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Candidatos do DEM são os que mais arrecadam

by Congresso em Foco — last modified 28-08-2008 10:52

Congresso em Foco

Parlamentares que vão disputar a eleição pelo partido arrecadaram um quarto dos R$ 6,7 milhões declarados pelos 86 deputados e senadores candidatos


Elza Fiúza/ABr

Lúcio Lambranho e Eduardo Militão

Em sua estréia nas eleições municipais depois que deixou para trás a marca do PFL, o DEM saiu na frente em relação aos adversários em um quesito: a arrecadação de recursos para a campanha de seus candidatos. Os nove deputados do partido que concorrerão à prefeitura em outubro já arrecadaram pelo menos R$ 1,67 milhão, um quarto dos R$ 6,7 milhões declarados pelos 86 deputados e senadores candidatos.

Dos quatro parlamentares que mais receberam dinheiro até agora, três são do DEM: Onyx Lorenzoni (RS), em Porto Alegre, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), em Salvador – primeiro e segundo colocados em arrecadação entre seus colegas –, e Solange Amaral (RJ), no Rio, que tem a quarta campanha com mais recursos. Juntos, apenas esses três receberam 22% (R$ 1,55 milhão) de tudo o que 82 deputados e quatro senadores candidatos conseguiram até o momento.

Além disso, considerando-se todas as campanhas em curso no país, a mais rica até agora é a do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), que já levantou R$ 2,64 milhões e gastou R$ 1,66 milhão.

Os dados fazem parte da primeira prestação de contas entregue pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o último dia 6. De acordo com levantamento feito pelo Congresso em Foco até o último dia 22, os parlamentares que concorrem ao cargo de prefeito estão em primeiro lugar na arrecadação de dinheiro para campanha em 20 (33%) das 59 cidades em que disputam.

O valor declarado pelos parlamentares representa 30% dos R$ 22 milhões arrecadados por todos os 280 concorrentes às prefeituras. Os números, porém, podem ser mudados, segundo o próprio TSE, pois algumas declarações ainda estão em processamento.

A DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS


Fonte: Congresso em Foco, com base em dados do TSE

Clique abaixo para conferir

Quanto os parlamentares candidatos arrecadaram

As cidades onde os parlamentares são líderes em arrecadação

A distribuição dos recursos por partido

Classificação dos parlamentares e de seus concorrentes

Prefeitos em vantagem

Mas, independentemente disso, uma coisa é certa: mesmo com influência política e projeção local nos estados de origem, deputados e senadores não demonstraram ainda o mesmo desempenho financeiro que os 20 prefeitos candidatos à reeleição, como revelou o Congresso em Foco (leia mais). Treze deles conseguiram mais receita do que os concorrentes, segundo os dados registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além disso, na média de arrecadação, os parlamentares ficaram com um valor somente um pouco acima do que seus concorrentes. Os congressistas conseguiram, em média, R$ 90 mil, enquanto seus adversários declararam, na primeira parcial da prestação de contas ao TSE, ter levantado R$ 81 mil.

Novamente, a média dos prefeitos que pretendem permanecer mais quatro anos no poder é bem superior à dos parlamentares. Em média, os 20 prefeitos candidatos arrecadaram R$ 355,9 mil e os outros 142 concorrentes, R$ 81,3 mil.

Outros partidos

Com 14 parlamentares candidatos, o PMDB é o segundo partido em arrecadação. Apesar de terem cinco congressistas candidatos a mais que o DEM, os peemedebistas arrecadaram R$ 1,3 milhão. Com a declaração de gastos de R$ 856 mil, o saldo também é um pouco menor do que o dos democratas: R$ 458 mil.

Mas a média de receita entre os dois partidos dá uma medida mais exata da dianteira do DEM sobre o PMDB. Os nove candidatos do DEM têm uma média de R$ 186 mil contra 93 mil dos peemedebistas.

