditoriamente, ainda almejam a inclusão da Venezuela - tópico que ainda está dependente da decisão do Senado brasileiro e do Congresso paraguaio.
Em dezembro de 2008, quando o Brasil presidiu o bloco, foi alcançado, em nível técnico, um acordo sobre a eliminação da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC) e outro que definia um código aduaneiro único para o Mercosul. Na ocasião, também foi fechado o critério proporcional de representação dos quatro países no Parlamento do Mercosul. Todas essas iniciativas acabaram por terra com a recusa do Paraguai em firmá-las. Assunção ainda insistia na criação de um Tribunal de Justiça.
RECUO
Castigados pela crise global de forma mais intensa que o Brasil, os três sócios recuaram em várias discussões. A Argentina optou pelo protecionismo. A iniciativa foi rebatida com medidas semelhantes aplicadas pelo Brasil para restringir o ingresso de produtos argentinos. Na tentativa mais recente de contornar esse imbróglio, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, da Argentina, concordaram em avisar o país vizinho antes da adoção de novas medidas. Na semana seguinte, Buenos Aires incluiu os brinquedos brasileiros na lista, sem alerta prévio.
A guerra no Prata, em torno da instalação de uma fábrica de celulose no Uruguai, arrasta-se há três anos, acabou nas barras da Corte Internacional de Justiça, em Haia, e continua a respingar nas decisões do bloco. A controvérsia levou a Argentina a boicotar o financiamento do Fundo Estrutural de Convergência do Mercosul (Focem) ao projeto de conexão elétrica entre San Carlos, no Uruguai, e Candiota, no Brasil.
A reunião de cúpula será marcada ainda pela discussão sobre o que fazer com o cargo de presidente da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul - hoje ocupado pelo argentino Carlos "Chacho" Álvarez e que foi criado em 2003 para acomodar outro político do mesmo país, o ex-presidente Eduardo Duhalde. Como o mandato de Chacho termina em dezembro, o Brasil propõe que o cargo seja extinto e que a comissão seja liderada pelo país que ocupa, a cada semestre, a presidência temporária do Mercosul. A ideia, entretanto, gera mais uma controvérsia no bloco.
As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.























