A política externa dos EUA
Publicado em 27/11/2006 16:53
É bom cautela com a definição de acordos com os Estados Unidos. Ao
contrário de outras políticas públicas, a de relações exteriores é a
mais suscetível a mudanças de governo e de ventos. Nos anos 40, o
Brasil sofreu na carne com esse tipo de postura.
Houve grande entusiasmo quando Franklin Delano Roosevelt,
influenciado por Sumner Welles e Nelson Rockefeller, decidiu aplicar
uma versão New Deal (seu plano que salvou a economia americana no
início dos anos 30) à América Latina. Foi uma decisão relevante, que
deu resultados enquanto durou, mas pouco durou. Com sua morte e a
ascensão de Truman, o projeto foi congelado.
Gerou a Companhia Siderúrgica Nacional, investimentos em alguns áreas tecnológicas. Depois, morreu.
Os sucessivos planos de cooperação dos anos 40 tiveram o mesmo problema
(sobre isso escreverei com mais detalhes na Coluna Econômica de terça).
Alguns se limitaram a fazer diagnósticos, para preparar o país para
receber financiamentos. Na seqüência, mudava a orientação americana, e
a nova orientação era que os assessores meramente ajudassem o governo
brasileiro a conseguir capital aqui dentro mesmo.
As frustrações ocorreram em várias momentos e em vários setores. O
Acordo Militar fracassou, depois de parecer bem encaminhado, e manteve
a Marinha brasileira anacrônica.
A última tentativa de uma grande cooperação, o Plano Salte, morreu
quando estourou a Guerra da Coréia, e a América Latina deixou novamente
de ser prioridade.
Na própria negociação de um empréstimo-ponte em 1952, a troca do
governo americano –os republicanos de Eisenhower assumindo—implicou em
mudança completa na orientação do Departamento do Estado, quase fazendo
os EUA incorrer no mesmo papelão que condenam em economias emergentes:
a do governo que entra não se responsabilizar por compromissos do
governo que sai.
As conversas entre Bush e Lula foram relevantes. Afastaram, de vez,
essa bobagem sobre o suposto anti-americanismo da política externa
brasileira. Podem permitir investimentos em pesquisa tecnológica no
Brasil. Se houver clareza sobre os interesses nacionais, o pacto para
espalhar o etanol por vários países pode trazer conseqüências positivas
para produtores de álcool, indústria de máquinas e equipamentos, e
sistema tecnológico.
Mas sempre com um pé atrás, em função desse pensamento errático da diplomacia externa americana.
No fundo, não é a Guerra Fria, talvez nem seja o álcool o principal
motor da viagem de Bush. É bem possível que seja a nova força política
dos EUA: o eleitorado hispânico.























