Mais de um terço dos senadores tem pendências na Justiça ou no Tribunal de Contas
Publicado em 17/01/2008 16:38
Da Redação
Em São Paulo
Mais de um terço dos senadores brasileiros tem pendências na Justiça ou em Tribunais de Contas, de acordo com relatório divulgado pela ONG Transparência Brasil nesta quinta-feira. Dos 81 senadores em exercício, 30 (ou 37%) têm ocorrências desse gênero.
Onze deles são da região Norte, e representam 42,9% dos eleitos nessa região. Em Rondônia, todos os três senadores são citados em algum processo na Justiça ou em Tribunais de Contas. No Nordeste do país, eles são 11 (40,7% do total).BANCADAS QUE MAIS GASTAM Aluguel Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro Combustíveis Goiás, Acre e Roraima Consultorias Sergipe, Alagoas e Distrito Federal Divulgação Rondônia, Rio Grande do Norte e Amazonas Materiais de escritório Rio de Janeiro, Santa Catarina e Minas Gerais Segurança Paraíba, Pará e Minas Gerais Viagens Piauí, Amapá e Mato Grosso do Sul Fonte: ONG Transparência Brasil
Segundo as informações de cada Estado, Tocantins lidera o ranking, com 75% de seus deputados federais citados, seguido por Paraíba, com 67%, e Santa Catarina, com 63%. Amapá, Rondônia e Mato Grosso têm 50% dos parlamentares nessa situação.
A região Norte do Brasil é a que tem mais deputados com pendências na Justiça. Segundo o estudo, dos 65 deputados da região, 28 apresentam problemas, o que representa 43% do total. A região Centro-Oeste é a que tem menos deputados com problemas na Justiça, com apenas 11 citados entre 41 parlamentares.
Gastos com viagens
Os deputados federais brasileiros, em conjunto, gastaram quase R$ 20 milhões com viagens em 2007. Esse dinheiro seria suficiente para cada deputado dar cinco voltas em torno da Terra de avião, segundo o relatório.
Essas despesas não são aquelas incorridas pelos deputados para deslocamentos entre seus Estados de origem e Brasília - estas são pagas pela Câmara dos Deputados separadamente. As viagens pagas com dinheiro da verba indenizatória são para outras finalidades que os deputados afirmam serem relacionadas ao exercício do mandato.
O líder em gastos desse tipo foi o deputado Mussa Demes (DEM-PI), que gastou toda a sua verba indenizatória (R$ 180 mil anual) com viagens. DEPUTADOS QUE MAIS GASTARAM
COM VIAGENS NO ANO DE 2007Deputado Viagens (R$) % sobre o total Km Voltas no planeta Mussa Demes (DEM-PI) 180.000 100 900.000 23 Roberto Rocha (PSDB-MA) 156.255 95 781.275 20 Suely (PR-RJ) 147.359 90 736.797 18 Inocêncio Oliveira (PR-PE) 123.232 88 616.160 15 Luciana Costa (PR-SP) (*) 98.096 86 490.481 12 Darcísio Perondi (PMDB-RS) 150.372 84 751.861 10 * Assumiu o mandato em maio, com morte do deputado Enéas
Fonte: ONG Transparência Brasil
Despesas com combustíveis
O relatório aponta que os gastos com combustíveis aparecem em segundo lugar na lista das maiores despesas da Câmara. No ano passado, foram gastos R$ 16,7 milhões com este item. Cada deputado pode gastar até R$ 4.500 por mês (ou (R$ 54 mil no ano) com combustíveis.
Oito deputados requisitaram o máximo: Aníbal Gomes (PMDB-CE),
Arnon Bezerra (PTB-CE), Armando Abílio (PTB-PB), Wladimir Costa (PMDB-PA), Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), José Linhares (PP-CE), Nelson Marquezelli (PTBSP) e Jovair Arantes (PTB-GO). Cada um deles poderia ter dado seis vezes a volta no planeta de carro com o dinheiro que receberam para custear combustíveis.
Por Estado, as três bancadas com os deputados mais 'gastões' com viagens em 2007 foram as do Piauí, Amapá e Mato Grosso do Sul. Já os campeões em despesas com combustíveis são os deputados dos Estados de Goiás, Acre e Roraima.
Assiduidade
O estudo também mostra que, na Câmara dos Deputados, a média de faltas nas sessões plenárias por parte dos deputados foi de 12% no ano. O Estado cujos representantes mais faltaram foi o Rio Grande Norte, com 18,9% de ausências. A bancada mais assídua é a do Distrito Federal, que faltou em 6% das sessões do Congresso.
A média de ausências nas sessões das comissões temáticas da Câmara dos Deputados é de 28%. Os do Rio Grande do Norte foram campeões também nesta categoria, tendo faltado em média a 39,3% das sessões.























