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Planalto e aliados buscam saída honrosa para Renan

Publicado em 27/11/2006 16:53

Blog Josias de Souza

Blog Josias de Souza


 

Renan: "Quem quiser, vai ter que subir no pé e retirar o coco com as próprias mãos"

 

Autorizados por Lula, políticos ligados a Renan Calheiros deflagraram uma articulação para tentar retirá-lo da presidência do Senado. Busca-se uma fórmula que assegure a Renan uma “saída honrosa”. Passaria pela preservação do seu mandato. A estratégia desenrola-se em duas frentes:

 

1. O ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) e o líder de Lula no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) esforçam-se para convencer Renan a deixar o comando do Senado;

 

2. Romero Jucá e dois aliados tucanos de Renan -Teotônio Vilela Filho, governador de Alagoas, e o senador João Tenório (PSDB-AL)- começaram a dialogar, nos subterrâneos, com lideranças da oposição.

 

Nesta quarta-feira (10), depois de reunir-se reservadamente com Lula, Jucá esteve, à noite, na residência oficial de Renan. Estava acompanhado de Sarney. No papel de água mole que bate em pedra dura, a dupla insistiu para que Renan deixe a presidência do Senado.

 

Não é a primeira tentativa. Agora, porém, Jucá e Sarney contam com a ajuda da conjuntura. O cinturão político que protegia Renan já não existe. Foi rompido pela propensão de desembarque de Lula e pela adesão da maioria da bancada do PT à tese de que Renan precisa deixar a presidência do Senado. Uma posição que ganha adeptos em outras legendas associadas ao consórcio governista.

 

Na noite da véspera, Teotônio Vilela e João Tenório já haviam começado a conversar com lideranças do PSDB e do DEM. Sondam o terreno para saber até que ponto a oposição se disporia a negociar. Nesta quarta, também Romero Jucá consultou líderes oposicionistas. Descobriu-se o seguinte: já não há espaço para trocar a preservação do mandato de Renan por um simples pedido de licença.

 

Qualquer negociação passaria pela renúncia de Renan à presidência do Senado. Vencida essa pré-condição, seria necessário dar uma resposta à opinião pública. Uma das lideranças oposicionistas consultadas admitiu, em termos muito incipientes, a hipótese de consultar a sua bancada, para aferir até que ponto prosperaria a idéia de impor a Renan uma pena mais branda do que a cassação –advertência escrita ou a suspensão do exercício do mandato por alguns meses, por exemplo. No PT, a avaliação é a de que não haveria resistência à tese da pena alternativa.

 

O avanço das negociações esbarra, porém, na renitência de Renan. Antes de avistar-se com Jucá e Sarney, ele fizera declarações que indicam uma disposição de luta incompatível com a nova conjuntura. Menos de 24 horas depois de ter ouvido em plenário uma dúzia de exortações para que deixe o cargo, Renan comparou-se a um coco: "Rapaz, para tirar o coco, não basta balançar o pé que ele não cai. Quem quiser, vai ter que subir no pé e retirar o coco com as próprias mãos."

 

No final da tarde desta quarta, um grupo de oposicionistas reuniu-se para avaliar a conjuntura. Concluiu-se que: 1) a chegada da emenda da CPMF ao Senado arrancou Lula de sua passividade; 2) a nomeação de Jefferson Peres (PDT-AM) para relatar o processo em que Renan é acusado de comprar empresas de comunicação alagoanas por meio de laranjas repôs as investigações do Conselho de Ética nos trilhos.

 

O próximo final de semana será marcado por intensas negociações. O ambiente, antes favorável a Renan, passou a ser francamente adverso a ele. Noves fora as defecções petistas, Lula convenceu-se de que, conturbado do jeito que está, o cenário do Senado põe em risco a prorrogação da CPMF. Disse, reservadamente, que a solução para a crise Renan deve ser encontrada no âmbito do próprio Senado. Mas insinuou claramente que, num segundo julgamento, o senador não contará mais com o suporte do Planalto.

 

Lula prefere que a saída de Renan se dê por meio de uma licença. Hipótese que alçaria ao comando do Senado o petista Tião Viana (AC), vice-presidente da Casa. O problema é que, a essa altura, só a renúncia parece interessar à oposição. Vingando essa alternativa, o governo teria dois problemas para administrar: a negociação da CPMF e a eleição de um novo presidente para o Senado. De resto, se optar pela permanência no cargo, Renan Calheiros, embora combalido, pode cobrar caro o abandono do governo.

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