Jogando com a sorte
Publicado em 31/01/2008 11:08
Estrategista do UBS (União de Bancos Suíços), Paulo Tenani avalia que, se a situação mundial fosse congelada no patamar de hoje – preços de commodities e crescimento mundial -, ainda assim, o Brasil iria para déficit na conta corrente de menos que 1% do PIB. Não acenderia a luz amarela, ainda, mas é um déficit. No caso de um cenário de crise internacional, o crescimento do pais ficaria comprometido. *** Cenário Pessimista: Preços de commodities caindo e EUA com desaceleração forte. Este não é o cenário com o qual o UBS está trabalhando. Mas supondo que ele ocorresse, as conseqüências seriam as seguintes: a Conta Corrente poderia começar a ficar preocupante, com déficit podendo chegar a 2% do PIB rapidamente. Cenário 2: Padrão do UBS Os EUA desaceleram, mas não entram em recessão. Isto porque o FED (o Banco Central americano) em muitos instrumentos de política para impedir que a crise atual, que é grave, leve a uma recessão. *** O banco trabalha com uma projeção de 1,8% de crescimento para a economia americana. Aposta em uma desaceleração moderada da economia mundial, e em uma redução pequena nos preços de commodities. O que preocuparia seria uma deterioração mais marcante das contas externas, um quadro que seria agravado pelo câmbio apreciado e pela economia brasileira crescendo. *** É essa lógica que precisa ser bem compreendida pela opinião pública – que é quem pagará a conta. *** O principal fator de deterioração das contas externas é o câmbio. Quanto mais valorizado o real, menor será o ritmo de crescimento das exportações e maior o das importações. A relação é direta: com o dólar a R$ 2,00 o rombo nas contas externas será um; com o dólar a R$ 1,70 será outro, bem maior. Se o rombo continuar aumentando, a tal saída fiscal preconizada pelos mercadistas consistirá em um enorme corte de despesas, investimentos, aumento de impostos. O objetivo desse choque fiscal será reduzir o tamanho do rombo externo. A lógica portanto é esta: quanto mais apreciado o câmbio maior o rombo nas contas externas e maior o aperto futuro da economia para enfrentar o vermelho. Ou seja, o crescimento dos próximos anos dependerá do nível de câmbio praticado agora – que depende, fundamentalmente das taxas de juros do Banco Central (maiores taxas, câmbio mais apreciado). *** Está-se falando em um cenário de médio prazo, que dependerá em muito do comportamento da economia mundial. A probabilidade maior é a de que não ocorra nenhum desastre maior nas contas externas este ano. Mas existe uma probabilidade menor este ano, bem maior no próximo ano, do desastre ocorrer. Uma gestão econômica responsável trataria de trabalhar, sempre, com o pior cenário. Se tal não acontecer, ótimo!, nada se perde. Se o cenário se realizar, o pais estará melhor preparado. ***
Aí, haveria duas alternativas. A passiva seria contar com o cenário externo otimista e torcer para o preços das commodities continuarem aumentando.
Mas a lógica Malazartes impera. Não se abre mão, por nada, dos lucros imediatos. Ainda que seja à custa de um desastre mais à frente.























