Protestos contra Bush unificam leque amplo de organizações
Publicado em 27/11/2006 16:53
Maior mobilização ocorre dia 8 em São Paulo, unificando as comemorações pelo dia internacional da mulher. Juventude promete mostrar repúdio a Bush também no dia 9, apesar dos esforços da Polícia Federal para que o presidente americano não ouça e veja nada.
Verena Glass - Carta Maior
SÃO
PAULO – Enfraquecido no próprio país após a derrota eleitoral dos
republicanos nas eleições de novembro passado e as catastróficas
campanhas militares no Oriente Médio, o presidente dos EUA, George W.
Bush, se volta agora para a América Latina com um apelo “ambientalista”
– a promoção do etanol – e “social” - a tomar pelo seu discurso desta
segunda (5) na Câmara de Comércio Hispânico (“Quero falar de outra
prioridade para o nosso país, que é ajudar os vizinhos do Sul a ter uma
vida melhor e mais produtiva. (...) Apesar dos avanços, dezenas de
milhões no nosso hemisfério continuam encalhados na pobreza e excluídos
das promessas do novo século. Minha mensagem para estes ‘trabajadores y
campesinos’ é que vocês têm um amigo nos EUA. Nós nos importamos com os
seus problemas”).
À repentina doçura de Bush, a resposta do
“Brasil das ruas”, que deve ser mantido meticulosamente longe do
presidente americano pelas forças de segurança brasileiras e de seu
país, será uma apoteótica manifestação na Avenida Paulista, em São
Paulo, garantem movimentos sociais e partidos políticos.
“O
que vem fazer aqui esse carniceiro do povo iraquiano? Ele organiza um
giro pelo Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México buscando apoio
para prosseguir sua política, como a vergonhosa ocupação da ONU no
Haiti (com o comando das tropas brasileiras) que esmaga a soberania da
nação e assassina o povo haitiano. Bush vem atrás de acordos comerciais
para continuar alimentando o imperialismo estadunidense.
Depois da
derrota eleitoral, Bush agora quer um consenso”, diz o documento da
Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), principal organizadora da
passeata que, integrada às comemorações pelo dia internacional da
mulher neste 8 de março, se concentra às 15h da Praça Osvaldo Cruz e
segue até o vão livre do Masp, onde devem ocorrer uma série de
manifestações políticas e culturais.
A manifestação contra Bush
no dia 8 em São Paulo, que, segundo os organizadores, deve reunir cerca
de 20 mil pessoas, unificou um leque amplo de organizações e partido
políticos. Além dos movimentos que constituem a CMS – MST, CUT, UNE e
demais entidades estudantis, Conlutas, Marcha Mundial de Mulheres,
Confederação Nacional das Associações de Moradia, Central de Movimentos
Populares e demais movimentos de moradia, entre outros, PSTU, PSOL,
PCB, PC do B e PT tiraram apoio oficial ao ato e estimularam seus
filiados a participar.
“A posição do PT é de apoiar as
manifestações e orientar os filiados a participar. A política do
[presidente] Bush é nociva para a América Latina e para o Brasil. Da
última vez em que esteve no Brasil, em 2005, a posição do partido foi
essa”, afirma Valter Pomar, secretario de relação internacionais do PT.
Também
o PC do B adotou oficialmente a posição de repúdio ao presidente dos
EUA e de participação das manifestações. Segundo Altamiro Borges,
secretário de comunicação do partido, “resolvemos participar por tudo
que Bush representa: a política pautada no imperialismo, o belicismo,
as torturas no Iraque, por ser o responsável pelo assassinato de 700
mil pessoas naquele país, por não assinar o Tratado de Quioto (contra o
aquecimento global), etc”.
Sobre as negociações do governo
brasileiro com Bush, Borges acredita que é função do Estado negociar
com todos os países. “A negociação com os EUA é uma pauta comercial”,
defende, mas acha que uma possível tentativa do americano de discutir a
Venezuela é descabida. “[O presidente venezuelano Hugo] Chávez tem mais
legitimidade do que Bush, que ganhou uma eleição fraudada em 2000. Mas
mesmo no aspecto econômico o Brasil deve ser cauteloso, uma vez que os
EUA são muito firmes na defesa de sua economia”.
Mapa das mobilizações
Além
da manifestação na Paulista, entidades estudantis, sindicais e
juventudes partidárias devem promover manifestações também no dia 9. A
proposta é concentrar de manhã no monumento às Bandeiras, na Avenida
República do Líbano, e formar um "Comando de Caça" para localizar o
presidente. Se isto for possível, a idéia é seguir em passeata para
onde Bush estiver, ou então para o consulado americano (Rua Henri
Dunant, 500, Chácara Santo Antônio).
Participantes da Assembléia
Popular, evento que reúne em São Paulo movimentos sociais de todo o
estado entre 9 e 11, também devem fazer uma manifestação no dia 9,
promovendo um almoço de bananas e marmitas em um Mc Donalds do centro.
Ainda
no dia 8, vários movimentos sociais de outros estados devem incluir à
pauta da comemoração do dia da mulher os protestos à visita de Bush.
Em
Fortaleza, a CMS participa da atividade do 8 de março pela manhã com
uma ala “Fora Bush”, e no período da tarde realizará a atividade da
CMS, em frente ao Macdonald (Rua: Barão do Rio Branco), onde
distribuirá tapioca.
Em Salvador, haverá uma manifestação "8 de março-Fora Bush às 14h, no Campo Grande.
Em
Goiânia, as atividades do dia da mulher acontecerão das 09 às 12h na
Praça do Bandeirante, e às 20h a CMS promove um ato “Fora Bush” na
Praça Universitária
Campo Grande realiza um ato “Mulheres pela paz. Fora Bush!” na praça Ari Coelho – centro de Campo Grande às 9h00.
Porto
Alegre prepara uma caminhada do 8 de março com concentração no Largo
Glênio Peres das 09 às 11h, e depois um ato político (com falação das
representações).























