Julho
OMC e a hora da verdade
A OMC (Organização Mundial do Comércio) está se aproximando da hora da verdade. Hoje e amanhã a Rodada de Doha, que começou em 2001, deverá ser concluída em Genebra. Presidentes e ministros dos países mais influentes do planeta estão reunidos para decidir se assinam um acordo ou encerram as negociações e dão novo rumo à OMC. O que está em jogo são as regras do mercado internacional que podem ter impactos negativos nos países em desenvolvimento, caso os países desenvolvidos continuem a manter seus privilégios comerciais. Os subsídios para exportação e produção interna destes países têm promovido um desequilíbrio na balança comercial dos países em desenvolvimento provocando uma elevada evasão de divisas. O Brasil está alinhado com o G-20 (grupo de países em desenvolvimento) e lançaram uma Declaração reafirmando suas posições contra as resistências dos países ricos em abrir seus mercado para os países do grupo. As organizações sociais, em especial a Rede Brasileira pela Integração dos Povos - REBRIP, avaliam que o acordo mal feito poderá promover uma desindustrialização no país, provocando uma onda de desemprego, e comprometer diversas políticas públicas voltadas para a agricultura familiar, como o programa de aquisição de alimentos. Assim, preferem que não haja nenhum acordo do que um mal acordo. A representante do Inesc, Iara Pietricovsky, está em Genebra acompanhando as negociações.
OMC é um salve-se quem puder!
A Rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), nem bem começou e vai ganhando ares dramáticos. Os países desenvolvidos (PDs), como os Estados Unidos e a União Européia, tentam manter suas posições. Os países em desenvolvimento (PeDs) buscar um consenso mínimo para não entrarem na negociação em franca desvantagem. Os representantes da Rebrip, que acompanham a reunião, avaliam que os EUA começaram com uma proposta ruim ao oferecer um patamar de subsídios de US$ 15 bilhões. Os PeDs haviam sugerido um teto de US$ 7,5 bilhões. Os EUA não aceitam discutir o tema de “localização geográfica” dos produtos, que dificulta toda discussão de propriedade intelectual. Com esta informação os franceses se armam contra os subsídios norte-americanos. Os embaixadores do Brasil, África do Sul e Argentina buscam estreitar conversas com a sociedade civil e pedir apoio para suas posições contra do PDs. Os segmentos do agronegócio brasileiro estão se desentendendo com os setores da indústria e dos serviços, pois não aceitam perder acesso aos mercados desenvolvidos. A Índia depois de conseguir o voto de confiança de seu parlamento, volta com moral alto e poderá surpreender. As conversações entre Brasil e Argentina estão estremecidas o que pode dificultar uma negociação via Mercosul. Uma possibilidade de entendimento é aceitarem um documento elaborado por Pascal Lamy e jogar a rodada para o final de 2008.
Uma outra polícia é possível?
Uma Outra polícia é possível, pergunta Atila Roque, um dos membros da Colegiado de Gestão do Inesc. "Não adianta o governador chamar os policiais que cometem crimes de “débeis mentais” ou o secretário de segurança dizer que eles estão despreparados. Declarações duras que raramente são ditas quando os mortos são jovens ou crianças negras nas favelas. Quantas vezes ainda teremos que assistir na tv mães desesperadas tentando tirar os filhos da linha de fogo enquanto a nossa “tropa de elite” avança sob o signo da caveira?"
OMC: incertezas e fragmentação
As Rodadas da OMC, em Genebra/Suíça, vão ganhando impulso. Os nervos dos negociadores vão sendo testados dia a dia. Propostas e contrapropostas são colocadas e retiradas da mesa. Os representantes dos países buscam, com certa ansiedade, os termos certos para fecharem a Rodada. A sociedade civil, em especial a Rebrip, acompanha tudo de perto buscando incidir sobre as negociações e evitar que o Brasil concorde com acordos alto impacto negativo sobre as populações mais vulneráveis. A Rede avalia que as proposta que estão sobre a mesa não são favoráveis às indústrias nem ao setor de serviços, pois estão sendo considerados somente os interesses do agronegócio. Assim, a intervenção das organizações é positiva à medida que concorrem para a proteção das populações economicamente mais carentes.
Juros não combate a inflação
Apesar do Índice de Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter indicado estabilidade da inflação nos últimos 12 meses (6,06%), o Banco Central elevou de forma brusca a taxa de juros básicas da economia, que subiu de 12,25% para 13%. Com isso, o Brasil tem a taxa básica de juros mais alta do mundo. Contundo, a taxa juros não é o melhor terapia para combater uma inflação que é de custos externos (petróleo e outras commodities). A melhor alternativa é ampliar a oferta de alimentos e utilizar outros instrumentos de política econômica.
OMC: na corda bamba
A rodada de negociações da OMC vai demonstrando que não é fácil chegar a um acordo equilibrado sobre matérias/modalidades tão diversas como complexas. As estratégias malabarísticas do diretor-geral Pascal Lamy não está dando certo. Os grupos se reúnem em salas fechadas ou em amplas salas de informação e só descobrem mais problemas, mais colchetes a serem retirados para destravar as negociações. Os negociadores e os representantes das organizações e movimentos sociais estão pessimistas quanto ao futuro da rodada de Doha. Mas, não vão fechar as malas enquanto a toalha não for jogada no centro do ringue.





















