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Conselho de Ética da Câmara instaura processo de cassação contra Paulinho

Publicado em 03/06/2008 16:14

IG

BRASÍLIA - O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados instaurou, às 15h30 desta terça-feira, o processo de cassação contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força. A partir de agora, o parlamentar, acusado de fazer parte de um suposto esquema de desvios de recursos do BNDES, não poderá mais renunciar ao mandato para preservar seus direitos políticos. Caso seja cassado, Paulinho ficará inelegível por dez anos. Caso seja cassado, Paulinho ficará inelegível por dez anos. O deputado Paulo Piau (PMDB-MG) será o relator do caso.

Ao abrir a sessão, o presidente do Conselho de Ética, Sérgio Moraes (PTB-RS), fez críticas ao corregedor da Casa, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE). De acordo com ele, Inocêncio foi "afoito" ao representá-lo na mesa da Câmara por não ter, já na semana passada, aberto o processo contra Paulinho.

"O corregedor me atirou na imprensa, deixando um constrangimento grande. O corregedor me larga na mídia nacional como se eu fosse padrinho do Paulinho. Nunca sequer falei com o Paulinho", disse o presidente, garantindo não ter postergado a instauração do processo contra Paulo Pereira.

Sérgio ainda citou que alguns processos levaram até 48 dias para serem abertos no Conselho de Ética, e que quando falou que levaria até 15 dias para nomear um relator para o caso de Paulinho, quis apenas manter o bom senso.

O presidente do Conselho vai apresentar um requerimento na mesa diretora da Câmara, pedindo que a mesa se pronuncie sobre o prazo regimental para a abertura de um processo após sua chegada no Conselho de Ética. A ação visa rebater as críticas de Inocêncio. "Não posso ficar à mercê. Quando ele (Inocêncio) está de bom humor, é 45 dias (para abrir um processo). Quando ele está de mau humor, é alguns minutos."

O Conselho de Ética terá 90 dias, prorrogáveis por mais 90, para concluir as investigações e julgar a cassação do mandato do deputado Paulo Pereira.

Perseguição política

Na manhã desta terça-feira, Paulo Pereira da Silva disse que não há "nada melhor" que a abertura do processo de cassação de seu mandato no Conselho de Ética e descartou qualquer possibilidade de renúncia de seu mandato. "Não posso renunciar por algo que não devo", afirmou.

Paulinho afirma ser vítima de perseguição política por seu trabalho de defesa dos trabalhadores. Ele diz ainda que não existem provas concretas de seu envolvimento no esquema e que nas escutas gravadas pela Polícia Federal com integrantes da quadrilha seu nome foi usado indevidamente.

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