Gastos disparam nos Estados e municípios
Publicado em 09/06/2008 11:55
Sergio Lamucci e Marta Watanabe, de São Paulo
Governadores e prefeitos abriram os cofres nos primeiros quatro meses do ano e ampliaram os gastos muito acima da inflação. De janeiro a abril, as despesas não financeiras de Estados e municípios cresceram 14,5% em termos reais, em relação ao mesmo período de 2007, segundo cálculos de Fernando Montero, economista-chefe da corretora Convenção. A União foi mais comedida e suas despesas avançaram 4,5% reais.
| Se os governadores estão gastando à vontade após um primeiro ano de mandato austero, os prefeitos ampliaram muito as despesas em um ano eleitoral. Minas Gerais despendeu 22% mais - sem descontar a inflação - e a Bahia, 19,1%, mas estes índices elevados ficaram muito abaixo dos da prefeitura de São Paulo, que aumentou suas despesas primárias em 32,78% nominais. As despesas não financeiras da União evoluíram 9,4%. |
| O expressivo aumento das receitas, propiciado pelo forte crescimento da economia, ajudou a financiar a expansão de gastos. Os cofres de Estados e municípios contaram ainda com a elevação significativa dos repasses obrigatórios da União, de 27% no primeiro quadrimestre. Estados do Norte e Nordeste foram os mais beneficiados. Tanto na esfera estadual como na municipal, as tranferências ajudaram a elevar as receitas. O Maranhão obteve no período R$ 939,4 milhões, quase o dobro do que arrecadou de ICMS, e o repasse para Alagoas cresceu 40% mais que o previsto. Entre as prefeituras, Manaus, Porto Alegre, Recife e Aracaju viram o valor recebido da União crescer 60% nominais. |
| Em relação ao último trimestre de 2007, o ritmo da evolução dos gastos quase triplicou, uma velocidade surpreendente mesmo para um ano eleitoral, observa Montero. |
| Dos cinco Estados analisados pelo Valor, as despesas avançaram mais em Minas, com forte expansão dos gastos com pessoal - mais 21,6% - e das chamadas "outras despesas correntes", que incluem transferências constitucionais a municípios e custeio. O Estado de São Paulo elevou os gastos não financeiros em 12,7%, para R$ 25,3 bilhões. As "outras despesas correntes" subiram 17,5%, atingindo R$ 13,1 bilhões, enquanto os gastos com pessoal tiveram alta mais modesta, de 6%, para R$ 11,6 bilhões. No Rio de Janeiro, as despesas cresceram 15,5%. |























