A nova guerra do petróleo
Mais cedo ou mais tarde os grandes bancos centrais do mundo terão que encarar o controle e a regulação mais rígida dos capitais voláteis, especialmente dos fundos hedge. Hoje em dia, há uma regulação frouxa, e algumas normas que acabam induzindo parte dos fundos a investirem em mercados de commodities. Há uma discussão estéril sobre se a alta nos preços das commodities se deve ao aumento da demanda global ou aos movimentos especulativos dos fundos. Ambos, mas os fundos exercem um papel pró-cíclico – ou seja, quando a economia caminha em uma direção, eles tendem a tornar mais radical o movimento; e vice-versa, na volta. Esse é o problema principal. O petróleo sempre foi afetado por problemas de oferta e demanda, por problemas políticos e por especulações em torno do chamado “momento de pico” – aquele em que a demanda passaria a ser gradativamente maior do que a capacidade de descobrir novos campos. *** Nesse quadro, já confuso, o movimento dos fundos hedge ajudaram a tornar a crise mais aguda. O que levou o senador norte-americano Joe Lieberman a propor, na semana passada uma série de medidas para combater o movimento especulativo que, segundo ele, é o principal responsável pela disparada dos preços da commodity no mercado mundial. O senador se apóia em estudos que comprovariam que, sem os especuladores, o barril de petróleo cairia os atuais níveis recordes – acima de US$ 150 – para a casa dos US$ 60. Liberman foi drástico. Sugeriu que os fundos de pensão e hedge fossem banidos do mercado de petróleo. *** A reação do mercado foram estudos tentando comprovar o contrário, que o aumento nos preços de petróleo decorre da explosão da demanda. Foi o caso do banco norte-americano Goldman Sachs, que sustenta que são fatores estruturais que determinam o movimento atual do petróleo. Em relatório, o Goldman Sachs descartou o peso do movimento especulativo como fator preponderante para a disparada dos preços. “Não vemos nada que índice um crescimento sustentável no nível de estoques físicos”, apontou o banco. “Os preços atuais são sustentados por fundamentos de oferta e demanda. Os mercados da commodity não se comportam de forma que sugiram uma bolha especulativa”, completa. Obviamente, trata-se de análise de parte interessada. *** A questão é que não há como definir o dilema do ovo e da galinha. Fernanda Fell, da Rosenberg e associados, por exemplo, diz que “o preço do petróleo está subindo por uma série de fatores: a demanda crescente, por conta de China e Índia, além de problemas geopolíticos graves”. Outros analistas lembram que, do ano passado para cá, não houve explosão adicional do consumo, não houve restrição maior da oferta e os fatores novos no cenário foram o aumento do violume de negociações nos futuros de petróleo, e os fundos fugindo da desvalorização do dólar. *** De qualquer modo, é apenas um ponto a mais de incerteza no mercado. Ontem, presidentes de bancos centrais do mundo todo, reunidos no BIS (o BC dos BCs) admitiram que não têm idéia, ainda, da profundidade da crise financeira nos Estados Unidos e Europa. Com Klinger Portella