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Quase metade tem carteira assinada

Publicado em 02/07/2008 14:57

Site IPEA


A equipe deste Portal faz uma série de reportagens sobre os dados divulgados na Carta de Conjuntura (junho), publicação trimestral do Ipea, com a análise dos principais temas econômicos dos três meses precedentes. A primeira reportagem, abaixo, é sobre o mercado de trabalho.

Emprego formal em alta

Segundo a Carta de Conjuntura do Ipea, 49% das pessoas ocupadas no país tinham registro na carteira de trabalho em abril, portanto a formalização atingiu seu maior grau, desde que foi implementada a nova metodologia de apuração da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

O mercado de trabalho brasileiro vem mostrando, ao longo do ano, um excelente dinamismo, influenciado, principalmente, pelo bom desempenho da economia do país. No primeiro quadrimestre de 2008, a taxa média de desocupação foi de 8,5%, ou seja, 1,4 ponto percentual menor que no mesmo período do ano anterior. Esse recuo na taxa de desocupação foi possível porque a população ocupada vem crescendo a um ritmo superior ao da População Economicamente Ativa (PEA). Em outras palavras, a oferta de trabalho vem sendo suficiente para abarcar não só a parcela da PEA proveniente dos entrantes na força de trabalho por conta da maioridade, como também uma parcela do contingente dos até então desocupados.

No primeiro quadrimestre do ano, o segmento de trabalhadores com carteira assinada registra alta de 8,2% se comparado com o mesmo período de 2007. Essa melhora quantitativa do emprego vem acompanhada de um incremento dos rendimentos reais dos trabalhadores. Após registrar, no fim de 2007, alta de 3,2%, os rendimentos médios reais habitualmente recebidos apontam elevação de 2,6% no primeiro quadrimestre do ano. Essa queda na taxa de expansão dos rendimentos deve-se, sobretudo, ao aumento da inflação nesse período, que acabou por corroer uma parte dos aumentos conquistados pelos trabalhadores.

A quase totalidade dos novos empregos formais criados no país é de baixa qualificação e, por isso, remunera pouco, o que reduz a média dos rendimentos. De acordo com os dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), do Ministério do Trabalho, 82% das novas vagas criadas em maio eram referentes à faixa que compreendia uma remuneração de zero a dois salários mínimos. Quando se estende essa análise à faixa salarial seguinte (dois a quatro salários mínimos), esse percentual sobe para 95%.

Em contrapartida, os trabalhadores sem carteira assinada apresentam as maiores taxas de crescimento nos seus rendimentos (4,1%, ao longo do ano), refletindo que esse maior dinamismo salarial está ligado à própria expansão da economia brasileira. É que uma parcela desses trabalhadores informais é constituída por profissionais liberais que prestam serviços. Então, a melhoria no rendimento dos demais trabalhadores possibilita maior contratação desses serviços, o que gera uma elevação na renda desses profissionais. Essa conjunção de aumentos de empregos e salários vem exercendo uma pressão positiva sobre a massa de salários habitualmente recebidos, cuja expansão no ano é de 6,5%, o que deve manter o ritmo de crescimento do consumo das famílias.

Seguindo a mesma tendência da Pesquisa Mensal de Emprego, a Pesquisa Mensal de Emprego e Salário (Pimes) também revela uma expansão do emprego na indústria. No acumulado do ano até abril, o número de pessoas empregadas na indústria de transformação cresceu 3,0% na comparação com 2007. As maiores taxas de crescimento foram registradas nas indústrias de máquinas e equipamentos exclusive eletrônicos (13,8%), máquinas e equipamentos eletrônicos (13,3%), coque e refino de petróleo (12,6%) e material de transporte (11,2%). O destaque negativo ainda se concentra nos setores mais sensíveis à concorrência externa, como calçados (11,4%), madeira (-7,5%) e têxtil (4,7%), que não conseguiram superar o efeito da apreciação cambial.

As perspectivas para o restante do ano continuam bem favoráveis, tendo em vista que a manutenção do crescimento da economia deve continuar impulsionando a contratação de novos profissionais. Segundo dados da Sondagem Industrial de maio, divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), 30% das 1.015 empresas consultadas revelaram que pretendem aumentar os seus contingentes de trabalhadores nos próximos três meses. Em 2007, esse percentual era de 26%. Adicionalmente, o excepcional comportamento da construção civil também deve contribuir favoravelmente para a criação de novos postos de trabalho ao longo do ano, devido às novas construções habitacionais. A expectativa da trajetória de crescimento sustentável da economia para os próximos anos deve permitir não apenas manter a taxa de desocupação em patamares menores, como também pode possibilitar o surgimento de um novo contingente de trabalhadores com maior nível de especialização e maior nível salarial, para atender às novas necessidades do mercado.

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