Exportação brasileira de commodities tem maior nível desde 86
Publicado em 08/01/2008 15:10
Os produtos básicos representavam 32,6% da pauta brasileira em 1986, caíram para 30,6% no ano seguinte e continuaram em queda até chegar a 22,6% em 2000, quando voltaram a subir.
Os dados são da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), e os números do ano passado referem-se ao período entre janeiro e novembro, já que os dados totais do ano ainda não foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
Nos anos 70, a proporção dos produtos básicos era bem maior. Em 1977, esses produtos representavam 57,4% da pauta brasileira.
Minério e alimentos
Os principais produtos básicos exportados pelo país são minério de ferro, petróleo bruto, carne de frango, café em grão, carne bovina, soja e milho.
Participação de commodities na exportação brasileira 1986 - 32,6% 1987 - 30,6% 1988 - 27,9% 1989 - 27,8% 1990 - 27,8% 1991 - 27,6% 1992 - 24,7% 1993 - 24,3% 1994 - 25,4% 1995 - 23,5% 1996 - 24,6% 1997 - 26,9% 1998 - 25,1% 1999 - 24,6% 2000 - 22,6% 2001 - 26,2% 2002 - 27,4% 2003 - 28,8% 2004 - 29,5% 2005 - 29% 2006 - 29,1% 2007 - 31,7% Fonte: Funcex |
Ao mesmo tempo em que aumentou a exportação de produtos básicos, caiu a importância dos manufaturados na pauta de exportações brasileira.
A queda tem sido constante desde 2000, quando os industrializados representavam 59,2% do total. No ano passado, a proporção foi de 52,5% no dado acumulado até novembro.
A fatia dos semimanufaturados ficou em 13,7%, bastante inferior ao pico de 19,5% verificado em 1995.
Apesar da queda proporcional, o volume de exportações em dólares tem crescido desde 1990, com uma pequena redução de 1999, já recuperada no ano seguinte.
Demanda e câmbio
De acordo com o economista Chau Kuo Hue, da consultoria LCA, o aumento das exportações de produtos básicos deve-se a uma combinação de preços internacionais favoráveis, com o aumento da demanda internacional, e à capacidade brasileira de aumentar sua produção agrícola e de minério de ferro e petróleo.
Além disso, segundo o economista, o crescimento do consumo e o real valorizado em relação ao dólar tornaram mais atrativo para as indústrias privilegiar o mercado interno em vez de se esforçar para exportar.
"Para o lado dos básicos, a situação é positiva, porque o Brasil é muito competitivo, e este mercado deve continuar crescendo", diz Chau. "Mas, por outro lado, o ideal seria manter o ritmo de crescimento também nos manufaturados."
A economista Leila Harfuch, pesquisadora sênior do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), entidade mantida pelo setor de agronegócio dedicada a pesquisas e estudos sobre comércio e negociações internacionais, considera positivo o crescimento da exportação de produtos básicos.
"É positivo porque o Brasil é um dos poucos países que têm a possibilidade de aumentar a oferta de alimento, em demanda no mundo", afirmou. "Mas é claro que se houvesse um esforço maior para exportar produtos de maior valor agregado seria melhor."
O economista-chefe da Funcex, Fernando Ribeiro, diz que o problema é que se o mercado doméstico continuar crescendo e as indústrias conseguiram canalizar para ele toda a produção, corre-se o risco de perder exportações em setores como automóveis, por exemplo.
"O setor industrial brasileiro tem um histórico de preferir o mercado doméstico e só exportar o excedente", afirma. "Se não for investimento novo, o excedente fica cada vez menor, até que toda a produção seja destinada ao mercado interno."
Divisas
O problema desta estratégia, diz Ribeiro, é que ela pode satisfazer aos interesses da empresa, mas é prejudicial ao país, que perde as divisas da exportação.
Ele diz que a concentração das exportações nos produtos básicos é ruim para o país, porque a economia fica dependente do desempenho de alguns poucos produtos, mas não concorda com o argumento de alguns economistas, de que este movimento pode levar a desindustrialização.
"É possível ter uma indústria nacional, suprindo o mercado interno, sofrendo a concorrência do importado, mas que não se dedique à exportação", afirma.
Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o real valorizado é o maior empecilho às exportações de bens industrializados.
"Não fosse o problema do câmbio, estaríamos vendendo muito mais em todo o mundo e, claro, gerando mais emprego e renda aqui no Brasil", afirmou recentemente o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.























