Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

Ferramentas Pessoais
Seções
Você está aqui: Página Inicial Notícias Notícias Gerais 2008 Novembro Reféns do Abandono
Você está aqui: Página Inicial Notícias Notícias Gerais 2008 Novembro Reféns do Abandono

Reféns do Abandono

Publicado em 13/11/2008 11:34

Análise feita pelo Inesc subsidia reportagem do Correio Braziliense sobre a gestão do programa “Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. Em 2008, governo federal executou somente 65,9% do previsto até 10 de novembro. A perspectiva também não é nada boa para 2009. Os créditos orçamentários do programa “Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes’” serão menores em 8% se comparados ao valor inicial de 2008, já corrigidos pela inflação. Confira a reportagem na íntegra.
Reféns do Abandono

www.brasilcontrapedofilia.org.br

 

Correio Braziliense,

Brasília, quinta-feira, 13 de novembro de 2008

VIOLÊNCIA SEXUAL

Infância sem recursos

A menos de dois meses para o fim do ano, programa criado para proteger crianças e adolescentes teve apenas 65,9% da verba executados. Das nove ações planejadas, só duas gastaram mais de 30% do total disponível

Érica Montenegro e Helena Mader

Da equipe do Correio

 

Enquanto as vítimas de violência sexual sofrem, o dinheiro reservado para de atendê-las permanece guardado. A menos de dois meses do fim do ano, o poder executivo gastou apenas 65,9% do total previsto para o Programa de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Das nove ações criadas para atender as vítimas e prevenir e enfrentar essa forma de violência, apenas duas conseguiram executar mais de 30% do orçamento previsto. Na edição de ontem, o Correio publicou o caderno “Reféns do abandono”, que detalhou as falhas do atendimento a meninas e meninos que viveram situações de abuso e exploração sexual.

 

O programa nacional criado para combater esse tipo de violência prevê ações integradas entre as áreas de saúde, educação e assistência social. Essa articulação, porém, ainda é problemática. “Os três principais ministérios envolvidos no assunto estão preparando uma portaria para construir um modelo de políticas que cheguem aos estados e municípios. Mas ainda estamos traçando um diagnóstico para saber as responsabilidades de cada um”, reconhece a subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Oliveira.

 

A dificuldade fica clara nos gastos dos recursos. A ação de apoio educacional a crianças em situação de vulnerabilidade, por exemplo, executou, até a segunda-feira passada, apenas 0,8% do montante previsto. O apoio financeiro a projetos inovadores de enfrentamento à violência sexual — que serviria para bancar iniciativas encampadas pela sociedade civil — usou apenas 21,7% dos recursos disponibilizados no início do ano. “O Estado precisa ser mais eficiente para firmar parcerias com os estados, municípios e sociedade civil”, aponta Lucídio Bicalho, analista do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). Segundo ele, muitas vezes o dinheiro não é gasto porque os gestores municipais não sabem que ele existe ou não conseguem cumprir as exigências feitas pelo governo.

 

Levantamento feito pelo Inesc mostra que, no ano que vem, o programa de combate à violência sexual terá ainda menos recursos para aplicar. “O projeto de lei enviado ao Congresso Nacional pelo governo prevê um corte de 8%, se aplicarmos a correção do IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado)”, explica Bicalho. Os R$ 75 milhões que o governo se propôs a gastar no orçamento deste ano equivaleriam hoje a R$ 86,1 milhões, depois de aplicado o índice de correção. No entanto, o plano de gastos do programa para 2009 é de R$ 79 milhões.

 

 Repercussão

 

O caderno “Reféns do Abandono” mereceu pronunciamento no Senado feito por Cristovam Buarque (PDT-DF). “Os reféns do abandono são aqueles que carregam aquela marca sem nenhuma proteção. Essa matéria merece ser lida por todos neste país, especialmente por aqueles que, como nós, somos dirigentes desta nação”, afirmou o senador. No discurso, ele defendeu a criação da Agência Nacional para a Proteção da Criança e do Adolescente, órgão que teria a missão exclusiva de criar e fiscalizar políticas públicas para a população com menos de 18 anos. A senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) afirmou que o tratamento às vítimas de violência sexual é desumano. “Elas vivem outras tragédias depois da violência”, afirmou. Para ela, o orçamento reflete este descaso. “Todo ano, o governo passa a tesoura na área da infância e juventude.”

 


"O Estado precisa ser mais eficiente para firmar parcerias com os estados, municípios e sociedade civil"

Lucídio Bicalho, analista do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc)


 

Leia também o caderno especial "Reféns do Abandono", do Correio Braziliense de  12 de novembro

 

Ações do documento

Comentários (0)

Apoio Institucional
  • apoio20.png
  • apoio19.png
  • apoio18.png
  • apoio17.png
  • apoio15.png
  • apoio14.png
  • apoio13.png
  • apoio12.png
  • apoio11.png
  • apoio10.png
  • apoio9.png
  • apoio8.png
  • apoio7.png
  • apoio6.png
  • apoio5.png
  • apoio4.png
  • apoio3.png
  • apoio2.png
  • apoio1.png