Bancos brasileiros agem como se fossem cartel, afirma economista
Publicado em 27/02/2008 11:07
(1´56´´ / 457 Kb) - Os lucros obtidos pelos bancos brasileiros voltam a ser questionados por alguns economistas estudiosos do assunto. Bradesco, Itaú e Unibanco foram recordistas em lucros, atingindo aproximadamente R$ 20 bilhões em 2007. A economia brasileira passa por uma fase de relativa estabilidade. No entanto, o balanço financeiro dessas instituições mostra que a rentabilidade do setor não diminui mesmo em momentos de crise.
Segundo o economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Reinaldo Gonçalves, o fato se explica porque os bancos possuem o poder de estabelecer preços como se o setor fosse um cartel. Isso se dá pela cobrança de altas tarifas bancárias e pela oferta de crédito, que sofreu expansão de 30% em 2007, e que continua baseada numa alta taxa de juros, hoje em torno de 11,25%.
Para Reinaldo Gonçalves tanto o Banco Central como o Ministério da Fazenda, não se opõem ao abuso de poder por parte dos bancos. O mesmo critica a falta de regulamentação do setor e relaciona o poder econômico com o poder político exercido pelos mesmos.
“Deputados federais, senadores e o presidente da República são financiados em suas campanhas, em boa parte, pelos bancos. Então esses políticos não têm vontade e é contra seus interesses implantar um controle mais efetivo dos bancos”.
Os altos lucros obtidos pelos bancos em 2007, não implicam em crescimento econômico para o país. Segundo Reinaldo, os bancos possuem lucros anormais. A renda do país é então apropriada por esse setor de características meramente especulativas, sem ser revertida para outros setores responsáveis pela produção de bens e pela real geração de empregos e salários.
De São Paulo, da Radioagência NP, Juliano Domingues.























