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Ciclo da crise

Publicado em 20/03/2008 09:55

Blog Luis Nassif

Um pequeno fluxograma para entender simplificadamente o moto-contínuo da crise internacional.

 

Em seu artigo para o “Financial Times” de segunda-feira passada, o ex-presidente do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) Alan Greenspan proferiu uma aula soberba sobre os modelos de análise financeira desenvolvida ao longo dos últimos anos.

Com o avanço da informática, o desenvolvimento de técnicas estatísticas cada vez mais sofisticadas, e a disseminação de indicadores e séries históricas sobre os mais diversos ativos, o mercado financeiro passou a depender cada vez mais de ferramentas de análise de risco.

Todo esse ferramental foi para o vinagre devido a dois fatos ocorridos. Primeiro, os erros de avaliação das agências de risco, sobre a qualidade das aplicações efetuadas. Segundo, pela própria propagação da crise. Aí, todas as séries históricas passaram a valer pouco. Os modelos sabiam combinar aplicações em tempos de normalidade. Mas não serviam para tempos de crise.

***

Agora, o ciclo de aprofundamento da crise obedece a passos complexos:

Na verdade, as relações um pouco mais complexas do que essa seqüência. Isto porque muitos itens se influenciam mutuamente.

Mas, em linhas gerais, o ciclo é esse:

1. O Federal Reserve (o BC americano) permite uma expansão muito forte na liquidez (oferta de dinheiro) na economia, engendrando diversos movimentos especulativos.

2. Estoura a crise do sub-prime, provocando uma redução do crédito e um aumento da oferta de imóveis.

3. Com a redução dos financiamentos e a devolução de imóveis, há uma queda generalizada nos preços dos imóveis.

4. Essa queda aumenta a inadimplência, reduz as garantias bancárias e amplia a crise bancária.

5. Para combatê-la, o FED (Federal Reserve) injeta dinheiro na economia e reduz os juros.

6. Esses dois movimentos provocam uma desvalorização do dólar.

7. Essa desvalorização cria uma inflação em dólares, especialmente em commodities (para onde fogem os fundos).

8. Agora, a inflação começa a incomodar a China, que declara ser prioridade combatê-la. Provavelmente será reduzido o ritmo de crescimento da China, em função das medidas tomadas (aumento do compulsório) e da redução do mercado externo.

9. As commodities serão afetadas nas duas pontas: na redução do ritmo de aumento da demanda e com a instabilidade financeira, que tem provocado venda de posições para cobertura de prejuízos.

10. A queda nos preços das commodities afetará a balança comercial brasileira.

Veja bem, estou descrevendo o ciclo, mas sem conclusões taxativas, pela dificuldade em se obter informações mais precisas sobre a crise.

Esse mesmo ciclo acaba permitindo a criação de fatores anti-cíclicos mais adiante. Por exemplo, a maior liquidez na economia americana irá provocar, a médio prazo, uma recuperação do nível de atividade e um fortalecimento do dólar. Conseqüentemente um novo aumento das exportações chinesas.

A grande interrogação é o fator tempo e a intensidade de cada balanço do pêndulo. Por exemplo, qual o tamanho do estrago no sistema financeiro internacional e na economia mundial, até que a economia americana comece a se recuperar? Quantos e quais os países serão afetados por essas ondas.

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