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Pesquisa mostra situação do negro no país 120 anos após a abolição

Publicado em 13/05/2008 14:28

O Globo

BRASÍLIA E RIO - Cento e vinte anos depois da Lei Áurea, uma Pesquisa da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), traça um mapa de onde estão os 90 milhões de afrodescendentes do país. ( Veja a íntegra da pesquisa )

O objetivo do estudo Mapa da Distribuição Espacial da População Negra é orientar os gestores públicos na formulação de políticas voltadas para a igualdade racial. O mapa, montado com base no Censo de 2000, no qual a definição de cor é auto-declaratória, mostra que a população negra no Sudeste e Sul do país fica abaixo dos 40% - com destaque para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde ela fica abaixo dos 25%.

Já nas regiões Norte e Nordeste, em praticamente todos os trechos - com exceção das áreas de reservas indígenas - as auto-declarações apontam para mais de 75% de negros. Em grandes trechos do Amazonas, do Pará, do Amapá e em pontos diversos da Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins o mapa aponta que os negros são mais de 85% da população.

Em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e sul de Minas Gerais, as auto-declarações indicam que a população negra fica entre 40% e 75% do total. A pesquisa completa deverá será lançada à tarde no Palácio do Planalto.

CNBB lamenta situação dos negros no país

Em mensagem divulgada nesta terça-feira pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a Igreja Católica lembra o dia da abolição da escravatura, "fato que motiva todos a olhar com atenção para a situação dos afro-brasileiros", já que "muitos ainda estão presos ao cativeiro da miséria e da exclusão social".

Em um trecho da mensagem, a CNBB, lembra que embora a libertação aconteceu legalmente em 1888, "mas hoje se faz necessário reafirmamos o compromisso para que todos os afro-brasileiros que tenham condições de vida cidadã complementando o ato de 13 de maio de 1888". ( Leia a íntegra da nota )

Especialistas defendem cotas

Para Valter Roberto Silvério, presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), houve melhoras de condições, "mas tanto o acesso ao mercado de trabalho, quanto à escolarização, ainda são insuficientes para gerar um padrão de igual acesso, igual oportunidade da população negra quando comparada à população branca". Para ele, as políticas públicas de discriminação positiva, como a definição de cotas nas universidades, são a melhor forma de promover a igualdade racial. (Você é cotista? Qual sua avaliação sobre o sistema?)

Aos que contestam a instituição da política de cotas, ele declara que há um "cinismo, por parte da classe média brasileira", que nega a existência de racismo e que não admite que a educação tem o poder de combater o racismo, por medo de perder seus privilégios.

- Esses grupos, que sempre tiveram privilégios, não percebem que essas políticas geram a possibilidade de construção de cidadania para o país, o aprofundamento da construção da cidadania - critica.

Mais negros nas universidades nos últimos cinco anos

De acordo com o subsecretário de Planejamento da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Martvs das Chagas, o governo pretende manter a implementação da política de cotas para estudantes negros nas universidade do país. Segundo ele, a idéia é negociar com as diversas correntes políticas do Congresso Nacional para agilizar a aprovação do projeto que regulamenta as cotas.

Atualmente, afirmou o subsecretário, a política de cotas tem partido das próprias universidades, mas a intenção do governo é introduzir essa política em todas as instituições públicas de ensino do país a partir da aprovação do projeto de lei no Congresso. Como argumento, Chagas avalia que as cotas "deram certo". Segundo ele, nos últimos cinco anos, o número de negros que ingressaram nas universidades foi maior que o da última década.

O ex-secretário de Justiça de São Paulo e coordenador do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade, uma ONG que defende a causa negra, Hédio Silva Junior, também defende a política de cotas. Para ele, o debate sobre as cotas fez emergir o racismo brasileiro. Na avaliação do ex-secretário, há um racismo "estruturante" no Brasil no qual de cada dez pobres, sete são negros. Silva Junior critica aqueles que afirmam que as cotas vão estimular o racismo. Para ele, esse é um argumento "falacioso".

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Comentários (1)

Usuário Anônimo 09/05/2011 09:24
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