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Saúde indígena 1 - Índios acusam Funasa de omissão no atendimento às comunidades

Publicado em 09/06/2008 11:19

Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Ao permitir a execução de serviços de atendimento à saúde indígena por organizações não-governamentais, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) transfere indevidamente a responsabilidade que lhe cabe. Essa é a avaliação da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) sobre a crise que levou ao acirramento de ânimos entre comunidades e o órgão de governo, com ocupações recentes de prédios públicos em protesto pela melhoria dos serviços prestados.

“O problema maior está no órgão que deveria executar políticas de saúde indígena, mas não se estruturou e não assumiu o papel de gestor. Ela [Funasa] se omite para ONGs, universidades e prefeituras, numa total incompetência e irresponsabilidade”, afirmou em entrevista à Agência Brasil o índio Jecinaldo Saterê Mawé, coordenador-geral da Coiab. Ele defende que ONGs atuem apenas em atividades de apoio, como compra de combustível, insumos e alimentação para equipes e pacientes. “As ONGs que cometem irregularidades devem ser banidas, mas não são justificativa para o caos da saúde indígena. A culpa é da própria Funasa que não se estruturou de forma adequada”, acrescentou Jecinaldo.

A Funasa reconhece a necessidade de adequações no sistema, apesar de desqualificar parte das críticas da Coiab. Promete ter equipe próprias completas até 2012 e encerrou nos últimos anos convênios com 44 entidades para assistência médica a índios, por suspeita de irregularidades. “Tem organizações que não tiveram contas aprovadas e foram substituídas, mas temos parcerias boas com várias organizações, que têm ajudado a melhorar a assistência e fazer cair a mortalidade infantil”, disse o diretor de Saúde Indígena da Funasa, Vanderlei Guenka .

O atual modelo de atendimento à saúde indígena no Brasil se baseia nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei). Cada uma das 34 unidades espalhadas pelo país tem a responsabilidade sanitária por uma base territorial e populacional específica. Mas a contratação das equipes médicas que lá atuam fica sob a responsabilidade de ONGs, mediante convênios. A ausência de vínculo dos profissionais com o Estado provoca distorções, segundo o representante da Coiab.

“A Funasa não consegue dar estabilidade para as equipes multidisciplinares nas terras indígenas. Há uma mudança repentina nas equipes e os recursos são muito pulverizados. Uma parte pela Funasa, outra parte pelas prefeituras e ainda organizações não-governamentais que não conseguem trabalhar de forma articulada”, diz Jecinaldo, para quem o modelo dos distritos é “muito bom no papel”, mas ruim na prática. “Quando tem médico, não tem insumos; quando tem insumos, não tem médico. Há uma completa falta de sintonia entre as várias responsabilidades”, acrescenta.

O relato do dirigente é que ao procurarem atendimento, muitos índios ainda se deparam com profissionais despreparados para lidar com situações típicas das comunidades: “O médico ou a equipe muitas vezes não sabe nada de saúde indígena. Tem conhecimentos técnicos como profissional, mas é insuficiente para atender o objetivo de uma população de cultura diferenciada. Tem que ter antes de ir para o território uma preparação e uma capacitação para o trato com as comunidades, fazer um concurso público diferenciado para as vagas.”

Uma das alternativas apontadas pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) é concentrar recursos na formação de agentes indígenas de saúde dentro das próprias comunidades. O coordenador da Coiab concorda com a observação, mas considera providência fundamental para a melhoria dos serviços garantir autonomia administrativa e financeira aos distritos: “Os recursos estão centralizados em Brasília. Muitas vezes a burocracia tem sido responsável pela morte de indígenas. Por isso seria importante a descentralização para o distrito, transformando-o em unidade gestora, com participação mais forte do controle social exercido por agentes da própria comunidade.”

Segundo Jecinaldo Saterê Mawé, o governo “aparelhou” a Funasa com indicações políticas e não demonstra disposição em acolher propostas das comunidades para a melhoria dos serviços.

“A atual direção da Funasa é arrogante, preconceituosa, não respeita o direito do controle social, não abre debate com os povos indígenas. A saúde indígena hoje está retaliada nas mãos de partidos políticos, de pessoas que têm compromisso apenas com quem as indicam”, afirmou.

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Comentários (1)

Usuário Anônimo 06/07/2009 08:31
Aprincipio peço desculpas por não me identificar, mas o meu depoimento é solido e verdadeiro, falo com conhecimento de causa, trabalho na saúde indigena ha 6 anos e graças á Deus amo o que faço, trablhei com Ogs e agora com prefeitura, concordo com quase tudo que diz o Jecinaldo Samberê, quando diz que a saude indigena hoje so esta servindo para beneficiar politicas partidarias, o ser humano indio esta realmente abandonado, sofro na pele com isso pois vejos crianças que não estão tendo a oportunidade de chegar aos 5 anos de vida ou até mesmo que isso. Mas quero dizer que tem muitos indios corruptos que só estão pensando em cargos e um bom salario sem ter um minimo de compaixão e compromisso com os indios menos favorecidos, falo dos indios que vivem longe da cidade, por exemplo, no estado em que trabalho, quem faz e desfaz com a saúde indigena é os indios corruptos juntamente com o partido do PCdob, os indis mais politizados usam usam os demais pra conseguir beneficios proprois, sem falar que até na aposentadoria dos mais humildes eles tomam de conta usando em beneficio proprio o cartão dos aposentados e de bolça familha, isso tambem junto com os comerciantes da cidade. O outro ponto negativo na saude indigena, é o despraparo de pessoas que entram pra trabalhar com os povos indigenas sem ter o minino de compaixão e só pensam no salario no final do mês e os tratam como se fosse um ser inferior a eles, também a desvlorização dos profissionais que realmente veste a camisa assim como eu, sou alvo de perseguição por defender os indios menos favorecidos até mesmo pelos proprios indios politizados e dessa nojenta politica partidaria, a FUNSA deve realmente efetivar a quele profissional que deu certo e que trabalha com amor, pois é muito ruim você trabalhar o ano todo sem direito a férias, decimo terceiro, sem poder comprar algo com parcelas longas, pois não sabe se no final do ano ainda esta empregado para pagar sua dividas. Quanto ao investimento no AIS, concordo tambem, mas devem estipular em criterios para que um agente possam trabalhar nas comunidades indigenas como: saber ler e escrever, ou pelomenos ter as quatros primeiras série, e estipular o numeros de familha para cada agente de e AISAN, pois aqui onde trabalho os politicos para ganhar voto e sem a fiscalização da FUNASA existem agentes de saúde so para os seus familhares e não tem compromisso muitas vezes nem com seus proprios filhos. Acho que nós enfermeiros deveriam ser mais vistos e valorizados e não só o profissional médico, em varias vezes o Jecinaldo menciona o medico, mas quero dizer a todos, que quem trabalha e praticamente dar a vida para os povos indigena são os ENFERMEIROS e não medicos, pelomenos no estado em que trabalho.A saude indigena pode sim melhorar, mas exigem compromisso e seredade e o mais importante acima de tudo, é amor ao proximo, e isso infelismente quase não acontesse, até mesmo com o proprio indo que falam tanto em "ajudar os parentes.
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