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Expectativa de vida do brasileiro cresce mais de três anos na última década

Publicado em 24/09/2008 11:24

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A expectativa de vida do brasileiro ao nascer cresceu mais de três anos na última década e passou de 69,3 anos, em 1997, para 72,7 anos, em 2007. As mulheres ainda vivem mais tempo: em média 76,5 anos, contra os 69 anos vividos pelos homens. Os dados constam da Síntese de Indicadores Sociais 2008, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (24).

A maior taxa de mortalidade masculina é responsável, em parte, pela chamada "razão de sexo" brasileira. Existem 95,3 homens para cada 100 mulheres, sendo que em Recife (87,8/100), Rio de Janeiro (88,5/100) e Belém (89,1/100) a diferença é ainda maior. Veja na tabela:




Segundo Fernando Albuquerque, gerente do projeto Componentes da Dinâmica Demográfica do IBGE, a maior mortalidade dos homens é percebida desde o momento do nascimento, quando são registrados mais óbitos de bebês do sexo masculino. "Existe uma predisposição genética, mas a taxas aumentam com os números de óbitos relacionados a causas violentas, como acidentes de trânsito e homicídios", explica.

Entre as grandes regiões do Brasil, o melhor índice de esperança de vida está no Sul (74,7 anos) e o pior, no Nordeste (69,7 anos). Santa Catarina (75,3 anos) e Distrito Federal (75,3 anos) se destacam por serem os lugares onde há maior longevidade. Já Alagoas (66,8 anos) e Maranhão (67,6 anos), pelas piores médias.

% da população total

  • Taxa bruta de natalidade...................16,70
  • Taxa bruta de mortalidade...................6,23
  • Taxa de mortalidade infantil...............24,32



A melhora na expectativa de vida e a queda na mortalidade da população - de 6,6 por mil (‰) para 6,23‰ em dez anos - foram responsáveis por um aumento considerável no número de idosos no Brasil. Hoje, os maiores de 60 anos representam 10,5% dos brasileiros e somam quase 20 milhões de pessoas.

Na última década, o aumento foi de 47,8%, sendo que o crescimento total da população brasileira no período foi bem menor: 21,6%. Se considerarmos apenas os com mais de 80 anos, que representam 1,4% da população e somam 2,6 milhões de pessoas, o aumento foi ainda mais relevante: 86,1%.

O número de jovens com até 14 anos, por sua vez, caiu de 30,8% para 25,4% na comparação 1997-2007. Já os menores de um ano passaram a ser 1,4% da população e se concentraram principalmente na região Nordeste, onde é maior o nível de fecundidade (número médio de filhos que uma mulher teria ao final do período fértil). A taxa de fecundidade também diminuiu e foi de 2,54 para 1,95 filho no mesmo período.

Fecundidade (nº de filhos)

  • Brasil.....................................................1,95
  • Norte.....................................................2,60
  • Nordeste...............................................2,29
  • Sudeste................................................1,62
  • Sul........................................................1,78
  • Centro-Oeste........................................2,01



"Em 1960, uma mulher teria em média seis filhos. Hoje, a taxa brasileira de fecundidade já está abaixo do nível de reposição da população (há mais pessoas morrendo do que nascendo). Por enquanto ainda não é um problema, mas daqui a 30 ou 40 anos o efeito já será sentido", aponta Albuquerque.

É visível a mudança no perfil da população brasileira. A participação da terceira idade na sociedade é cada vez maior, o número de nascimentos é cada vez menor e mesmo que a mortalidade infantil ainda seja alta se comparada a outros países emergentes, como a Rússia (onde o índice está entre 14‰ e 19‰), a taxa caiu de 35,2‰ para 24,3‰ da população em dez anos.

A população brasileira está envelhecendo. "A base da pirâmide demográfica (formada pelas crianças) está diminuindo e os mais velhos representam uma maior proporção do todo. Isso significa que o Brasil ainda possui uma pirâmide triangular, mas se já aproxima dos países desenvolvidos, que possuem uma pirâmide cilíndrica", explica o especialista.




Ele atribui o avanço aos tratamentos para doenças como o câncer e as cardíacas, que contribuem para a queda da mortalidade bruta da população, assim como aos programas de saúde pública e à melhora nas condições de habitação e saneamento, que resultam em índices positivos de mortalidade infantil e materna. "O aumento do acompanhamento pré-natal, a urbanização, o cuidado com a criança e o idoso, a vacinação eficaz, tudo isso faz com que a população ganhe mais tempo de vida", ressalta.

Comparação com outros países emergentes
Na Rússia, os homens vivem em média 13,6 anos menos do que a mulheres. Lá, a estrutura etária é mais envelhecida e os maiores de 65 anos correspondem a 13,2% da população. Existem 86,1 homens para cada 100 mulheres. A taxa de mortalidade é de 16,2‰ e a natalidade, 10,7‰, níveis parecidos com os verificados em países da Europa Ocidental. A taxa de mortalidade infantil também é a menor entre os emergentes.



Índia e África do Sul apresentam pirâmides demográficas predominantemente jovens. Nesses países, os indicadores são mais desfavoráveis: as crianças correspondem a 31,8% dos indianos e 31,7% dos sulafricanos. Já os mais velhos são 5,2% e 4,6% respectivamente. No entanto, a expectativa de vida na África do Sul (49,3 anos) é 15,4 anos menor que a observada na Índia. Na Índia, existem 107,3 homens para cada 100 mulheres, enquanto na África do Sul a razão de sexo é 96,9 homens para cada 100 mulheres.

A China tem a maior expectativa de vida entre os países comparados: 73 anos para ambos os sexos. O país chama a atenção pela taxa de mortalidade infantil feminina (quase 10 mortes por mil habitantes) maior que a masculina, fruto de uma política pública que obriga as famílias a terem um único filho, existindo uma preferência por bebês do sexo masculino, especialmente na zona rural, onde vive 80% da população. Existem, portanto, 106,8 homens em média para cada 100 mulheres.

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