Os cenários da Fazenda
Publicado em 28/02/2008 16:09
O Banco Central anda confundindo até os próprios membros da área econômica do governo.
Ele tem dois desafios pela frente. Um deles, o risco de inflação – que só o BC enxerga. Na outra, um déficit de US$ 4 bilhões nas contas externas no primeiro mês do ano, e o dólar caindo a R$ 1,66.
Subir, manter ou derrubar os juros? Se sobe ou mantém, o dólar desaba mais ainda e o déficit externo se amplia. Se derruba os juros, o câmbio deixa de ajudar no combate à inflação.
As condições externas apontam para a necessidade imediata de uma redução dos juros. Caem os juros internacionais, há uma enorme liquidez disponível. Sem essa redução dos juros, haverá uma enxurrada adicional de capital especulativo, jogando o dólar para baixo dos R$ 1,60 e ampliando irresponsavelmente o rombo nas contas externas.
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Mesmo assim, os defensores dos juros altos vêm atuando em duas frentes marotas:
1. Provocar o Ministério da Fazenda, para alguma declaração mais incisiva a favor da queda de juros. Com isso, o BC teria o álibi para manter os juros elevados: “provar” para o mercado sua independência.
2. Parar de analisar a inflação como um todo – já que ela está dentro da meta – e se fixar em análises setoriais.
Durante muito tempo, o terrorismo inflacionário se concentrou na história do PIB potencial – segundo a qual a economia não poderia crescer acima de determinado percentual sem provocar inflação. Agora, esse álibi se esvaziou, e o terrorismo se concentra na inflação de serviços – que está em mais de 7% ao ano.
Em nenhum lugar do mundo ocorre uma elevação sistemática de preços puxada por cabeleireiros, manicures e outros profissionais. São preços que estão na ponta, que não influenciam outros preços – como é o caso de produtos agrícolas, matérias primas etc.
Para fazer a inflação de serviços cair de 7,5% para 4,5%, o BC teria que promover um choque de juros, uma parada na economia e uma apreciação brutal do real.
O desafio, agora, é impedir uma apreciação maior do real. Mas o BC tornou-se prisioneiro do terrorismo que endossou, no final do ano passado, a respeito dos rumos da inflação.
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No Ministério da Fazenda, segundo o Secretário de Acompanhamento e Preços Nelson Barbosa, trabalha-se com três cenários principais:
Cenário 1 – crise mais séria. A economia americana mergulharia em uma recessão, arrastaria a chinesa e derrubaria os preços das principais commodities, ao mesmo tempo em que aumentaria a aversão ao risco. Sempre foi visto como um cenário de baixa probabilidade de ocorrência.
Cenário 2 - o mais provável até a semana passada. Previa-se um dólar entre R$ 1,70 e R$ 1,80; um déficit em conta corrente de até US$ 5 bilhões, e um crescimento entre 4,5% e 5%.
Cenário 3: cenário de “descolamento da crise”, que começa a se tornar dominante nas últimas semanas. Preço de commodities crescendo; país próximo do “grau de investimento” (avaliação das agências de risco que atrairia mais dólares para o pais) e pressão muito grande sobre a dívida pública, já que
o país é credor em dólares. Ou seja, sempre que o dólar cai, a dívida pública aumenta.
Neste cenário, o desafio será segurar o rombo nas contas externas.























