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43,7% dos infectados com HIV descobrem doença tardiamente, aponta ministério

Publicado em 14/02/2008 17:49

IG

BRASÍLIA - Relatório das Nações Unidas revelou que, de 2003 a 2006, dos 115.441 mil pacientes com mais de 15 anos de idade e que vivem com HIV, 43,7% (50 mil pessoas) descobriram tardiamente a doença. Dessas, 28,7% (14 mil) morreram no início do tratamento.

 

Segundo o relatório “UNGASS: Resposta Brasileira à Epidemia de Aids 2005-2007", que faz um balanço da doença no Brasil e em outros 188 países, no Brasil há diferenças regionais que precisam ser analisadas e reduzidas.

Na região Sul, 59,2% da população infectada descobre a doença no chamado momento oportuno (quando ainda não está em estágio avançado) e 40,8% no momento tardio (quando a Aids já foi detectada). Na região Norte, esse número é considerado bem mais grave – 46,7% descobrem no momento oportuno, e 53,3%, no momento tardio.

“Em um País como o nosso, que dá acesso ao tratamento e ao diagnóstico de forma gratuita, esses números são inaceitáveis”, avalia a diretora do Programa de DST e Aids do Ministério da Saúde Mariângela Simão.

A diretora acredita que o início tardio do tratamento pode ser provocado por dificuldade no acesso ao diagnóstico e atendimento nos serviços públicos de saúde, mas também pelo medo de ser discriminado e estigmatizado por amigos e familiares. “Poucas pessoas buscam fazer o teste anti-HIV espontaneamente. Das pessoas que fazem o teste, apenas 8% são espontâneas”, revela.

Ela recomenda que as pessoas busquem o quanto antes fazer o teste se agiram de forma arriscada, ou seja, “se praticaram sexo sem camisinha”, disse, reafirmando a importância do preservativo na estratégia de redução da infecção.

A descoberta tardia da doença, além de aumentar a possibilidade de morte dos pacientes, encarece o tratamento para o Estado e eleva o número de transmissão da doença. Em 2003, foram destinados para ações, exames laboratoriais e campanhas educativas R$689 milhões, em 2007 esse número subiu para R$1.361 bilhão.

Para reverter a situação de diagnóstico tardio, o ministério ampliou acesso a testes rápidos em 140%, passando de 510 mil exames, em 20005, para mais de um milhão em 2007. Em 2005, foram priorizadas gestantes, população de difícil acesso e em maior vulnerabilidade. Em 2007, o número foi ampliado para outros serviços de saúde.

De acordo com o pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e consultor do relatório, Alexandre Granjeiro, é preciso que o teste esteja disponível para a população. “Quase 100% das pessoas para quem o teste é oferecido aceitam em fazê-lo. O problema é que o teste deve estar sugerido pelo órgão de saúde”, destacou.

Granjeiro acrescentou que os últimos números das estatísticas nacionais indicam que 600 mil pessoas são infectadas por ano mas desconhecem que tem o vírus. Ele reforçou que a tendência do diagnostico tardio é um problema mundial. 

Para o representante da sociedade civil do Fórum UNGASS, José Carlos Veloso, o problema também está na implementação das políticas nacionais em nível estadual e municipal. “Nas cidades, é preciso que a política municipal esteja comprometida com as políticas nacional e estadual. Muitas vezes temos programas que começam bem, mas quando se troca o gestor, a implementação do programa fica comprometido”, explica.

Apesar do aumento no número de pacientes em tratamento, o Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira a redução nos gastos com compra de anti-retrovirais (medicamentos usados no controle da Aids) de R$ 960 mi para R$ 710 milhões. A diminuição de 26% foi obtida, segundo o órgão, a partir de negociações de preço e licenças compulsórias, realizadas nos últimos anos.

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