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As razões da crise global

Publicado em 08/07/2008 10:11

Blog Luís Nassif

A crise econômica mundial marcar o fim de um ciclo marcado pela prevalência absoluta do mercado e da plena liberdade para os fluxos de capitais.

É um movimento semelhante ao que dominou o mundo do início do século 20 até a Primeira Guerra. Depois entrou-se em uma fase brava de transição que culminou na crise de 1929. Depois, uma fase de perda de ruma até o acordo de Breton Woods, quando se criaram as bases do modelo que vigorou até 1972 – de paridade do dólar com o ouro e de câmbio fixo. Naquele ano o governo Nixon decretou o fim da paridade.

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De lá para cá, à flexibilização dos mercados somou-se uma extraordinária expansão da poupança mundial. Essa montanha de dinheiro passou a circular livremente, em torno de um princípio básico: identificar ativos baratos, comprar e vender depois que se valorizassem.

Ao mesmo tempo, multiplicaram-se as diversas formas de moedas, com a expansão dos mercados de derivativos (de operações derivadas de operações da economia real), e a rapidez proporcionada pela integração do sistema financeiro mundial através da telemática.

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Várias crises ocorreram no período. Em parte esse movimento foi estimulado pelos Bancos Centrais. Sem controle sobre a moeda, os BCs passaram a pautar sua política de juros pelas metas de inflação. Coincidiu com o advento da China com seus produtos de baixo custo e sua moeda depreciada. De um lado, a China ajudava a conter a inflação mundial; de outro a financiar os déficits gêmeos dos Estados Unidos (externo e interno).

Com a tranqüilidade proporcionada pela China, os BCs derrubaram os juros globalmente. O efeito imediato foi a elevação geométrica nos preços dos ativos reais, devido à forma de calcular o valor dos ativos.

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O resultado foi uma sucessão de bolhas, que culmina agora com a crise do crédito, provavelmente a última desse ciclo de liberalização financeira.

O modelo já mostrava sinais de esgotamento com a desvalorização global do dólar. Com a crise, a desvalorização se ampliou. Para evitar o agravamento da crise, o FED reduziu ainda mais os juros, provocando nova revoada de fundos do dólar para outros ativos – commodities, ações de países emergentes.

Foi esse processo que provocou o ingresso pesado de dólares no país, atraídos pela diferença de juros internos com os internacionais e pela percepção de que os ativos brasileiros estavam “baratos”.

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Esse cálculo de “barato” e “caro” depende em grande parte do chamado “risco Brasil” - que é a taxa, acima da taxa básica americana, paga pelos títulos da dívida externa brasileira. Quanto maior o volume de negociações desses títulos, menor é a tal “taxa de risco”.

Acontece que esses títulos são expressos em dólar. Portanto não estão sujeito a uma eventual desvalorização do real. Em determinado momento, com o aprofundamento da crise internacional, aumentou a percepção de risco dos investidores externos: parte saindo para cobrir prejuízos em outros mercados; parte, por puro medo.

Até agora, o Brasil ficou a salvo da crise por ser superavitário nas contas externas. Se voltarem os grandes déficits, acabará a paz.

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Comentários (1)

Usuário Anônimo 28/11/2008 11:19
filho da puta
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