O perfil do Bolsa Família
Publicado em 02/07/2008 10:21
O trabalho “Repercussões do Programa Bolsa Família na Segurança Alimentar e Nutricional das Famílias Beneficiadas”, preparado pelo IBASE, acabou não sendo suficientemente explorado pela cobertura. A pesquisa foi feita com 5 mil titulares do cartão Bolsa Família em 229 municípios (clique aqui para baixar o trabalho). O perfil dos titulares: A maioria dos(as) titulares do PBF é de mulheres (94%) – a titularidade do cartão é concedida preferencialmente às mulheres. 27% dos(as) titulares são mães solteiras. A maior parte dos(as) titulares são pretos ou pardos (64%). 81% dos titulares sabem ler e escrever, sendo que 56% estudaram até o ensino fundamental. *** Na questão do uso dos recursos, a pesquisa não dá margem a dúvidas. 1. Alimentação – 87% (no Nordeste chega a 91% enquanto no Sul a 73%); 2. Material escolar – 46% (no Norte chega a 63,5% enquanto no Nordeste a 40%); 3. Vestuário – 37%; 4. Remédios – 22%; 5. Gás – 10%; 6. Luz – 6%; 7. Tratamento médico – 2%; 8. Água – 1%; 9. Outras opções – menos de 1%. *** Em média, as famílias beneficiadas gastam R$ 200,00 mensais com alimentação, o que representa 56% da renda familiar total. Uma conclusão muito importante da pesquisa é em relação à mudança dos hábitos alimentares. Houve aumento do consumo de alimentos com maior densidade calórica e menor valor nutritivo – como açúcar e massas. O resultado foi um aumento da obesidade e alguns tipos de doenças associadas a alta densidade energética. *** Um ponto da pesquisa, talvez não tão relevante do ponto de vista sócio-econômico, mas comovente, mesmo ante a frieza dos números, é a constatação de que 63% dos beneficiados conseguiram aumentar a quantidade de alimentos “que as crianças gostam”. 74% passaram a comer mais; 70% a variar mais o cardápio. *** O trabalho constatou a enorme importância da merenda escolar. Nas famílias que vivem em áreas urbanas e nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Trata-se de um programa social menos falado, mas de fundamental importância. 84% dos beneficiários do PBF, que freqüentam escolas ou creches, recebem merenda gratuita – o benefício é para toda a família. 20,8% das famílias beneficiadas pelo PBF plantam algum tipo de alimento ou criam animais para alimentação. Mas não têm acesso a nenhuma forma de assistência técnica. *** Os dados sobre saúde são assustadores. • 38,5% das famílias beneficiadas possuem, pelo menos, uma pessoa com problema crônico de saúde. • 36,8% das famílias já tiveram diagnosticada entres seus membros anemia; 31,4% hipertensão; 16,0% desnutrição infantil; 8,4 % deficiência de vitamina A; e 7,4% obesidade. • Apenas 42,6% têm acesso à rede de esgotos. *** Em relação à acusação de “vagabundagem”, 99,5% responderam que não; parcela estatisticamente insignificante dos(as) titulares do cartão Bolsa Família dizem que deixaram de exercer algum trabalho remunerado por causa do benefício. Os excluídos O trabalho constatou quais as condições que tornam as famílias mais vulneráveis ao IA grave: • famílias em que os titulares são pretos e pardos; O fantasma da fome O fantasma da fome não foi afastado: 21% (2,3 milhões de famílias) continuam passando fome; outros 34% (3,4 milhões) são obrigados a restringir a quantidade de comida. Os dados gerais mostram 7,4 milhões de beneficiários plenamente alimentados; 12,5 milhões com Insuficiência Alimentar (IA) leve; 18,3 milhões com IA moderada e 11,5 milhões com IA grave. É muita coisa.
A maior parte das mulheres titulares (85%) têm entre 15 e 49 anos.
78% das famílias residem em área urbana enquanto 22% em áreas rurais. A maior concentração de famílias rurais benefi ciadas pelo PBF está na Região Nordeste (50%).
• famílias em que os titulares não têm trabalho formal;
• famílias em que os titulares não sabem ler e escrever;
• famílias rurais;
• famílias que não têm acesso a saneamento básico























