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ONGs: Condições em Gaza 'são as piores em 40 anos'

Publicado em 06/03/2008 14:58

BBC Brasil

A situação humanitária na Faixa de Gaza é a mais sombria desde que Israel ocupou o território em 1967, de acordo com organizações de direitos humanos e desenvolvimento sediadas na Grã-Bretanha.

Entidades que incluem a Anistia Internacional, Save the Children, Cafod, Care International e Christian Aid, consideraram o bloqueio à Faixa de Gaza, imposto há quase dois meses, como uma punição coletiva ilegal que não garante a segurança do país, como querem as autoridades israelenses.

As autoridades israelenses dizem que a ação militar e outras medidas são legais e necessárias para por fim a ataques a partir de Gaza.

Israel retirou seus soldados e colonos da Faixa de Gaza em 2005, mas reteve o controle sobre o espaço aéreo e a costa da região, e sobre sua própria fronteira com o território.

O país reforçou seu bloqueio em janeiro em meio à intensificação de ataques de foguetes por militantes palestinos em Gaza.

"Desastre"

O relatório "Faixa de Gaza: Uma Implosão Humanitária", diz que o bloqueio acentuou dramaticamente os níveis de pobreza e desemprego, e levou à deterioração dos serviços de educação e saúde.

Mais de 1,1 milhão de habitantes da Faixa de Gaza dependem da concessão de surprimentos em caráter humanitário e dos 110 mil trabalhadores empregados no setor privado, 75 mil perderam o emprego, diz o documento.

"A menos que o bloqueio termine agora, será impossível tirar a Faixa de Gaza da beira do precipício e qualquer esperança de paz para a serião será destruída", disse Geoffrey Dennis, da Care International da Grã-Bretanha.

Na semana passada, as forças israelenses lançaram uma operação militar no norte da Faixa de Gaza, em que mais de 120 palestinos - inclusive muitos civis - morreram.

Israel disse que as medidas têm o objetivo de por fim a freqüentes ataques de foguete realizados por militantes palestinos.

Recentes ataques do tipo atingiram o sul de Israel, chegando a Ashkelon, a cidade israelense populosa mais próxima da Faixa de Gaza.

Ocupação

As organizações britânicas concordaram que Israel tem o direito e a obrigação de proteger os seus cidadãos, pedindo aos dois lados que suspendam ataques ilegais a civis.

Mas pediram que Israel cumpra suas obrigações e, como força de ocupação na Faixa de Gaza, garanta que seus habitantes tenham acesso a alimentos, água limpa, eletricidade e assistência médica, que são escassos na região.

"Punir a população inteira da Faixa de Gaza negando a ela estes direitos humanos básicos é totalmente indefensável", disse a diretora da Anistia na Grã-Bretanha, Kate Allen.

Entre as outras recomendações dos grupos está o diálogo internacional com o movimento Hamas, que rejeita a legitimidade de Israel e foi ignorado pelos aliados de Israel e o partido Fatah do líder palestino na Cisjordânia, Mahmoud Abbas.

"A Faixa de Gaza não pode se tornar um parceiro para a paz a menos que Israel, a Fatah e o Quarteto (EUA, ONU, União Européia e Rússia) envolvam o Hamas e dêem ao povo da Faixa de Gaza um futuro", disse Daleep Mukarji, da Christian Aid.

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