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A revolução dos pequenos

Publicado em 01/04/2008 09:42

Blog Luis Nassif

Neste momento, o mundo passa por uma revolução ampla. A crise atual é apenas o final de um ciclo de financeirização da economia, da busca obsessiva por resultados, da suposição que a abertura ampla e irrestrita aos capitais internacionais traria o desenvolvimento e a inclusão social.

Esse modelo esgotou-se e está sendo revisto mundialmente.

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E no Brasil? Nos últimos vinte anos, lentamente – como são todos os processos internos – o país conseguiu a estabilidade econômica e passou a encarar de uma vez por todas a questão da inclusão social. É todo um processo, que começa com o vale-leite no governo Sarney, amplia para um conjunto de programas sociais no governo FHC e, finalmente, ganha escala nacional no governo Lula, com a Bolsa Família.

E agora?

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Já escrevi várias vezes que considero o período atual muito similar aos anos 20: fim de um processo de financeirização, esgotamento do internacionalismo rastaqüera que marcava a elite brasileira, redescoberta dos valores nacionais.

É nesse período que começa a se moldar uma nova cultura brasileira, de um lado na descoberta do folclore, de outro no desenvolvimento de uma cultura urbana. Os pioneiros dessa nova cultura, os novos heróis urbanos são músicos, compositores, cantores alinhados com a tecnologia mais moderna da época: discos e rádio. Não eram simplesmente pequenos e do povo: eram modernos.

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O novo personagem-padrão brasileiro deverá ter essas características, tem que ser um personagem contemporâneo, moldado em cima do novo.

A grande revolução contemporânea é o conceito de comunidade, trazido pela Internet. Será a força propulsora das próximas décadas. Através das comunidades, pessoas trocam idéias, informações, vendem produtos, somam esforços. O trabalho em rede – que tem merecido estudos pioneiros do espanhol Manuel Castels – é a grande revolução que irá aumentar o poder dos pequenos.

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Compare os Arranjos Produtivos Locais (APLs) tradicionais com as possibilidades do novo modelo. Pelos APLs, juntam-se pequenas empresas localizadas em uma mesma região e fabricando o mesmo produto. Define-se um objetivo comum: de exportar. Essas empresas têm que aprender a trabalhar em conjunto (difícil para quem sempre foi individualista), comprar em conjunto, seguir as recomendações do grupo e aprender a exportar.

Agora, imagine o seguinte:

1. Monta-se um enorme banco de dados nacional, com empresas de um mesmo setor atuando em várias regiões.

2. O SEBRAE (ou o sistema S) monta um trabalho de certificação. Com o selo, fica assegurado que a empresa trabalha de acordo com padrões aceitáveis de qualidade.

3. Aí cria-se uma segunda figura, a da pequena trading especializada, incumbida de prospectar o mercado internacional, descobrir nichos de oportunidade e bancar o desenvolvimento do produto.

4. Feito isso, basta ir até o banco de dados e encaminhar (via Internet) as encomendas às empresas certificadas.

É o mesmo que comparar o trem a vapor com o trem bala.

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São essas experiências que precisarão ser estimuladas, para que o novo apareça e sirva de exemplo.

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