Os deputados candidatos pelo partido do presidente Lula aparecem na terceira colocação entre os que mais arrecadaram até o momento. Os 14 petistas declararam ao TSE ter arrecadado R$ 9,73 milhões. Mas, na média de arrecadação, a legenda é apenas a sétima. Cada parlamentar do PT levantou até agora R$ 69,5 mil na busca por uma prefeitura.

Usando essa mesma média como comparação, o DEM não perde para nenhum outro partido. É seguido apenas de perto pelo PRB, com apenas um candidato, e média de R$ 167 mil. Na última colocação está o PP, cujos cinco parlamentares que pretendem ser prefeitos arrecadaram, em média, apenas R$ 8 mil até agora. Paulo Maluf (PP-SP), que tenta voltar ao comando da capital paulista, declarou ter arrecadado apenas R$ 1.884,62. Mas o deputado não tem motivo para se preocupar. Afinal, os gastos apontados por ele não passaram de R$ 184,62.

Sem registro

Até a conclusão deste levantamento, não constava a prestação de contas dos dois deputados candidatos a prefeito pelo PSC – Carlos Eduardo Cadoca (PE), em Recife, e Filipe Pereira (RJ), no Rio. Também não havia registro de outros três parlamentares que concorrem a prefeito. No caso de João Bittar (DEM-MG), candidato em Belo Horizonte, Nilmar Ruiz (DEM-TO), candidata em Palmas, e Edigar Mão Branca (PV-BA), candidato em Itapetinga, aparecia zero no espaço destinado aos valores. Mas, segundo o TSE, isso não quer dizer que os candidatos não prestaram contas, apenas que esses dados, por um motivo ou outro, ainda não foram processados.

Entre os 82 deputados que estão de olho no Executivo, cinco concorrem na condição de vice. Nesses casos, porém, a prestação de contas recai sobre o cabeça de chapa. Por isso, não há valor atribuído a eles.

Fartura de dinheiro

Há 59 cidades onde os parlamentares disputam o cargo de prefeito ou vice-prefeito. Entre os 280 concorrentes, o ex-líder do DEM na Câmara, deputado Onyx Lorenzoni, aparece em nono lugar na arrecadação. Mas ele é o primeiro entre seus colegas de parlamento.

O deputado gaúcho (veja a tabela), candidato a prefeito de Porto Alegre, declarou ter arrecadado R$ 606 mil. Tem um saldo de R$ 132 mil em caixa. Ele é seguido de perto pelo atual líder de seu partido na Câmara, ACM Neto (BA), com R$ 500 mil de arrecadação. O deputado baiano, porém, apresenta saldo maior do que o do colega gaúcho. A diferença entre a receita e a despesa, segundo a parcial, era de R$ 261 mil. O neto do ex-senador Antonio Carlos Magalhães disputa a prefeitura de Salvador.

Na classificação dos parlamentares que mais conseguiram recursos até aqui, os dois deputados do DEM são seguidos por Francisco Rossi (PMDB-SP), que disputa a eleição em Osasco (SP), com R$ 440 mil. Logo atrás dele, outro nome do DEM. A deputada Solange Amaral, candidata à prefeitura do Rio de Janeiro, diz ter arrecadado R$ 409 mil.

A diferença entre os três candidatos do DEM nas três capitais é que apenas Onyx Lorenzoni tem receita maior do que todos os adversários em Porto Alegre. Ele está bem à frente da segunda colocada em arrecadação, a deputada Manuela D'Ávila (PCdoB), com R$ 124 mil.

ACM Neto perde por pouco, mas justamente para o prefeito de Salvador e candidato à reeleição, João Henrique (PMDB), com R$ 503 mil. Solange Amaral, apesar do apoio do prefeito César Maia, também fica atrás do candidato Eduardo Paes (PMDB), que tem R$ 569 mil. O peemedebista é apoiado pelo governador Sérgio Cabral Filho, seu correligionário.   

Onyx na frente

O tesoureiro do DEM, Saulo Queiroz, disse ao site que não há por parte do partido nenhuma estratégia específica ou nova para justificar o volume de arrecadação dos parlamentares candidatos.

