Dia Internacional da Mulher é celebrado em sessão solene
Publicado em 27/11/2006 16:53
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, reafirmou nesta manhã o
compromisso da Casa com a emancipação feminina no Brasil, por meio de
mudanças na legislação e o apoio a ações para consolidar direitos da
mulher. "Reafirmamos o engajamento da Câmara para colocar o Brasil na
vanguarda da luta internacional pelos direitos da mulher", disse o
presidente, na abertura de sessão solene em homenagem ao Dia
Internacional da Mulher, celebrado amanhã.
A
proposta de realização da sessão partiu das deputadas Rita Camata
(PMDB-ES), Perpétua Almeida (PCdoB-AC) e Luiza Erundina (PSB-SP).
Erundina, coordenadora-geral provisória da bancada feminina na Câmara,
alertou para o fato de que as mulheres não garantirão seus direitos se
não tiverem poder. "Precisamos conquistar espaço de poder nos partidos,
nas instituições políticas, na sociedade, nas mesas diretoras da Câmara
e do Senado", defendeu.
Ela lembrou que tramita na Câmara
proposta de emenda constitucional (PEC 590/06) que cria um cargo a mais
nessas mesas, destinado a uma mulher. Erundina também defendeu a
importância de assegurar espaço para a mulher na reforma política.
"Queremos igualdade de direitos, principalmente igualdade de espaço
político, para que nossa cidadania política seja assegurada e
respeitada", disse.
Capacitação
Rita Camata destacou a
importância da capacitação, para que as mulheres possam ter igualdade
de condições de trabalho em relação aos homens. Ela lembrou que as
mulheres já são maioria nas universidades brasileiras - 56% do total de
matriculados -, mas que cresce também o número daquelas que são chefes
de família e, "sem o amparo de políticas públicas, enfrentam a dura
realidade do mercado de trabalho". Essas, observou a deputada, são as
que têm maior dificuldade de se qualificar, de ter um curso
profissionalizante e, assim, submetem-se a salários mais baixos. Rita
Camata acrescentou que a diferença salarial é outro obstáculo a ser
vencido.
Mulheres na Amazônia
Perpétua Almeida
lembrou a resistência e a luta das mulheres da Amazônia para sobreviver
às dificuldades da floresta e garantir sua dignidade. "Se, no
dia-a-dia, nós que moramos nas cidades, nos grandes centros do País,
temos dificuldade de acesso a direitos como educação e saúde, imaginem
as mulheres da Amazônia brasileira, que nessa imensidão de floresta
lutam por saúde e educação para seus filhos", disse.
Ela citou
o caso das mulheres parteiras, que vivem na pobreza, não têm seus
direitos conquistados e precisam ter garantias da lei. "A luta da
bancada feminina, a luta das mulheres no Brasil, que já vieram rasgando
véus à nossa frente para que pudéssemos estar aqui agora, é uma luta
sem fim para que todas, ricas ou pobres, da cidade ou do campo, da zona
rural ou das grandes matas da Amazônia brasileira, tenham oportunidade
de um dia melhor", concluiu.
Desigualdade social
Arlindo
Chinaglia reforçou que, no Brasil, a desigualdade entre homens e
mulheres - que persiste em todo o mundo, apesar dos avanços já
alcançados - é agravada pelo contexto maior das desigualdades sociais.
Ele assinalou que o alto grau de concentração de renda confere à
situação da mulher um aspecto ainda mais dramático. Trata-se da
feminização da pobreza, caracterizada pelo incremento da discriminação
nas classes sociais mais baixas. "Considerando que o preconceito anula
as possibilidades de emancipação da mulher, constatamos a existência de
um círculo perverso, que condena a mulher brasileira pobre ao processo
de exclusão social", completou.
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