Índios repudiam decisão do ministro da Justiça sobre terras no Espírito Santo
Publicado em 27/11/2006 16:53
Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil
Brasília - As comunidades indígenas Tupinikim e Guarani enviaram ao
Ministério da Justiça e à Fundação Nacional do Índio (Funai) uma carta
de repúdio à decisão do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que
devolveu à Funai o processo sobre a demarcação de terras ocupadas pela
empresa Aracruz Celulose, no norte do Espírito Santo. No processo, a
Funai recomendava a ampliação e demarcação de 11 mil hectares da
reserva.
A carta de repúdio à decisão do ministro da Justiça
foi assinada em uma assembléia geral com cerca de 300 participantes,
realizada na semana passada na aldeia Caeiras Velha. Nela, os índios se
declaram “indignados” com a sentença. “Sabemos que o ministro tem em
mãos todos os elementos necessários para assinar as Portarias de
Delimitação das nossas terras”, destacou o documento.
Na decisão
que devolveu o processo à Funai, o ministro pede “mais esforços no
sentido de aprofundar os estudos” com o objetivo de “elaborar uma
proposta adequada que componha os interesses das partes” envolvidas. Na
carta de repúdio, os índios afirmam que não aceitam acordo envolvendo
as terras já demarcadas pela Funai em 1997 e “nem novos estudos para
mudar os limites definidos”.
Segundo eles, é impossível atender
os interesses de ambos as partes, pois, os 11 mil hectares em disputa
são terras indígenas e, portanto, inalienáveis e indisponíveis,
conforme o artigo 231 da Constituição. “A gente reconhece que a terra é
o nosso direito e é em cima delas que temos que criar nosso filhos, ter
a nossa liberdade e a nossa autonomia”, disse o líder Paulo Tupinikim.
A
empresa Aracruz Celulose acredita em um acordo. A multinacional afirmou
em nota que “respeita as comunidades de seu entorno” e tem o objetivo
de manter com os índios “um relacionamento construtivo, duradouro, com
respeito às leis e às práticas democráticas do país”.
Um acordo entre a Aracruz e os índios, firmado em 1998, permitiu a demarcação da área atual da reserva. Em contrapartida, a multinacional assinou um termo de ajustamento de conduta em que se comprometia a repassar dinheiro para os índios aplicarem em projetos nas aldeias.
O acordo foi questionado pelo Ministério Público Federal (MPF). O órgão entendeu que “todos os atos civis que tenham por objeto as terras indígenas são nulos”. Em 2005, o MPF recomendou que a Funai retomasse o processo administrativo para a demarcação do total das terras.























