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Conselho de Ética aprova parecer contra Renan

Publicado em 27/11/2006 16:53

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IG/Último Segundo

O Conselho de Ética do Senado aprovou nesta quarta-feira, por 11 votos a favor e quatro contra, o parecer dos relatores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) que recomenda a cassação do presidente do senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Com esse resultado, o parecer pela cassação vai a votação secreta no Plenário do Senado, após passar pela análise de uma sessão extraordinária da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ainda na tarde desta quarta.

O resultado no Conselho de Ética já era esperado, principalmente porque na semana passada seus membros já tinham dado essa sinalização ao decidirem, por dez votos a cinco, que a votação seria aberta, ou seja, como votos declarados publicamente pelos senadores. A votação secreta seria favorável a Renan porque alguns membros se sentiriam constrangidos perante a opinião pública a votarem favoravelmente a Renan Calheiros.

Nesta terça-feira, o presidente da CCJ, senador Marco Maciel (DEM-PE), informou ao líder do Democratas no Senado, José Agripino Maia (RN), que iria agilizar a tramitação do projeto para possibilitar a votação em Plenário na próxima semana.
 
Apesar do resultado desfavorável no Conselho de Ética, o clima no Senado é de absolvição de Renan. Até os senadores contrários a Calheiros já admitem a derrota em Plenário, onde existe a proteção do voto secreto.

O vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), observou um movimento para absolver o presidente da Casa. "O ambiente político que se observa e se pressente é que há uma condenação no Conselho de Ética, a manutenção do parecer na CCJ e que possa haver uma absolvição de Renan no Plenário", disse ontem o petista.

Voto separado pela absolvição

O senador Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos membros da “tropa de choque” de Renan Calheiros, foi o primeiro senador a se manifestar na reunião do Conselho de Ética para a votação do parecer pedindo a cassação do senador alagoano. Salgado apresentou um voto em separado (recurso usado pelos parlamentares para expressar sua opinião, além do voto) para defender o presidente do Senado. 

Entre as acusações contra Renan rebatidas por Wellington Salgado, foi destacada a suposta relação indevida com o lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, de quem Renan teria recebido dinheiro para pagar despesas pessoais.  

“Nada nos autos (do processo contra Renan) afirma que efetivamente foi realizado qualquer pagamento pela Mendes Júnior seja ao representado, seja à senhora Mônica Veloso. Para mim, o relacionamento de amizade de um senador com um  funcionário de empreiteira não caracterizaria quebra de decoro”, disse Wellington Salgado, na leitura de seu voto.  

Em seu texto, o peemedebista também disse que os documentos apresentados por Renan efetivamente serviram para comprovar sua renda, principalmente as declarações de bens rurais periciadas pela Polícia Federal (PF) - embora a PF tenha apontado inconsistências na defesa do senador.

Longa discussão

A senadora Marisa Serrano, relatora do processo, usou a palavra após Wellington Salgado e atacou argumentos do peemedebista. A relatora usou principalmente a perícia da PF para ressaltar que Renan Calheiros não conseguiu provar sua inocência.
 
"Em nenhum momento o senador Renan Calheiros provou que pagou (pensão alimentícia) à senhora Mônica Veloso. (...) Se a PF não conseguiu provar, e é uma perícia idônea, (...) não tem como nós, que nao somos peritos, dizermos o contrário", alegou Marisa Serrano.

Após a fala da relatora, o outro relator que assinou o parecer desfavorável a Renan, senador Renato Casagrande, usou argumentos parecidos contra o voto em separado de Wellington Salgado. Casagrande disse que o Salgado “reinterpretou” a perícia feita pela Polícia Federal para dar a impressão que os peritos concluíram pela inocência do presidente do Senado.

O relator enfatizou que a perícia apontou inconsistências na defesa de Renan e acrescentou: “Ninguém tem dúvida da credibilidade do trabalho feito pelos peritos”. 

Peemedebista apóia Salgado  

Após os dois relatores contrários a Renan, foi a vez do relator aliado de Renan, senador Almeida Lima (PMDB-SE), discursar para defender o presidente da Casa. Ele elogiou o voto em separado do correligionário Wellington Salgado.
 
"O voto de vossa excelência é 'irrespondível'. Se houver a votação em Plenário (em caso de aprovação do parecer contrário a Renan), o senadores terão tempo para comparar seu voto aos votos dos relatores Renato Casagrande e Marisa Serrano", disse Almeida Lima.

Senadores se manifestam

Além de Renato Casagrande e Marisa Serrano, autores do relatório que pede a cassação de Calheiros, outros senadores se manifestaram de maneira contrária ao voto em separado de Wellington Salgado. O líder do PSDB, Arthur Virgílio, defendeu o relatório original e disse ser impossível discordar do pedido de cassação. "Seria inadmissível desqualificar o que apresentaram aqui o senador Renato Casagrande e a senadora Marisa Serrano".
 
O também tucano, Marconi Perillo, foi outro a criticar os textos de Salgado e de Almeida Lima, que, para ele, “restringem-se ao exercício de retórica difusa” e não comprovam a inocência de Renan Calheiros. Demóstenes Torres (DEM-TO) foi mais longe e disse não ter dúvidas que o presidente do Senado quebrou o decoro parlamentar. Para ele, o texto de Salgado tenta apenas "semear a cizânia e a discórdia".

Confiança

Renan chegou confiante hoje ao Senado. "Vamos ganhar, é ter calma", afirmou aos jornalistas. Ele acompanha a sessão de seu gabinete.

Depois de exatamente três meses de tramitação da representação do PSOL, Renan não conseguiu explicar suas ligações com o lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo, que entregava à jornalista Mônica Veloso (com quem tem uma filha de três anos) dinheiro para custear suas despesas pessoais. Ontem, Renan fez mais um discurso para se defender, que não pareceu ser suficiente para mudar posições.

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Comentários (1)

Januária 23/10/2007 12:35
É preciso comentar o óbvio, mas se em outros países os corruptos se suicidam, pulam das janelas de seus flats, cortam suas tripas. É de louvar o procedimento "quase pacífico" com que foi encaminhado este processo todo.
Desde o primeiro momento que a revista publicou até este final, fica o mérito para a revista e o maior pecado para os parlamentares que ainda não "caiu a ficha". A população não é besta, pode ser meio sonza, mas é um "mineirismo" de olhar os políticos recebendo um mundo de salário para não serem corrompidos (sic), participando com olhos de fiscal, apenas para tirar proveito proprio de algumas "aprovações". Se o ministério do meio ambiente receber por quilometro autorizado para desmatamento em mesma proporção do renan, logo, logo teremos uma incra-gate. Abraço e Renan, não apareça.
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