União gastou quase R$ 1 bilhão com serviços de água e esgoto nos últimos 6 anos
Publicado em 27/11/2006 16:53
A escassez de água no planeta, resultado do crescente aumento
populacional e do aquecimento global, poderá causar muitos conflitos em
todo o mundo. Isso é o que prevê o relatório Painel Intergovernamental
de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) da Organização das
Nações Unidas (ONU) divulgado no início de abril. No entanto, a idéia
da racionalização do consumo da água parece não surtir muito efeito
entre as autoridades brasileiras. Desde 2001, os órgãos dos poderes
Executivo, Legislativo e Judiciário já gastaram R$ 995,4 milhões com
serviços relativos a água e esgoto.
Somente
no ano passado, a União teve que desembolsar R$ 210 milhões para arcar
com as contas relacionadas ao serviço. A quantia supera, por exemplo, a
verba prevista no orçamento federal deste ano para o programa de
Segurança Pública nas Rodovias Federais (R$ 156,7 milhões). Passados
apenas dois bimestres de 2007, as faturas dos Três Poderes já
consumiram R$ 49,5 milhões dos cofres públicos. Desde 2001, os gastos
não param de crescer. Naquele ano, R$ 150 milhões foram destinados ao
pagamento das contas, o que resultou em um aumento de 40% de 2001 a
2006.
O
maior gasto com água e esgoto no ano passado foi do Ministério da
Defesa (MD), com R$ 66,1 milhões. A quantia equivale a quase um terço
do valor total pago pela União no período. Este ano, até abril, a pasta
já gastou R$ 16,8 milhões. A assessoria de imprensa do MD informou que
a fatura do órgão com despesas de água e esgoto envolve gastos da
Administração Central, do Hospital das Forças Armadas (HFA), da Escola
Superior de Guerra (ESG) e dos Comandos da Marinha, do Exército e da
Aeronáutica.
Segundo a assessoria, no âmbito da Administração
Geral, os gastos em 2006 relacionados aos serviços foram de R$ 242,9
mil, em 2005, de R$ 238 mil e, em 2007, até o dia 31 de março, R$ 59,2
mil. A assessoria disse também que, como programa de economia de água,
a Administração Central do ministério trabalha com parâmetros
preconizados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), nos
diversos usos da água.
O Ministério da Educação (MEC) é o
segundo órgão que mais pagou pelos serviços de água e esgoto em 2006,
R$ 42,6 milhões. Este ano, já foram gastos R$ 9,6 milhões com o
pagamento das contas. A assessoria de imprensa da secretaria de
assuntos administrativos do MEC explica que o valor refere-se ao
pagamento global, incluindo a Administração Direta, as Autarquias e as
Fundações ligadas à pasta.
De acordo com a assessoria, a conta
exclusiva do ministério, que inclui o Edifício-sede, os anexos I e II,
a garagem, o depósito, localizado no Setor de Indústria e Abastecimento
(SIA), salas no Conic e três entidades vinculadas ao MEC, foi de R$
584,2 mil em 2005 e R$ 765,7 mil em 2006. Ainda segundo a assessoria, o
ministério faz um controle comparativo, mês a mês, que acompanha e
monitora permanentemente os gastos. Além disso, afirma que foram
instaladas no MEC torneiras econômicas com sistema de desligamento
automático.
Entre os órgãos governamentais, um dos que mais
avança no sentido de economizar água é a Câmara Federal. Em 2006,
gastou R$ 2,5 milhões com as contas de água e esgoto. Uma das
explicações pode ser a Ecocâmara, departamento criado pela Casa que
visa diminuir os impactos de suas atividades no meio ambiente. O
engenheiro do órgão Roberto Costa disse que a Câmara possui diversas
atividades que economizam a água e, conseqüentemente diminuem os
gastos. “Estamos com um programa que substitui a garrafa mineral por
filtros que hoje deve economizar R$ 1 milhão por ano”, afirma.
Roberto
Costa explicou também que o espelho d’água do anexo I poupa atualmente
dos cofres públicos cerca de R$ 300 mil por ano. “O programa de limpeza
do lago realizava cinco trocas de água anuais. Agora, só a trocamos uma
vez a cada três anos”. Segundo ele, o lodo retirado na limpeza é
transformado em adubo para as plantas do jardim. O engenheiro disse
ainda que a média de consumo de água na Câmara por funcionário é de 40
litros, bem abaixo, por exemplo, do consumo de água per capita no
Distrito Federal, que é de 225 litros.
Clique aqui para ver os gastos da União com serviços de água e esgoto, de 2001 a 2007.
Leandro Kleber
Do Contas Abertas























