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A Unasul e a integração do continente

Publicado em 27/05/2008 11:58

Blog Luís Nassif

É provável que a Unasul (União de Nações Sulamericanas), cuja reunião encerrou-se na sexta-feira passada no Rio de Janeiro, seja o mais expressivo passo, até agora dado, para a integração dos países da América Latina.

O Mercosul foi uma mera união aduaneira, que enfrentou inúmeros problemas com a volatilidade cambial dos dois principais países – Brasil e Argentina. Nesse ínterim, fortaleceu-se a faceta menos conhecida e mais importante do Mercosul, que foi o Fórum de Ministros do Planejamento, pensando a integração física do continente.

Há tempos tem-se um diagnóstico preciso sobre as zonas de dinamismo no continente – aquelas regiões que, integradas, poderão gerar riqueza e desenvolvimento. Mais especificamente, desde início dos anos 90, com os trabalhos pioneiros de Eliezer Baptista.

Esses estudos foram sendo assimilados no Fórum dos Ministros do Planejamento. E, agora, ganham consistência com a tentativa de dar corpo à idéia da Unasul.

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A reunião do Rio foi proveitosa em várias direções. Uma delas, a questão de discutir a segurança do continente, criando um fórum de entendimento que antecedesse a eventual ida dos países em litígio à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Esse passo era importante para impedir que a Colômbia continuasse aprofundando as relações militares com os Estados Unidos – o que acabaria por criar um enclave no continente.

Da parte de Hugo Chávez havia a intenção de se criar uma força continental – a exemplo da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Prevaleceu a idéia de se ir aos poucos definindo inicialmente um acordo. Reticente no início, a Colômbia acabou aderindo. A morte do principal líder das FARCs, o grupo narco-guerrilheiro colombiano, certamente removerá as últimas resistências ao acordo.

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Trata-se do chamado jogo do ganha-ganha – aquele em que todas as partes serão beneficiadas. No campo da defesa, a indústria bélica brasileira ganhará um mercado com escala. Provavelmente haverá acordos de cooperação e trabalho com a indústria argentina.

No campo das obras públicas, faltou um passo mais ousado, da associação da CAF (Cooperação Andina de Fomento) com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A CAF é um banco de desenvolvimento exemplar, bem gerido, com boa classificação de risco. Juntando com o BNDES ampliaria a capacidade de ambos de buscar recursos internacionais para aplicar em obras de integração continental.

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De qualquer forma, não haverá dificuldades para financiar essas obras. É mais fácil obter financiamento compartilhados por países, já que as responsabilidades são divididas.

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Um ponto acabou causando confusão, no café da manhã do presidente da República, que anunciou um prazo para começar a discutir a moeda única do continente. É importante abria a discussão, mas uma nova moeda não levará menos de dez anos para ser implantada.

Haverá a necessidade dos países da região terem o mesmo regime fiscal e cambial. É tarefa para muitos e muitos anos.

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