Ação contra corruptos - entrevista Luiz Fernando Corrêa
Publicado em 27/11/2006 16:53
Diretor-geral da PF quer ampliar fogo contra crime organizado e direcionar apurações para os estados
Edson Luiz
Da equipe do Correio
O novo diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, afirmou ontem que a PF vai continuar realizando grandes operações, como as realizadas no período de seu antecessor, Paulo Lacerda. Uma das prioridades continuará sendo o combate à corrupção que, para ele, se tornou uma “normalidade” dentro da instituição. “A sociedade não aceita mais a corrupção”, disse ele, considerando que agora a meta é direcionar o trabalho para os estados e ajudar as forças policiais locais na repressão aos crimes comuns, acabando com grupos de extermínio, como aconteceu recentemente no Nordeste.
Corrêa reafirmou que todos os excessos serão coibidos, como mostrar pessoas presas de forma “humilhante”. Ex-sindicalista — ele foi diretor do primeiro sindicato dos policiais federais no Brasil — e responsável pela implantação das escutas telefônicas em investigações, o diretor-geral é contra o uso de interceptações pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), dirigida a partir de agora por Lacerda que, por sua vez, admite o uso de grampos somente contra crimes de sabotagem e terrorismo. Mesmo admitindo que é um mecanismo moderno, o diretor da PF acha que as escutas não é o mais eficiente no combate ao crime. “Ele racionaliza o efetivo, mas há meios melhores”, diz Corrêa. A seguir os principais pontos da entrevista:
Ação contra corruptos
Forma de atuação As operações da PF vão obedecer um manual que está em fase de análise por vários setores da instituição. Coibir os excessos não agride a atuação da polícia. Quando se fala na exposição excessiva é não expor pessoas em situação humilhante. Não é preciso execrá-las. Não será mais regra não chamar a imprensa para as operações. No entanto, não deveremos excluir o uso de algemas, considerada como símbolo de um estado atuante. As viaturas da PF serão modificadas e o camburão (onde os presos são levados) deixarão de existir. Operações Muda o diretor, mas as unidades da Polícia Federal continuaram seu trabalho. Na terça-feira, houve grandes operações no Rio Grande do Sul e em Juazeiro (BA). Combater a corrupção entrou na normalidade e a PF agora vai ajudar as forças policiais estaduais. O nível de capacidade no combate às organizações criminosas vai fatalmente atingir os desvios de conduta de agentes públicos. Escolha para o cargo Dez dias após a final dos Jogos Pan-Americanos, fui avisado pelo ministro Tarso Genro de que poderia ir para a direção-geral da Policia Federal. Depois disso, só na quarta-feira retrasada que o assunto foi retomado numa reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro e o ex-diretor da PF Paulo Lacerda. Neste momento o convite oficial foi recebido. Sindicatos Fui ex-diretor do primeiro sindicato de policiais federais, nasci no Rio Grande do Sul, recebi apoio das instituições e acredito que isso será fundamental para meu trabalho. Mudanças As substituições nas superintendências estaduais ocorrerão dentro do cronograma traçado por Paulo Lacerda, que é rodízio de delegados a cada três anos. A diferença é que, quando houver mudanças, ela será feita em todos os níveis dentro das unidades regionais. Atualmente só tivemos nomeações em três superintendências que estavam vagas. Grampos Tem que ser feito com ordem judicial e por tempo determinado e com prestação de contas à Justiça sobre o andamento. Não é uma ferramenta fundamental para a investigação, como a vigilância do investigado. No entanto, racionaliza o trabalho do efetivo e tem que ser controlado. Na Polícia Federal, existem setores que cuidam da segurança interna do país e, por isso, é que sou contra a autorização para que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) faça escutas. Antigos dirigentes Os que não se aposentarem serão utilizados e já foram chamados para conversar. Ninguém pediu nada em troca, decidiram colaborar dentro de suas áreas de atuação, independentes de cargos, e aceitaram fazer a transição. Recomendação O ministro Tarso Genro não deu nenhuma recomendação. Os novos diretores da PF só foram apresentados um dia antes da posse. A relação do diretor da Polícia Federal com o ministro da Justiça é histórica pois as relações são afinadas. Começou com o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos e Paulo Lacerda e continua agora. |
Estratégia para os próximos 15 anos
A escolha de seis delegados jovens para as diretorias da Polícia Federal teve uma razão. Além de renovar a instituição, eles serão responsáveis pela elaboração das diretrizes da PF para os próximos 15 anos. Com formação superior em suas áreas de atuação, ficará a cargo deles as próximas mudanças, que serão nas coordenações-gerais, o nível abaixo das diretorias. Todos eles possuem curso de formação superior de polícia. “A diretoria tem um ponto em comum: a geração”, afirma o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa. Segundo ele, os seis diretores, além do chefe de gabinete, Rômulo Berredo, vão estudar meios para avaliar principalmente qual a capacidade operacional da PF em 2022 para fazer um comparativo em relação a 2007. “Por exemplo, precisamos saber quantos homens é preciso até 2022”, explica Corrêa. Diariamente o grupo vai se reunir, independente das atividades normais de suas áreas, para trabalhar no planejamento estratégico da instituição. As tarefas maiores ficarão a cargo de Joaquim Mesquita, diretor de Administração e Logística Policial, que cuidará de toda a estrutura da PF, enquanto que Luiz Pontel de Souza, será responsável pelo planejamento de pessoal, que é a diretoria que passa a ocupar. “Este processo que estamos fazendo, que é o planejamento estratégico é para acompanhar o crescimento da Polícia Federal nos próximos anos”, acrescenta Corrêa. |
| Perfil dos novos diretores Luiz Pontel de Souza Será o diretor de Gestão de Pessoal e é especialista em metodologia do ensino superior pela Universidade de Brasília e especialista em gestão de política de segurança pública (MBA) pela Fundação Getúlio Vargas. Roberto Ciciliati Troncon Filho Será o diretor de Combate ao Crime Organizado, área em que atua em São Paulo. Possui MBA pela Fundação Getúlio Vargas na área de segurança pública e cursos de formação profissional em vários países. Joaquim Cláudio Figueiredo Mesquita Será diretor de Logística Policial e é o atual coordenador-geral de Polícia Fazendária da PF, também tem MBA pela Fundação Getúlio Vargas e é pós-graduado em Administração Pública pela Universidade de Rondônia. Daniel Lorenz de Azevedo Superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso, atualmente, será o diretor de Inteligência Policial. Tem cursos de especialização em vários países. Foi chefe do Comando de Operações Táticas (COT) da PF. Romero Lucena Menezes Ex-superintendente da PF e atual secretário de Defesa Social de Pernambuco, também foi superintendente em Brasília e trabalhou na área operacional da Diretoria Executiva da PF, que chefiará, a partir de agora. Paulo Roberto Fagundes Perito criminal, vai dirigir a Diretoria Técnico-Científica. Foi responsável pelo programa de implantação de laboratórios de DNA em vários estados, quando esteve na Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). |


























Quem estiver interessado: http://www.escolademestres.com