Organização Internacional do Trabalho diz que emenda nº 3 ameaça combate ao trabalho escravo
Publicado em 27/11/2006 16:53
Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O destaque internacional obtido pelo Brasil no combate ao
trabalho escravo está ameaçado pela aprovação da Emenda nº 3 da lei que
cria a Super Receita, avalia a Organização Internacional do Trabalho
(OIT). De acordo com a coordenadora nacional do Projeto de Combate ao
Trabalho Escravo da OIT, Patricia Audi, o Brasil vem sendo reconhecido
como exemplo no assunto, principalmente graças à atuação dos auditores
fiscais do trabalho.
“Uma vez que os fiscais não poderão mais
reconhecer o vínculo trabalhista, nós teremos um retrocesso da posição
do país em relação ao combate ao trabalho escravo”, declarou Patricia.
“Podemos até mesmo falar de um retrocesso dos esforços que vêm sendo
feitos há quatro anos e que elevaram o país à posição de destaque
internacional”.
Patricia Audi explicou que a Comissão Nacional
para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) aprovou, no último
dia 8, uma moção favorável ao veto da emenda nº 3, de forma que a OIT,
que integra a comissão, apóia as entidades brasileiras contrárias à
emenda.
A coordenador destaca os esforços do governo brasileiro
para erradicar o trabalho infantil como “exemplares”, mas afirma que a
restrição na atuação dos fiscais do trabalho vai inviabilizar o
trabalho que vem sendo feito. “Com base nos autos de infração dos
fiscais, os responsáveis vêm sendo punidos. Já temos condenações por
danos morais, confirmadas pela Justiça do Trabalho, na ordem de R$ 3
milhões de reais. Com base na lista suja do Ministério do Trabalho,
identificamos a cadeia produtiva do trabalho escravo e firmamos um
pacto pelo qual as grandes empresas se comprometem a não comprar
produtos oriundos dessa mão-de-obra escrava. Sem a fiscalização, todo
esse trabalho estará perdido”.
Patricia Audi diz que,
desde o ano de 1995, mais de 25 mil trabalhadores mantidos em regime
semelhante à escravidão já foram libertados. Segundo ela, as atividades
relacionadas à devastação de florestas para a criação de pastos e de
insumos agrícolas são as que mais empregam trabalhadores escravos.
“Oitenta por cento dos casos registrados se encontram na pecuária.
Outros dez por cento estão divididos entre o plantio de soja e de
algodão. O plantio de cana-de-açúcar responde por outros três por cento
e o restante se distribui por várias outras atividades”.























