População brasileira chegará a 204,3 milhões em 2030
Publicado em 09/10/2008 12:10
O terceiro volume da série "Pnad - 2007: Primeiras análises", divulgado na terça-feira (07/10), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que a população brasileira atingirá, em 2030, um contingente de aproximadamente 204,3 milhões de pessoas.
Segundo a coordenadora do Grupo Técnico de População e Cidadania do Ipea, Ana Amélia Camarano , "é esperado ainda que, em 2035, a taxa seja menor, atingindo 200,1 milhões". Ela explicou também que a mudança mais importante ocorrida nos últimos anos foi o envelhecimento populacional. "Em 1992, a população menor de 15 anos era responsável por 33,8% da população total, já em 2007 passou a constituir apenas 25,2%".
Camarano revelou que o grupo populacional que mais cresce, desde o ano 2000, é aquele formado por pessoas maiores de 30 anos. "Já é uma estrutura super envelhecida, parecida com o Japão de hoje", apontou. Ela ressaltou que a população idosa, que respondia por 7,9% da população brasileira, aumentou para 10,6%. E que o número de pessoas em idade ativa também aumentou a sua participação, tendo passado de 58,3% para 64,2%.
A coordenadora destacou ainda o aumento da proporção de famílias chefiadas por mulheres. "Em 1992, as mulheres colaboravam com 30,1% da renda, já em 2007, a participação saltou para 39,8%", declarou. O fato, segundo ela, deve-se ao aumento da participação feminina no mercado de trabalho, já que as mulheres também passaram a contribuir mais na renda familiar.
Fecundidade
De acordo com a coordenadora, a taxa de fecundidade continua caindo. A média, em 2007, era de 1,8 filho/mulher - o que implica na desaceleração do ritmo de crescimento da população brasileira. Na década de 60, a média era de seis filhos. Para Camarano, isso provocará uma diminuição da população a partir de 2030, apresentando uma taxa de envelhecimento semelhante à de países da Europa Ocidental, Rússia e Japão.
Ela ressaltou que a maior taxa de filhos por mulher foi identificada na região Norte, 2,4 filhos/mulher, resultado diferente do de 1992, quando o maior índice era de 3,4, registrado pela região Nordeste. Já a região Sudeste registrou, em 2007, a menor taxa de fecundidade, 1,7 filho, muito próximo ao valor observado para a região Sul.
De acordo com a análise, em 1992, uma mulher nordestina tinha 1,2 filho a mais que uma residente na região Sudeste. Este diferencial caiu para 0,5 filho em 2007. Já o diferencial entre as mulheres nortistas e as do Sudeste foi de 0,7.
A queda da fecundidade ocorreu em todos os grupos de idades, mas foi menos intensa entre as mulheres de 15 a 19 anos. "Na verdade, a tendência foi de aumento até o final da década passada. Desde 2000, esse processo foi revertido. Em 1992, para cada mil adolescentes, havia 91 filhos nascidos vivos. Em 2007, esta taxa se reduziu a 70 filhos por mil jovens", completou a pesquisadora.
Afazeres domésticos: desigualdades entre homens e mulheres
Segundo a coordenadora da área de Igualdade de Gênero do Ipea, Natália Fontoura, o tempo que as mulheres dedicam aos afazeres domésticos é significativamente maior do que aquele dedicado pelos homens, independentemente da condição na família (chefe ou cônjuge), da escolaridade, da renda ou da condição de ocupação (ocupado, desocupado ou inativo). Fontoura salientou que, em 2007, 50,5% dos homens ocupados cuidavam de afazeres domésticos, contrapostos a 89,6% das mulheres ocupadas.
"Tomando-se como foco as famílias formadas por casais com filhos, observa-se que os homens, que nessas famílias estão na posição de chefe, dedicam 10,05 horas semanais aos afazeres domésticos. Poderia se esperar que os homens na posição de cônjuge ocupassem mais tempo da sua semana nessas atividades: de fato ocupam, mas na média não ultrapassa 10,44 horas semanais".
De acordo com a pesquisadora, comparando as mulheres chefes ocupadas com os homens cônjuges desocupados, os dados confirmam a desigualdade. "As primeiras dedicam em média 9 horas a mais por semana aos afazeres domésticos, mesmo trabalhando fora de casa e sendo identificadas como responsáveis pela família, do que os últimos, mesmo desempregados", advertiu.
A coordenadora disse ainda ser possível supor que uma parte significativa do tempo dedicado aos afazeres domésticos seja relativa ao cuidado dos filhos. E completou: "os dados permitem inferir, ainda, que, mais uma vez, são as mulheres que respondem majoritariamente por essa tarefa. Apesar de a Pnad não levantar essa informação, ao se contraporem as médias de horas semanais gastas com afazeres domésticos pelas mulheres brasileiras em geral e pelas mulheres que integram famílias do tipo 'casal com filhos', percebemos que nestas o tempo dedicado às tarefas domésticas é sempre maior".
Estes dados fazem parte do terceiro volume da série "Pnad - 2007: Primeiras análises", que trata sobre demografia e gênero. O segundo da série abordou mercado de trabalho, trabalho infantil e Previdência; e o primeiro, pobreza, desigualdade e a nova estratificação social.
Atenção à próxima data de divulgação da Pnad - 2007:
- Dia 14/10: Saneamento Básico e Habitação; Juventude; Raça e Educação.























