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Não há justificativa para esconder gastos, diz Abramo

Publicado em 07/02/2008 11:45

IG

BRASÍLIA - Não há justificativa para esconder o governo gastos que faz. É esta a avaliação do diretor-executivo da Organização Não-Governamental (ONG) Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, diante da polêmica levantada pela divulgação, no Portal da Transparência da Controladoria Geral da União (CGU), de gastos de funcionários públicos com o cartão corporativo.

 

“Quando o cartão foi introduzido, em 2001, um dos argumentos principais era de que reduziria os custos de transação, o custo burocrático, o que parecia ser um argumento razoável. A gente não pode condenar o cartão antes de saber se, de fato, veio trazer ou não melhor eficiência”, disse Abramo em entrevista à Rádio Nacional.

Dados divulgados pelo Portal Transparência indicam que o cartão corporativo vem sendo utilizado para compras e saques em dinheiro. Para o especialista, a situação deve ser encarada “friamente”, sem que se caia em uma luta política entre governo e oposição ou mesmo em simples moralismo.

“Essa análise é a única coisa que poderá nos informar se o uso do cartão está sendo intrinsecamente ruim ou bom. Não adianta ficar chutando, dizendo 'Não é possível' sem ter essa informação”.

Diante da problemática, alguns parlamentares têm buscado apoio para abertura de uma CPI para apurar os gastos. Ontem (6) o governo publicou um decreto para tentar evitar novos problemas com o uso dos cartões corporativos. Dentre as medidas, os saques foram limitados a 30% do valor total, reservado para despesas emergenciais.

“Tem que tomar cuidado com esse tipo de coisa porque pode condenar o uso de um instrumento com base em informações insuficientes. A gente pode esperar que vai haver muito aquecimento em torno da questão mas pouca luz”.

Abramo discorda da utilização de casos como o da ministra da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, em disputas políticas, mas reconhece que a associação acontece, sobretudo em ano de eleições municipais, previstas para outubro.

“Na política, tudo se usa. Não acho isso natural. Os políticos deveriam não se aproveitar desse tipo de situação para objetivos que não são aqueles que refletem a melhor maneira de administrar o país. Mas aquilo que a gente gostaria não é o que os políticos fazem”.

Diante do caso que envolve gastos possivelmente excessivos com o cartão corporativo pela segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus familiares, Abramo reforça que não há justificativa para esconder gastos.

“Se existem despesas que precisariam ser mantidas em sigilo por causa da segurança dos familiares do presidente, do próprio presidente, de ex-presidentes, essas despesas tem que ser realizadas de outra forma e não meramente dando um cartão na mão de alguém que não vai prestar contas”.

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