Manifestantes marcham em Brasília, Rio e São Paulo contra visita de Bush
Publicado em 27/11/2006 16:53
Bruno Bocchini, Vladimir Platonow, Raquel Mariano
Da Agência Brasil
Brasília - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi o alvo
de várias manifestações e protestos em São Paulo, Brasília e no Rio de
Janeiro. Diversas entidades estudantis, partidos políticos, grupos de
mulheres e trabalhadores sem terra integraram atos contra a presença de
Bush com citações contra a guerra no Iraque. Nas três capitais, houve
união das manifestação anti-Bush com as que pediam direitos das
mulheres. A principal delas aconteceu em São Paulo com cerca de 5 mil
pessoas, segundo cálculos da polícia, e 20 mil, de acordo com os
organizadores. Houve confrontos com a PM. Pessoas ficaram feridas com
estilhaços de bombas de gás e balas de borracha.
Em São Paulo,
cerca de 50 entidades de mulheres organizaram o ato, lideradas pela
Marcha Mundial de Mulheres (MMM), e com a participação de partidos
políticos, como PCdoB e P-SOL, e muitos estudantes ligados à União dos
Estudantes do Brasil (UNE) e União Municipal dos Estudantes
Secundaristas (UMES). A manifestação saiu da Praça Oswaldo Cruz, no
início da Avenida Paulista, e seguia em uma faixa até a concentração
final, em frente ao Museu de Artes de São Paulo (Masp). Os
manifestantes levavam faixas de "Fora: Bush do Iraque e Lula do Haiti",
"Paz no Iraque" e "Salário iguais entre homens e mulheres". Perto de
seu fim, o grupo negociava a ampliação do bloqueio do trânsito na
avenida para o protesto abrigar todos no local. Nesse momento, houve o
início da repressão da polícia.
O confronto durou cerca de 15 minutos. Lideranças de várias entidades criticaram
a repressão da Polícia Militar de São Paulo à manifestação. Alguns
protestantes responderam à PM com pedras. De cima do carro de som, as
lideranças feministas, que davam o tom das críticas sobre a
desigualdade de gênero e da postura norte-americana, fizeram apelos
para a polícia não atacar o grupo. Um dos que presenciaram a confronto
foi o deputado federal, Ivan Valente (P-SOL-SP), estava presente na
manifestação.
"Eu estava negociando com o coronel da PM a
abertura da Avenida Paulista para facilitar a concentração de pessoas.
Quando estávamos dialogando, tentando convencê-lo, explodiu já o
conflito ali já na esquina. Foi bomba de gás, correria, um conflito
feio com feridos de bala de borracha, o que é um absurdo. É uma
utilização criminosa. Pode cegar gente. Até matar. Tudo isso por conta
da repressão", criticou.
Uma senhora, de cerca de 40 anos e
integrante dos movimentos feministas da marcha, estava à frente da
manifestação e foi atingida por uma bala de borracha na perna. Após ter
sido socorrida e atendida por alguns alunos de medicina da Universidade
de São Paulo (USP), foi levada para o Hospital das Clínicas. A maior
parte dos policiais da tropa de choque que entrou em confronto não usava tarjeta de identificação, o que é parte obrigatória do uniforme do policial. A ouvidoria decidiu abrir inquérito sobre a ação.
Em
Brasília, uma manifestação pacífica de cerca de 400 mulheres da Via
Campesina se realizou em frente à embaixada dos Estados Unidos. Com
gritos de guerra, faixas de "Fora Bush", rodas de ciranda e uma
apresentação de teatro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST), que caricaturava o presidente norte-americano. "Estamos fazendo
um manifesto de repúdio à vinda dele (Bush). Os Estados Unidos vem hoje
querendo se apropriar do Brasil e um dos principais motivos dessa
manifestação é a questão da monocultura da cana, que é incentivada
pelos EUA", diz Marlei Bitencourt, integrante da coordenação distrital
do MST.
No Rio de Janeiro, cerca de 200 manifestantes ligados a
entidades sindicais partidos políticos e estudantes fizeram uma
manifestação em frente ao consulado dos Estados Unidos no centro da
cidade. Segundo informações da PM, os manifestantes jogaram pedras,
pedaços de ferro e de madeira, e jogaram tinta vermelha contra a
fachada do prédio do consulado que ficou com vários vidros quebrados.
Um segurança do consulado foi atingido por uma lata de tinta, ficando
levemente ferido. Quatro dos manifestantes tentaram invadir o prédio,
mas foram contidos pela segurança do consulado. Os manifestantes também
queimaram um boneco simbolizando a figura do presidente norte-americano.
Os
manifestantes distribuíam panfletos com críticas ao presidente
americano e sua política externa. Após o protesto, a Polícia Militar
manteve segurança no local com cerca de 15 policiais militares e apoio
de carros de patrulha. A manifestação começou por volta de seis da
tarde e durou cerca de 15 minutos. Os manifestantes seguiram para a
Cinelândia e pararam o trânsito na Avenida Rio Branco, uma das
principais vias do centro da cidade.























