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O ping pong de Lula

Publicado em 20/06/2008 11:01

Blog Luís Nassif

Ainda se está muito preso ao maniqueísmo de que personagens públicos são intrinsecamente bons ou completamente maus. Essas simplificações atrapalham qualquer tentativa de se aprofundar a análise sobre o papel de presidentes da República.

Na fase mais crucial das últimas décadas – a incorporação de novas forças sociais, de novos consumidores, de novos eleitores – Lula cumpre papel essencial de se propor a ser a síntese entre o país moderno e o arcaico. Mesmo assim, não completa a travessia porque, assim como FHC, foi incapaz de formular um plano de desenvolvimento.

Nesses cinco anos de governo Lula, já houve mais de uma política industrial, foram montados planos importantes – como o da Agroenergia – que não saíram do papel, a inovação ainda não se transformou em prioridade nacional.

Quando se monta uma política industrial e de destina mais de 50% dos recursos para o setor automobilístico, se vê que a força do passado ainda se impõe sobre os personagens do futuro.

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Houve avanços consideráveis nas políticas comerciais – fruto da estrutura montada por Luiz Fernando Furlan -, uma presença ativa na diplomacia mundial, uma articulação mais eficaz com a América Latina e com o BRIC.

Tem-se, agora, o melhor quadro de Ministros desde o início do governo. O mercado de capitais está perto de se tornar uma realidade permanente.

Mas, por enquanto, a incapacidade de pensar em políticas mais estruturantes praticamente paralisou o sistema de investimentos públicos, ampliando o déficit que já vinha do governo FHC.

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A vantagem da rotatividade de poder está na possibilidade que abre para iniciativas inovadoras – já que nenhuma oposição, quando chega ao poder, quer repetir o governo que foi derrotado.

Com Lula isso não ocorreu.

No plano gerencial, apenas agora avançou-se com o PAC – como organizador e avaliador de projetos de investimento -, um avanço notável perto do quase zero que existia, mas um mero ensaio perto de um verdadeiro planejamento estratégico.

O medo da crise política, a falta de quadros, a cautela excessiva aumentou – ao nível da imobilidade – o temor reverencial pelo mercado. Há uma vontade de fazer bem maior do que a exibida por FHC pós-Sérgio Motta, mas muito aquém do que seria necessário para o país poder explorar seu potencial plenamente.

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Há várias justificativas para isso. No presidencialismo precário brasileiro, qualquer problema na área financeira coloca em risco a própria estabilidade do mandato presidencial.

É um risco real. Mas analisa-se a envergadura do governante pela sua capacidade de definir o rumo certo, mobilizar as forças do país e promover as mudanças.

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O curioso na história é que, no discurso na Bolsa de Valores, Lula falou dos vários bonés que veste – desde o dos movimentos sociais até o da Bolsa de Valores. No futuro, se verá que a maior contribuição do seu governo para a modernização do país foi fruto das pressões dos grupos sociais. Iniciativas como a Bolsa Família e, agora, a Territórios da Cidadania são capazes de mudar a realidade um país.

A política aplicada nesses cinco anos pelo Banco Central, não.

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