A diplomacia do álcool
Publicado em 27/11/2006 16:53
Para analisar os resultados do encontro entre George W. Bush e Lula, é
necessário entender um pouco a lógica diplomática e comercial
norte-americana.
O grande avanço possível é o acordo para transformar o etanol em
“commodity” – ou seja, em produto padronizado. Conquista-se esse status
padronizando o produto. Conquistado esse status, há desdobramentos
relevantes, o principal dos quais a criação de um mercado internacional
de etanol, com a produção mundial obedecendo às especificações.
Esse é o ganho líquido e certo. O restante são hipóteses. E aí
entra a grande volatilidade que marca a diplomacia comercial americana,
da qual o Brasil foi beneficiário e vítima dos anos 40 aos anos 70.
No início dos anos 40, Franklin Delano Roosevelt, estimulado por
seus assessores Sumner Welles e Nelson Rockefeller, acertou um projeto
de desenvolvimento para o Brasil. Compromisso firme e garantido...
enquanto Roosevelt viveu. Foi relevante, permitindo a criação da
Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Esse clima de boa vontade foi
essencial para que grandes amigos do Brasil, como o embaixador Adolfo
Berle Jr ajudassem a bloquear as ações da Standard Oil, visando impedir
a implantação de refinarias no país.
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Morto Roosevelt, substituído por Truman, os compromissos mudaram.
Em vez de financiar o desenvolvimento, sucessivas missões foram
incumbidas de “ensinar” o Brasil a buscar fontes internas de
financiamento para seus projetos.
Foi assim com o Plano de Reaparelhamento Econômico, as Missões
Cooke (42-43), Abbink (1948) e o Plano Salte (1946-1950) até desaguar
no chamado Plano Lafer e na Comissão Mista Brasil-Estados Unidos,
passando por dois encontros diplomáticos decisivos, a III Reunião de
Consulta dos Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas
Americanas, e a IV Reunião, já nos anos 50.
Esse é o acervo de iniciativas que permitem deslindar o período, um
tempo em que o Brasil aprendeu a identificar seus pontos críticos, a
planejar seus projetos e a política econômica a ganhar foco. Mas,
recurso que é bom, entrou muito pouco.
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Nos anos 40, a prioridade no Brasil durou o período exato da
Segunda Guerra. Terminado o conflito, a Europa tornou-se prioritária,
sendo beneficiada pelo Plano Marshall.
No final da década, houve outra ação decisiva, em cima da Comissão
Mista Brasil-Estados Unidos. Foram definidos projetos em que os EUA
entrariam com recursos, atrelados à contrapartida de recursos
brasileiros.
As intenções esbarram em dois problemas. Do lado brasileiro, a inclusão
de muitos projetos acima da capacidade do país de entrar com
contrapartidas. Do lado americano, a eclosão da Guerra da Coréia, que
inverteu novamente as prioridades do Império.
Mais tarde, a ajuda foi retomada com John Kennedy, tendo o mesmo Berle Jr como inspirador. Morto Kennedy, morreu a prioridade.
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Depois disso, já no governo Geisel as relações entre ambos os
países entraram na geladeira. Houve aproximação entre Fernando Henrique
Cardoso e Clinton; e agora entre Bush e Lula. Mas o interesse de Bush
parece muito mais o de contentar o eleitorado hispânico dos EUA do que
tratar o Brasil como parceiro prioritário.























