Mesmo com crise internacional, PIB cresce mais que 5%
Publicado em 30/09/2008 14:50
Cai o preço dos alimentos de primeira necessidade (feijão, arroz, leite, frango) independentemente da taxa de juros. É o que mostra a quarta Carta de Conjuntura do Ipea, divulgada hoje, no Rio de Janeiro. "As pessoas não deixam de se alimentar porque a taxa de juros sobe, por isso ela influencia pouco no preço dos alimentos, principalmente os de primeira necessidade", explica a pesquisadora do Ipea, Maria Andréia Parente, especialista em Inflação. De acordo com ela, os preços dos produtos alimentícios declinaram devido à comercialização de novas safras e à volta do trigo importado da Argentina desde junho.
"Coube ao grupo alimentação, até então o principal vilão inflacionário do ano, o papel de agente controlador do índice de preços", diz a Carta. Por este motivo, depois de encerrar o primeiro semestre do ano com uma variação mensal média de 0,60%, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) reduziu seu ritmo de crescimento. Em agosto, o IPCA registrou 0,28%, pela primeira vez em 2008 uma taxa inferior à do mesmo mês do ano anterior. Com este resultado, a curva de inflação acumulada em 12 meses, que em julho atingiu quase 6,4%, recuou para 6,2%. A inflação acumulada em 2008 é de 4,48%.
Veja no gráfico abaixo o IPCA.

PIB cresce mais que 5%
O resultado final do ano para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deve se situar próximo ao teto da previsão do Ipea, de 5,2%, divulgado em março. "Se não fosse a queda da demanda externa em 2%, o PIB cresceria em ritmo quase chinês" afirma Marcelo Nonnenberg, um dos coordenadores da Carta de Conjuntura. O PIB apresentou crescimento de 6,1% no segundo trimestre de 2008, quando comparado com igual período do ano anterior, e há oito trimestres consecutivos cresce a taxas superiores a 4%.
O consumo das famílias cresceu 6,7% no segundo trimestre, comparado ao do ano anterior, ao mesmo tempo que o investimento aumenta 16,2%. O mercado de trabalho também revela excelente desempenho em 2008, com grau de formalização do trabalho de 56% nas regiões metropolitanas na média do ano e a massa salarial cresceu, no acumulado do ano, em termos reais, 6,5%, resultado de um crescimento de 2,4% nos rendimentos reais e elevação de 4% da população ocupada.























