O PIB potencial
Publicado em 06/03/2008 15:40
Por trás das formulações do Banco Central, de decisões que mexem com a vida de milhões de pessoas, existem teorias, conceitos, modelos estatísticos que podem ser bem ou mal utilizados. Um desses conceitos é o do PIB potencial. Ele analisa, em tese, quanto a economia poderia crescer, sem bater na sua capacidade potencial e pressionar a inflação. São essas fórmulas que sempre têm servido de álibi para o BC a subir os juros, cada vez que supõe que a economia está batendo no chamado PIB potencial, ou o está superando. Cria então um fantasma chamado de “hiato do produto” – ou seja, qual o percentual de crescimento que está acima do que a economia suportaria – e joga os juros em patamares que permitam reduzir esse hiato. *** Em dezembro passado, o Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, escreveu o trabalho “Estimando e Revisando o Produto Potencial do Brasil - Uma Análise do Filtro Hodrick-Prescott com Função de Produção” onde, em que pese as tecnicalidades inevitáveis, descreve com bastante didatismo as vulnerabilidades do modelo. *** O BC se baseia em um método chamado de HP (Hodrick-Prescott), Nesse método, utiliza um filtro estatístico baseados na taxa de emprego da força de trabalho, na taxa de utilização da capacidade produtiva na indústria e na taxa de crescimento do produto interno bruto (PIB). O resultado final é o PIB potencial, que é uma media móvel ponderada dessas três series. *** O que interessa, no caso, é um fenômeno pouco analisado pelos cabeças de planilha – que copiam cegamente o manual, sem procurar entender suas limitações. A metodologia visa estimar uma tendência de crescimento baseada no passado. Suponha que, após efetuar os cálculos, se chegue a uma conta de PIB potencial de 3,5%, Significa que teoricamente a economia não poderia crescer acima de 3,5% - sob risco de provocar inflação. *** Mas suponha que a economia resolva não levar a sério a conta e passa a crescer 4%. Como a metodologia HP leva em conta as séries históricas (o passado), bastou o PIB crescer mais para o modelo calcular um PIB potencial. Ou seja, o BC diz que o PIB não pode crescer acima de determinado limite. Mas se o PIB cresce, automaticamente o limite também cresce - apenas pelo efeito estatístico. *** O que Nelson Barbosa fez foi aplicar a formula HP ao PIB potencial em determinada data, tomando como base séries históricas posteriores àquela data. Confira os resultados: 1. Com base nos dados disponíveis até o final de 2005, o BC diria que a economia brasileira estaria 0,53% acima do seu potencial naquela data. 2. Com base nos dados disponíveis até o final de 2007, no final de 2005 economia brasileira estava 0,39% abaixo do seu potencial naquela data. Ou seja, o erro estatístico foi de quase um ponto percentual do PIB. *** Mas existem outros riscos. Suponha que o BC acredite – com base nos dados incorretos – que o PIB não poderá crescer acima de determinado ritmo. Ele irá aumentar os juros para brecar o crescimento. O que era uma mera projeção defeituosa, transforma-se em uma profecia auto-realizada.