Segundo Queiroz, cada candidato tem sua estratégia própria para arrecadar e o diretório central do partido doou uma média de cerca de 20% de tudo que os seus candidatos conseguiram levantar até o momento.

O tesoureiro admite ter ficado surpreso com as doações conseguidas por Onyx. "A arrecadação dele até agora foi brilhante, considerando que está oscilando entre 4° ou 5° lugar nas pesquisas de opinião", avalia Queiroz.

Já o responsável pelas finanças da campanha de Onyx, José Francisco Ferreira da Luz, garante que não há surpresa alguma no fato de o deputado ser o campeão em recursos entre seus colegas candidatos. De acordo com ele, o volume de arrecadação do ex-líder do DEM tem relação direta com suas propostas para reduzir os impostos cobrados na capital gaúcha.

"O vice-governador do DEM, Paulo Feijó, conseguiu impedir o aumento do ICMS no estado, e o Onyx vai fazer o mesmo na prefeitura. Isso tem atraído doações, principalmente, pequenos e médios empresários", justifica.

Parlamentares em desvantagem

Octaciano Nogueira, professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), acredita que os parlamentares levam uma "desvantagem enorme" em relação aos prefeitos candidatos à reeleição.

Deputados e senadores, diz Nogueira, têm apenas emendas no Orçamento da União ao contrário do prefeito de capitais e de médias cidades, que tem orçamentos maiores desde a Constituição de 1988. "Se o parlamentar for de oposição, suas emendas podem até não sair ou chegar aos seus estados a conta gotas. O povo não sabe quem foi que levou o dinheiro", avalia.

O caso da capital gaúcha, onde o deputado Onyx Lorenzoni tem arrecadação bem acima do atual prefeito, José Fogaça (PMDB), é uma exceção a essa regra. "Lá o PT governou a prefeitura por 16 anos e a máquina ainda está nas mãos do PT. Além disso, o estado e a prefeitura estão em grande dificuldade financeira", diz o professor da UnB.

Fogaça é apenas o quarto em arrecadação em Porto Alegre, com R$ 49 mil declarados. Ele também perde para as deputadas candidatas Manuela D'Ávila (PCdoB), com R$ 124 mil, e Maria do Rosário (PT), com R$ 121 mil.

Deputado na bronca

Candidato a prefeito na maior cidade do país, o deputado Ivan Valente (Psol), considera que a eleição no Brasil é "anti-democrática e desigual", quando se observa a arrecadação dos seus adversários. O atual prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), declarou uma arrecadação de R$ 2,6 milhões contra os R$ 60 mil do candidato do Psol.

"Por isso, defendemos o financiamento público de campanha na reforma política. A nossa dificuldade é natural, mas o Psol não contrata cabos eleitorais como os milhares que estão sendo contratados em São Paulo. Hoje não há mais militância em nenhum dos partidos, inclusive no PT", reclama o ex-petista.

Além de criticar essa prática e reclamar que o poder econômico domina as eleições, Valente diz que seu partido só aceita doações de pessoas físicas. "Pelo teto de gastos de R$ 30 milhões e R$ 25 milhões dos outros candidatos, é fácil saber que eles vão receber doações de grandes empresas e dos bancos", diz.  

Dos 15 partidos que têm parlamentares candidatos a prefeito, o Psol é o 11º em arrecadação. O partido declarou à Justiça eleitoral ter levantado R$ 116,16 mil na primeira parcial da prestação de contas. Os três candidatos da legenda têm, em média, receita de R$ 38,72 mil.

A campanha nas capitais está mais cara. Segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo, a arrecadação dos candidatos aumentou 83,5% se comparadas com as primeiras parciais apresentadas há quatro anos. Como mostrou o Congresso em Foco, R$ 18,6 milhões foram depositados nas contas de 162 candidatos das 26 capitais brasileiras até o momento.